A relação entre o torcedor do Palmeiras e a Academia de Futebol

Ser torcedor do Palmeiras é viver uma paixão que transborda as quatro linhas, carregada de história e de orgulho. Como disse o jornalista Joelmir Beting: “Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário; e a quem não é, é simplesmente impossível.” 

Essa frase resume bem o sentimento inexplicável que une milhões de torcedores palmeirenses ao seu clube do coração.

Neste artigo, a equipe do Portal Camisa12 traz uma análise aprofundada (e cheia de carinho) sobre a relação única entre a torcida do Palmeiras e a lendária Academia de Futebol, unindo tradição e atualidade, história e arquibancada, tudo com aquela linguagem leve de uma boa conversa entre palestrinos.

Avanti, Palestra! ⚽️💚

Academia de Futebol: o legado que move o torcedor palmeirense

Antes de mais nada, vale entender o que significa Academia de Futebol para os palmeirenses. Esse apelido carinhoso e respeitoso nasceu nos anos 60, quando o Palmeiras montou um dos maiores times da história do futebol brasileiro. 

O futebol jogado com tanta classe e técnica era comparado a uma verdadeira aula em campo – não à toa, dizia-se na época que assistir a um jogo do Palmeiras era como ver uma “aula de futebol” ao vivo.

Primeira Academia

A primeira Academia brilhou nos anos 1960, liderada pelo craque Ademir da Guia (o “Divino”) e outros ídolos palmeirenses como Djalma Santos e Julinho Botelho. 

Segunda Academia

Já nos anos 1970, uma Segunda Academia surgiu, com jogadores lendários como Leivinha, Luís Pereira, César Maluco e o goleiro Emerson Leão. 

Essas equipes encantaram o Brasil com títulos e futebol arte, forjando um legado de excelência que até hoje inspira o torcedor alviverde.

Palmeiras = Brasil

Um momento histórico que enche de orgulho qualquer torcedor do Palmeiras ocorreu em 7 de setembro de 1965. Na inauguração do Mineirão, o Palmeiras representou a Seleção Brasileira inteira em um amistoso contra o Uruguai (vestindo a camisa amarela do Brasil). Os 11 titulares eram todos jogadores do Verdão, incluindo técnico e comissão! 

E o resultado? Vitória brasileira por 3×0. Foi a primeira (e única) vez que um clube atuou como a Seleção Brasileira completa em campo, um feito que a torcida palmeirense relembra com brilho nos olhos. 

Não é exagero dizer que o Palmeiras era, de fato, a “verdadeira Academia” do futebol nacional naquele período. Episódios como esse cimentaram o orgulho palestrino e a percepção de que vestir a camisa verde e branca é sinônimo de tradição e conquistas.

A Era Parmalat

Ao longo das décadas, a ideia de Academia de Futebol continuou a inspirar novas gerações. Nos anos 90, durante a chamada Era Parmalat, o Palmeiras voltou ao topo com jogadores como Evair, Edmundo, Rivaldo e companhia – alguns torcedores consideram aquele time como uma “terceira Academia”, pelos inúmeros títulos entre 1993 e 2000.

Dias atuais

Mais recentemente, sob o comando do técnico Abel Ferreira, o clube vive outra fase gloriosa. De 2015 pra cá, o Verdão conquistou Libertadores (bicampeão em 2020 e 2021), Copas do Brasil e vários Brasileiros, mantendo uma base sólida de elenco por anos. Muitos já comparam essa fase atual a uma nova Academia, dada a hegemonia recente e o alto nível de futebol apresentado. 

E convenhamos: a torcida palestrina adora essa comparação – afinal, ser chamado de Academia de novo é motivo de orgulho e prova de que o padrão de excelência continua vivo no Allianz Parque.

Torcida que canta e vibra: tradição e paixão nas arquibancadas

Se o Palmeiras é conhecido como Academia dentro de campo, fora dele quem dá show é a torcida do Palmeiras, carinhosamente chamada de torcida que canta e vibra.

Esse verso imortal do hino oficial do Verdão – “Defesa que ninguém passa, linha atacante de raça, torcida que canta e vibra!” – já indica a força da massa alviverde desde 1949. 

A torcida palmeirense sempre se destacou por seu apoio incondicional e pela festa nas arquibancadas, transformando qualquer estádio em um caldeirão verde e branco quando o Verdão entra em campo.

A identidade palestrina tem raízes profundas. O clube nasceu em 1914 como Palestra Italia, fundado pela comunidade de imigrantes italianos em São Paulo. Os torcedores daquela época se autodenominavam palestrinos, um termo ainda usado com orgulho para se referir aos palmeirenses, lembrando as origens do clube. 

Em 1942, em meio às pressões da Segunda Guerra, o Palestra teve que mudar de nome e assim nasceu a Sociedade Esportiva Palmeiras – evento conhecido como Arrancada Heroica

Naquele dia histórico, o time entrou em campo já como Palmeiras e conquistou um título paulista, e a torcida entoou: “Nasce o Palmeiras, campeão!”.

Esse espírito de resistência e paixão é passado de geração em geração. Ser torcedor do Palmeiras é carregar no peito a história de glórias, lutas e viradas por cima.

E não faltam símbolos dessa paixão. Um exemplo é o mascote Porco: torcedor palmeirense que se preze já gritou “Olê, Porco!” pelo menos uma vez. Curiosamente, o apelido porco surgiu como provocação de rivais lá atrás, mas os palmeirenses deram a volta por cima. 

Durante um jogo de 1986, a torcida do Palmeiras decidiu assumir de vez o apelido que antes os ofendia, cantando em coro “e dá-lhe Porco!” nas arquibancadas. A partir daí, o Porco virou símbolo de raça e orgulho do Verdão – tanto que em 2016 o clube oficializou o mascote Periquito ao lado do Porco Gobbato, eternizando ambos em sua galeria de símbolos.

Essa capacidade de transformar zoação em motivação mostra bem a personalidade do torcedor palmeirense: apaixonado, irreverente e cheio de amor pelo clube.

Mancha Verde: a voz da arquibancada palmeirense

Dentro dessa torcida que canta e vibra, um capítulo especial fica por conta das torcidas organizadas, em especial a Mancha Verde (ou Mancha Alviverde). Fundada em 1983, a Mancha se tornou a maior organizada do Palmeiras e uma das mais famosas do Brasil. No estádio, são eles que puxam os cânticos incessantes, tocam os tambores e agitam bandeirões, transformando jogos em verdadeiros espetáculos de apoio. 

Quando o Allianz Parque lota com mais de 40 mil vozes, é comum ouvir a Mancha ditando o ritmo: o canto “Palmeiras meu Palmeiras, meu orgulho, minha vida!” ecoa e arrepia, embalado pela bateria da escola de samba que eles mesmos mantém.

Aliás, a Mancha Verde não se limita ao futebol – ela literalmente leva a paixão alviverde para o carnaval. A torcida organizada deu origem a uma escola de samba que leva o mesmo nome e, acredite, já foi campeã do carnaval de São Paulo (ganhou títulos no Grupo Especial, como em 2019 e 2022).

Ou seja, a festa palmeirense acontece dentro e fora dos campos, seja na arquibancada ou no Sambódromo do Anhembi. Isso mostra como a cultura palmeirense vai além dos 90 minutos: é um estilo de vida, uma manifestação cultural.

A torcida palmeirense tem orgulho de sua Mancha Verde, que hoje também desempenha trabalhos sociais e ajuda a preservar a memória da torcida (“Aqui se aprende a amar o Palmeiras”, diz a biografia da Mancha nas redes sociais).

Com toda essa presença, a Mancha se tornou a voz mais visível (e audível!) da arquibancada alviverde, canalizando a paixão de milhões de palestrinos em uma só canção.

Do estádio às redes sociais: a torcida palmeirense em todos os lugares

O amor do torcedor palmeirense pelo clube evoluiu com os tempos. Se nas décadas passadas o palco principal era o Estádio Palestra Italia (o velho Parque Antártica) e hoje é o moderno Allianz Parque, agora a torcida também dá show na internet. 

Os palmeirenses estão entre os mais engajados do país nas redes sociais, levando a rivalidade e a festa para o Twitter, Instagram, YouTube, TikTok e onde mais houver uma tela verde e branca. Em 2023, o Palmeiras atingiu 22,5 milhões de seguidores somando suas principais redes, ultrapassando o São Paulo e assumindo a 3ª posição no ranking nacional de torcidas online – ficando atrás apenas de Flamengo e Corinthians em números totais.

Mas não é só quantidade: é qualidade de engajamento. Em dias de jogos decisivos, as hashtags do Verdão figuram entre os assuntos mais comentados, e os vídeos com bastidores e comemorações viralizam.

A FIFA, inclusive, já destacou o envolvimento da torcida palmeirense em competições internacionais. Durante o Mundial de Clubes, por exemplo, chamou atenção o modo como os palmeirenses mobilizaram mutirões online para votar em prêmios de torcida e apoiar o time à distância. 

Essa combinação de arquibancada pulsante e presença digital forte rende ao Palmeiras uma alcunha merecida de Torcida que canta, vibra e… tuita! 😄

Nas redes, os torcedores palmeirenses também celebram a rica história do clube: relembram gols históricos (quem nunca viu o vídeo do gol de Cleiton Xavier aos 47 do segundo tempo contra o Colo-Colo em 2009 circulando nas timelines?), compartilham fotos da família toda uniformizada e, claro, provocam os rivais com bom humor. 

Não importa se é no estádio gritando até ficar rouco ou no WhatsApp mandando figurinha do Porco Campeão, a verdade é que o palmeirense leva sua paixão aonde for.

Academia e arquibancada: excelência, cobrança e orgulho de ser Palmeiras

A relação entre a torcida e o conceito de Academia de Futebol não é feita só de saudosismo – ela também se manifesta na cobrança por excelência. O palmeirense aprendeu com as Academias do passado a amar o futebol bem jogado e as grandes conquistas, então ele não se contenta com pouco. 

A torcida que canta e vibra também cobra (e cobra muito!) quando acha necessário. Essa característica foi até mencionada no próprio hino adaptado pelos torcedores: muitos brincam que a frase extra-oficial é “torcida que canta, vibra e cobra”.

Ou seja, a mesma voz que apoia sem parar também sabe reclamar se o desempenho não honra a tradição alviverde. Faz parte da cultura palmeirense essa busca constante pela grandeza.

E a diretoria e jogadores sabem: jogar no Palmeiras é ter uma torcida exigente, mas que estará ao seu lado nos momentos bons e ruins. Prova disso foi o comportamento da massa alviverde nos momentos difíceis. 

Mesmo nos períodos de jejum de títulos (como nos anos 1980) ou nas dolorosas quedas para a Série B (em 2003 e 2013), a torcida palmeirense nunca abandonou o time.

Pelo contrário – empurrou o Verdão de volta ao topo. Em 2014, quando o clube quase caiu novamente no ano do seu centenário, lá estavam 39 mil torcedores cantando no Pacaembu no jogo da salvação. 

Essa resiliência mostra que a relação do torcedor palestrino com o clube é quase familiar: você pode até ficar bravo com aquele parente (no caso, o time) depois de um vexame, mas o amor continua inabalável.

No lado positivo, essa cobrança por excelência também impulsiona o clube a se modernizar e buscar títulos sempre. Hoje o Palmeiras se orgulha do apelido “Maior Campeão do Brasil”, dado o recorde de títulos nacionais que possui (são 11 ou 12 Brasileiros, a depender da contagem histórica, além de várias Copas do Brasil). 

Cada conquista é celebrada intensamente pela torcida – basta ver a festa épica na Avenida Paulista em 2021, quando o Verdão trouxe mais uma taça Libertadores para casa.

A torcida palmeirense se vê como parte ativa dessas vitórias: eles se autodenominam Camisa 12 (daí o nome do nosso Portal), pois sabem que seu apoio faz diferença dentro de campo, funcionando como o 12º jogador.

Paixão de pai para filho: a herança alviverde que nunca acaba

Se você conversar com qualquer torcedor do Palmeiras, vai perceber que a paixão alviverde frequentemente é uma herança de família. Histórias de pais, avós e bisavós palestrinos são transmitidas como verdadeiras lendas domésticas. 

O avô conta do tempo da Academia de Ademir da Guia, o pai relembra São Marcos defendendo pênaltis impossíveis nos anos 2000, e o filho vibra com os gols de Dudu e defesas do Weverton na era Abel Ferreira. 

Assim, cada geração de torcedores palmeirenses carrega um pedaço da memória do clube e acrescenta novos capítulos. É uma corrente de amor verde e branco que parece não ter fim.

Essa forte identificação faz do Palmeiras mais que um time: é parte da identidade de milhões de pessoas. As arquibancadas do Allianz Parque em dia de decisão estão pintadas de verde, mas também cheias de crianças, jovens, adultos e idosos unidos pelo mesmo canto. 

Emoções passadas e futuras se encontram ali – lágrimas por lembrar um ídolo do passado, sorrisos sonhando com as próximas vitórias. Tudo isso embalado pelo coro “Palmeiras, minha vida é você!”.

Em resumo, ser torcedor do Palmeiras é pertencer a uma Academia eterna: a Academia de paixão, de tradição e de fidelidade. A relação entre a torcida palmeirense e o clube é um laço indissolúvel, construído ao longo de mais de um século. 

A Academia de Futebol deu ao palmeirense um orgulho único, e o torcedor em troca dá ao Palmeiras uma alma e uma voz incomparáveis. É uma troca bonita: o clube ensina o torcedor a amar e aspirar à excelência. A torcida ensina o clube que jamais lhe faltará apoio. Juntos, clube e torcida formam uma família alviverde que canta, vibra, cobra e comemora unida.

Avanti Palestra! Hoje e sempre, a torcida que canta e vibra segue fazendo história ao lado do seu Palmeiras, seja nas arquibancadas, seja nas ruas ou na internet – porque o amor palestrino, esse não conhece fronteiras nem explicação lógica. 

E se alguém ainda não entende… bem, talvez seja mesmo impossível explicar.

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