Categoria: Opinião

  • 2025: o ano em que a gestão no Campeonato Brasileiro enterrou o mito do «peso da camisa»

    2025: o ano em que a gestão no Campeonato Brasileiro enterrou o mito do «peso da camisa»

    Ao olharmos para a tabela final do Campeonato Brasileiro de 2025, a conclusão é tão fria quanto inevitável: o futebol brasileiro mudou de dono. Não se trata mais de quem tem a maior torcida, o hino mais bonito ou o passado mais glorioso.

    A temporada que se encerra ficará marcada na história como o momento definitivo em que a planilha de Excel venceu o grito da arquibancada, e em que a gestão profissional enterrou de vez o velho mito do «peso da camisa».

    Durante décadas, alimentamos a narrativa romântica de que, na hora da decisão, a tradição de um gigante em crise poderia superar a organização de um clube emergente. 2025 provou que isso é uma mentira. Os clubes que terminaram o ano a celebrar títulos ou vagas diretas na Libertadores — sejam eles as SAFs consolidadas como o Botafogo e o Bahia, ou modelos associativos de excelência como o Palmeiras — têm algo em comum que falta aos que ficaram pelo caminho: blindagem institucional e processos definidos.

    A vitória do silêncio sobre o caos

    O que separa hoje o topo da tabela da zona de rebaixamento não é apenas o dinheiro, mas o silêncio. Enquanto clubes como o Palmeiras, sob a batuta inabalável de Abel Ferreira e uma diretoria que blinda o departamento de futebol, trabalharam com previsibilidade, outros gigantes históricos passaram o ano imersos em guerras políticas, trocas de técnicos e escândalos de bastidores.

    A SAF do Botafogo, por exemplo, demonstrou que um projeto de scouting global e uma filosofia de jogo integrada valem mais do que contratar medalhões aleatórios para acalmar conselheiros vitais. O Fortaleza, com um orçamento menor mas com uma gestão impecável, continuou a dar lições em clubes que faturam o triplo mas gastam o quádruplo. A lição de 2025 é clara: a paixão do torcedor é o combustível do jogo, mas não pode ser o motor da gestão. Quando a emoção invade a sala da presidência, o desastre é certo.

    O fim da «camisa que entorta varal»

    Vimos, ao longo das 38 rodadas, instituições centenárias sendo atropeladas taticamente e fisicamente. A mística da camisa pesada, aquela que supostamente «entorta varal», tornou-se irrelevante diante de adversários que correm mais, recuperam mais rápido e, sobretudo, sabem exatamente o que fazer com a bola. O respeito que os adversários tinham pelos escudos tradicionais desapareceu; hoje, respeita-se quem paga em dia e quem tem padrão tático.

    Para os clubes que insistem no modelo associativo arcaico, onde a política interna dita as contratações e as dívidas são empurradas com a barriga, 2025 foi um aviso final. O abismo técnico e financeiro entre os «organizados» e os «amadores» aumentou drasticamente. Não há mais espaço para o dirigente torcedor que gere o clube com o fígado.

    O novo perfil do sucesso

    O legado deste ano é o triunfo do profissionalismo. O torcedor brasileiro, embora passional, começa a entender que a estabilidade é o maior troféu. Ele vê que o vizinho organizado ganha taças, enquanto o seu clube, preso ao saudosismo, ganha apenas manchetes de crise.

    O futebol brasileiro de 2025 ensinou-nos que a história é bonita e deve ser respeitada nos museus, mas dentro de campo, quem manda é a competência. A camisa agora só pesa para quem a veste sem preparo; para os bem geridos, ela é apenas o uniforme de trabalho de uma engrenagem que funciona. Ou os gigantes adormecidos acordam para a realidade corporativa do século XXI, ou continuarão a ver a sua grandeza ser devorada pela modernidade.

  • Endrick e Estêvão: duas joias do Palmeiras, dois caminhos diferentes na Europa.

    Endrick e Estêvão: duas joias do Palmeiras, dois caminhos diferentes na Europa.

    Eu sendo uma torcedora nascida nos anos 90, tenho parado para observar como a base tem se movimentado atualmente no futebol brasileiro, uma maneira mais forte mais vívida do que há tempos atrás, e me arrisco a dizer que o Palmeiras viveu, em um curto período de tempo, algo que poucos clubes conseguem repetir: revelou dois talentos geracionais e os vendeu para o futebol europeu ainda adolescentes.

    Endrick e Estêvão saíram da mesma base, vestiram a mesma camisa e carregaram expectativas parecidas. Ainda assim, hoje vivem momentos bem distintos fora do Brasil.

    Enquanto Estêvão parece chegar ao futebol europeu com impacto, confiança e protagonismo, Endrick ainda luta por espaço, minutos e afirmação. A pergunta que surge é inevitável: o que explica essa diferença tão gritante? E a resposta passa por vários aspectos menos pelo talento, porque ambos têm de sobra, essa diferença vale muito mais pelo contexto geral de cada transferência.

    Endrick: talento geracional em um ambiente sem margem para erro  

    Quando Endrick foi negociado com o Real Madrid, o Palmeiras e o mercado sabiam exatamente o que estava em jogo. Não era apenas uma venda histórica, mas a transferência de um jogador com rótulo de fenômeno antes mesmo de completar 18 anos. O problema é que o Real Madrid não é um ambiente de adaptação lenta.

    Endrick chegou a um elenco estrelado, competitivo, que briga por Champions League todos os anos e onde cada minuto em campo precisa ser justificado. Diferente do Palmeiras, onde ele tinha liberdade para errar, aprender e crescer, na Europa cada oscilação vira pauta, cada jogo sem gol vira cobrança.

    Além disso, há a questão tática. Endrick não atua exatamente da mesma forma que atuava no Brasil. Seu papel mudou, sua leitura de jogo precisou se adaptar e, sem sequência, o processo se torna ainda mais difícil. Isso não significa que Endrick esteja mal. Significa que ele está em um clube que não permite construção.

    Estêvão: tempo, protagonismo e um processo mais protegido  :

    Já o caminho de Estêvão foi diferente desde o início, o Palmeiras, claramente mais experiente após o caso Endrick, segurou o jogador por mais tempo, deu protagonismo real e permitiu que ele amadurecesse dentro de campo antes da saída. Estêvão não foi apenas promessa, ele foi protagonista.

    Quando a venda ao Chelsea foi confirmada, Estêvão já havia vivido pressão, jogos grandes, decisões e momentos ruins também. Ele saiu mais pronto emocionalmente, taticamente e mentalmente. Até mesmo já havia marcado gol contra o Chelsea no Mundial de clubes com sua contratação já acertada para o time. Foi respeitoso com a torcida adversária no momento, e hoje caiu no gosto da torcida que já até fizeram um cântico para o jovem jogador.

    O impacto imediato que vemos hoje não acontece por acaso. Ele é reflexo de um processo melhor conduzido, com menos ansiedade e mais clareza de função.
    Estêvão não é mais talentoso que Endrick. Ele apenas chegou mais preparado para o choque europeu.

    Comparar não é diminuir, é entender processos  :

    Existe uma tentação grande em comparar Endrick e Estêvão como se um estivesse “dando certo” e o outro não. Essa leitura é rasa e injusta.

    “Endrick saiu no tempo do mercado, Estêvão saiu no tempo do jogador.”

    O Palmeiras aprendeu com a primeira grande venda e ajustou o processo na segunda. Isso não invalida Endrick, nem transforma Estêvão em um caso isolado de sucesso. São trajetórias diferentes, com exigências diferentes.

    O futebol europeu, especialmente no ataque, cobra impacto imediato. E nem todo talento jovem consegue entregar isso sem pagar um preço emocional e técnico no caminho.

    O problema nunca foi o talento  :

    Se existe um erro recorrente na análise do futebol moderno, é achar que talento se sustenta sozinho. Não se sustenta.
    Talento precisa de contexto, confiança, sequência e paciência. Endrick vai dar certo. Mas o processo dele será mais longo, mais silencioso e menos linear. Estêvão, por sua vez, colhe hoje algo que Endrick não teve tempo de viver: ambiente favorável para a sua evolução.

    No fim, o Palmeiras não errou em nenhuma das vendas. Evoluiu. E isso diz muito sobre o clube, sobre sua base e sobre a maturidade de entender que formar jogadores também é saber quando soltar.

    O tempo vai colocar cada um no seu lugar. E a história, como sempre, será mais justa do que a expectativa do presente.

  • Thiago Silva no FC Porto: aposta improvável ou jogada de mestre?

    Thiago Silva no FC Porto: aposta improvável ou jogada de mestre?

    No sábado caiu uma bomba do nada: Thiago Silva assinou pelo FC Porto. Uma aposta surpreendente, sim. Mas que, olhando com calma, faz muito mais sentido do que parece à primeira vista.

    É estranho falar de um jogador de 41 anos no futebol europeu atual. Mas estamos a falar de um dos melhores zagueiros do século XXI. E o contexto ajuda a explicar esta decisão. O FC Porto tem apenas um zagueiro destro no elenco e a grave lesão de Nehuén Pérez no tendão de Aquiles tirou-o da temporada inteira. Apesar de uma dupla que vem funcionando bem – os polacos Jakub Kiwior e Jan Bednarek – e de uma jovem promessa como Dominik Prpić, a verdade é simples: faltava um perfil específico. Um zagueiro destro, experiente, confiável.

    E aí entra Thiago Silva. Sem custos de transferência, num contrato curto de seis meses (com opção de mais um), fica claro que não é uma contratação para o futuro, mas para gerir o presente. Rotação, segurança, liderança. Alguém que, mesmo recentemente, ainda dava aula no Brasileirão.

    Essa contratação não surge do nada – e diz muito sobre o momento que o FC Porto vive fora de campo. A estrutura do clube está a funcionar bem. Basta lembrar a chegada de Samu no último dia de transferências, fechada sem boatos, sem novelas, sem ruído. Ou a apresentação de Luuk de Jong, feita ao vivo no próprio dia, depois de ter sido trazido para o Dragão com um nível de secretismo tão grande que chegou a circular como reforço da equipa de andebol. Agora, surge mais um movimento cirúrgico: um dos melhores zagueiros de sempre, fechado em absoluto silêncio, numa parceria discreta com Fabrizio Romano. Não é acaso. É método.

    Essa escolha também diz muito sobre o treinador Francesco Farioli. Ele quer certezas. Quer reduzir riscos. Quer competir até o fim. Quer o Campeonato Português e quer vencer a Liga Europa.

    O grande ponto de interrogação não está no futebol de Thiago Silva. Está na cabeça. Ele vem disposto a aceitar ser rotação e não titular absoluto? Vem com humildade para fortalecer o vestiário, orientar um elenco jovem, ambicioso e que já lidera o campeonato? Porque, se vier com esse espírito, o impacto pode ser enorme – dentro e fora de campo.

    Aos 41 anos, continuar a querer jogar bola em alto nível é quase uma loucura. Mas é uma loucura que merece respeito. E esse retorno ao Porto tem também um peso simbólico forte. Thiago Silva volta a uma casa onde, na primeira passagem, não foi feliz. Mas é importante lembrar: foi o FC Porto quem o descobriu ainda menino, vindo do Juventude. A adaptação não correu bem, atuou apenas pela equipe B e seguiu caminho para construir uma carreira lendária. Este retorno soa como um fim de ciclo.

    E que ciclo. Porque o FC Porto tem uma história pesada quando o assunto é zagueiro: Ricardo Carvalho, Aloísio, Jorge Costa e, claro, o homem cujo número agora herda: Pepe.

    Thiago Silva junta vários objetivos numa só decisão: manter vivo o sonho de disputar um Mundial aos 41 anos, fechar uma etapa que não correu bem na primeira passagem, voltar a disputar títulos num gigante europeu e regressar à Europa – algo que sempre esteve nos seus planos.

    O ADN do FC Porto sempre esteve ligado à imprevisibilidade. À capacidade de fazer o que ninguém espera. De arriscar quando outros recuam. De desafiar o óbvio.

    E no futebol, como na vida, há uma verdade simples: quem não arrisca, não merece viver o extraordinário.

    Thiago Silva não chega para ser promessa. Chega para ser aposta. Para ser decisão. Para ser momento.

    Agora a pergunta vai para quem o acompanhou mais de perto nesta fase da carreira. Para quem esteve ao lado dele no Fluminense: o que acham desta movimentação de mercado?

  • Neymar: a salvação do Santos

    Neymar: a salvação do Santos

    Quando Neymar assinou o seu contrato para vestir novamente a camisa do Santos, muitos torceram o nariz. Falaram em «ex-jogador em atividade», em «marketing desesperado» ou em um «custo impagável» para um clube que vive no fio da navalha financeira. Mas hoje, ao olharmos para o desempenho da equipe em 2025, a conclusão é inevitável e contraria os céticos: Neymar não foi apenas um reforço; ele foi a salvação institucional e esportiva do Santos Futebol Clube.

    Num ano em que o futebol brasileiro triturou elencos com um calendário desumano e o nível técnico oscilou perigosamente, a presença do camisa 10 na Vila Belmiro funcionou como um farol em meio à neblina. O Santos, que flertou com a irrelevância e com o fantasma da Série B em temporadas recentes, encontrou nos pés do seu maior ídolo do século a estabilidade que nenhuma gestão ou treinador conseguiu entregar nos últimos anos.

    Mais do que técnica: a liderança técnica

    A salvação trazida por Neymar vai além dos gols e das assistências, que continuam a aparecer com uma frequência acima da média para o padrão nacional. O que salvou o Santos foi a «hierarquia» que ele impôs no vestiário e no campo. Em um elenco repleto de garotos da base que sentiam o peso da responsabilidade, Neymar serviu como um escudo. Ele absorveu a pressão, atraiu a marcação adversária e criou o espaço vital para que os novos «Meninos da Vila» pudessem respirar e jogar.

    Taticamente, ele já não é o ponta explosivo de 2011, mas reinventou-se como um armador cerebral. No caos organizado do Brasileirão, onde a correria muitas vezes supera o raciocínio, a capacidade de Neymar de colocar a bola debaixo do braço e ditar o ritmo do jogo foi o diferencial entre o empate e a vitória em partidas cruciais contra adversários diretos. Ele transformou um time reativo em uma equipe que, pelo menos quando a bola passa por ele, sabe exatamente o que fazer.

    O resgate da autoestima

    Fora das quatro linhas, o impacto foi igualmente salvador. O Santos recuperou a sua relevância midiática e a sua autoestima. A Vila Belmiro voltou a ser um caldeirão temido, não apenas pela pressão da torcida, mas pelo respeito reverencial que os adversários têm ao enfrentar uma lenda viva. Esse «medo cênico» imposto aos rivais garantiu pontos preciosos em casa.

    Financeiramente, a conta pode ser alta, mas o custo do rebaixamento ou da mediocridade seria muito maior. Neymar trouxe patrocinadores, lotou estádios em jogos fora de casa e recolocou o Santos nas manchetes internacionais.

    Portanto, chamar Neymar de «salvação» não é exagero poético; é uma constatação pragmática. Sem ele, o Santos de 2025 seria um time à deriva, lutando para sobreviver às suas próprias limitações. Com ele, o clube reencontrou o seu orgulho e, mais importante, o caminho do gol. Neymar provou que, mesmo longe do auge físico, o talento de um gênio ainda é a moeda mais valiosa do futebol brasileiro.

  • Vitor Roque em 2025: por que o atacante do Palmeiras chega forte para 2026  

    Vitor Roque em 2025: por que o atacante do Palmeiras chega forte para 2026  

    Temporada de afirmação de Vitor Roque no Palmeiras  

    Há alguns artigos eu já falava sobre a ascensão de Vitor Roque e o futuro dele no Palmeiras. Mas, observando o jovem atacante nas últimas rodadas da temporada de 2025, ficou nítido para o palmeirense que ele não só está feliz no Verdão, como também quer continuar vestindo essa camisa.

    Com paciência e trabalho, Vitor Roque superou as dúvidas iniciais e, no segundo semestre, se consagrou como um dos jogadores mais importantes do elenco alviverde.

    O resultado dessa evolução foi expressivo. Vitor encerrou a temporada com 20 gols no total, sendo 16 apenas no Campeonato Brasileiro, terminando como artilheiro do Palmeiras na competição. Foi peça fundamental na campanha que levou o clube ao vice-campeonato brasileiro.

    É claro que o vice deixa um gosto amargo no torcedor e também ficou evidente que Vitor Roque queria mais. Muito mais. Mesmo sem títulos em 2025, o Palmeiras esteve presente nas fases decisivas dos principais torneios, e muito disso passou pelos pés do camisa 9.

    Vitor Roque na Seleção Brasileira e o carinho da torcida  

    Não à toa, as boas atuações renderam a Vitor Roque uma nova oportunidade na Seleção Brasileira, em jogos amistosos.

    A consistência apresentada ao longo da temporada transformou o atacante em um dos jogadores mais confiáveis do elenco e em verdadeiro xodó da torcida,  algo impressionante para um atleta de apenas 20 anos. (Reparem só a carinha dele cantando o hino: “ôh meu Palmeiras, meu Palmeiras, meu Palmeiras…”).

    Prêmios individuais de Vitor Roque em 2025  

    As atuações de Vitor Roque em 2025 não resultaram apenas em elogios da torcida e da comissão técnica. Elas vieram acompanhadas de reconhecimento individual.

    Em sua primeira temporada com a camisa alviverde, o atacante disputou 56 jogos, marcou 20 gols e distribuiu entre 3 e 5 assistências.

    Entre os principais destaques:

    • Prêmio Bola de Prata 2025 (ESPN)
    • Seleção do Brasileirão 2025
    • Indicação ao prêmio Rei da América

    Vale ressaltar que, mesmo concorrendo com nomes de peso internacional, como: Messi. Vitor Roque aparece como um dos favoritos ao Rei da América, segundo a mídia especializada. Isso mostra que seu brilho ultrapassou as fronteiras do futebol brasileiro em 2025.

    Ao posar nas redes sociais com seus troféus individuais, Vitor não deixou de agradecer ao clube e aos companheiros:

    “Também agradeço pelos prêmios individuais que conquistei ao longo do ano. Eles significam muito, mas nada disso seria possível sem meus companheiros.”

    A humildade em dividir os méritos com o grupo só reforça sua imagem de jogador coletivo e positivo dentro do elenco.

    Futuro de Vitor Roque: permanência no Palmeiras e foco em 2026  

    Após o fim da temporada, surgiram especulações sobre o futuro de Vitor Roque. O desempenho em 2025 colocou o atacante no radar de clubes europeus,  como já comentado em outros artigos, e até de sondagens do futebol saudita.

    Apesar disso, uma saída não está nos planos imediatos. O Palmeiras fez a maior contratação da história do futebol brasileiro para contar com Vitor Roque e não tem interesse em negociá-lo tão cedo. Do lado do jogador, a postura é clara.

    Mesmo diante de propostas acima de 40 milhões de euros, o Tigrinho reafirmou seu compromisso com o Verdão:

    “Estou muito feliz no Palmeiras… meu desejo é ficar. Tenho contrato por bastante tempo e estou totalmente focado aqui.”

    Em mensagem à torcida, Vitor Roque deixou claro que o foco já está em 2026 e na busca pelos títulos que escaparam em 2025:

    “2026 está chegando, e tenho certeza de que vamos melhorar ainda mais. Vamos trabalhar forte para buscar títulos importantes juntos. AVANTI PALESTRA.”

    O que esperar de Vitor Roque no Palmeiras em 2026  

    Para a temporada de 2026, a expectativa é que Vitor Roque consolide de vez seu status de protagonista do Palmeiras. Sem a necessidade de adaptação, ele deve iniciar o ano já entrosado, confiante e liderando o ataque desde os primeiros jogos.

    O desempenho no segundo semestre de 2025 mostrou do que ele é capaz: gols em jogos grandes, participação ofensiva constante e muita entrega dentro de campo. Mantendo essa evolução, Vitor tem tudo para brigar pela artilharia e ser decisivo na busca por títulos.

    O ano de 2025 foi de afirmação. Começou com desconfiança, mas terminou com prêmios, reconhecimento e status de ídolo emergente no Allianz Parque.

    Com apenas 20 anos, Vitor Roque já demonstra personalidade, maturidade e fome de conquista. Para o torcedor palmeirense, fica a certeza: com Vitor Roque no comando do ataque, 2026 promete fortes emoções e, quem sabe, as taças que faltaram nesta temporada. 

  • O futebol está a ficar aborrecido. E não é só nostalgia.

    O futebol está a ficar aborrecido. E não é só nostalgia.

    O futebol, hoje, está uma seca.
    Não sei se é a nostalgia a falar ou se é mesmo a realidade a impor se, mas a verdade é que algo se perdeu pelo caminho. Esta semana estava a dar um Real Madrid vs Manchester City e, por incrível que pareça, não me despertou grande interesse. Estamos a falar de um dos maiores jogos do futebol atual e mesmo assim passou me quase ao lado.

    Pouco depois, descubro que estava a haver um Flamengo vs Pyramids para a Taça Intercontinental. Taça Intercontinental? E o PSG só entra diretamente na final? Confesso que pensei que essa competição já tinha sido substituída ou simplesmente deixado de existir. E talvez esta confusão diga mais sobre o futebol moderno do que sobre mim.

    A FIFA está a destruir o futebol.
    E não, não é por mal. É por excesso e por falta de critério.

    Vivemos numa era em que o futebol já não compete apenas com outros desportos. A verdadeira concorrência é o entretenimento em geral: Netflix, TikTok, vídeos curtos, consumo rápido. Tudo disputa a nossa atenção. Mas a resposta encontrada foi empilhar jogos, competições e formatos novos, como se quantidade pudesse substituir significado. O que estão a fazer é, no mínimo, criminoso.

    O novo formato da Liga dos Campeões é o melhor exemplo disso. É uma porcaria. A desvalorização dos grandes jogos é evidente. Quando há grandes jogos constantemente, eles deixam de ser especiais. Perdem peso, perdem urgência, perdem contexto. Esta fase de liga permite que equipas gigantes façam apenas o mínimo necessário para seguir em frente. Não há drama, não há medo de falhar. Vemos rotações constantes na maior competição de clubes do mundo, algo que simplesmente não faz sentido.

    Tenho saudades dos grupos de quatro. Da ida e da volta. Da regra dos golos fora nas eliminatórias. Sim, especialmente dessa regra. Não era perfeita, mas ajudava os mais pequenos, criava estratégia, tensão, noites memoráveis. Fazia nos vibrar.

    Depois entramos no absurdo das competições globais. Faz sentido existir uma Taça Intercontinental. Faz sentido existir um Mundial de Clubes. O problema é ninguém perceber qual é qual, nem o que realmente está em jogo. Não é o mesmo título? Não devia ser. Mas hoje parece tudo diluído, sem identidade, sem narrativa. Há um Mundial de Clubes de quatro em quatro anos e, mesmo assim, mantém se uma Intercontinental que, na Europa, quase ninguém valoriza ou sequer acompanha. O futebol está inchado, confuso e sem hierarquia clara.

    Este modelo também está a afastar as pessoas do futebol como um todo. Cada vez mais adeptos acompanham apenas o seu clube do coração, muitos deles exclusivamente pela televisão. O resto do futebol transforma se num produto global vendido em massa para mercados gigantes, como a Índia, onde se consome o futebol europeu como entretenimento, mas onde pouco se vive aquilo que ele realmente é. Estádios, rivalidades, contexto histórico e cultura de adepto passam para segundo plano.

    Em Portugal, sofremos do mesmo mal. Temos uma Taça da Liga que nunca encontrou verdadeiramente o seu propósito. Só a Inglaterra conseguiu tornar uma taça da liga funcional e respeitada. Cá, parece existir apenas para imitar modelos estrangeiros e servir patrocinadores. As torcidas organizadas boicotam, os estádios ficam vazios, e há até rumores de clubes que preferem perder para evitar um calendário ainda mais sobrecarregado em janeiro. Isto não é futebol saudável. Isto é gestão de produto disfarçada de competição.

    Mas o problema do futebol moderno não é só dentro das quatro linhas. É também fora delas. Em vez de apostar seriamente em como ter claques com segurança nos estádios, em como permitir consumo de álcool de forma responsável, em como valorizar o espetáculo criado pelos adeptos com segurança e organização, prefere se reprimir, proibir e afastar. As subculturas do futebol, as claques, os cânticos, as coreografias, a identidade popular, são tratadas como um problema, quando sempre foram parte da solução. Sem isso, o futebol perde alma.

    Vivemos também na era das super equipas. Clubes empresa. Grupos com várias equipas espalhadas pelo mundo. Houve um tempo em que quase todos os clubes tinham jogadores fora de série. Hoje, os dez maiores clubes do mundo têm dois plantéis cheios deles. E, honestamente, perde a graça. O imprevisível desaparece.

    Tenho saudades de ver um Deportivo a brilhar em Espanha. Um Boavista a dar trabalho sério aos grandes em Portugal. Um Wolfsburg, Estugarda ou um Werder Bremen campeões na Alemanha. Uma liga francesa com um Marselha, um Lyon ou um Saint Étienne de volta aos velhos tempos, a discutir títulos frente a um PSG petrolífero. O futebol precisa de anomalias, de histórias improváveis, de resistência. Precisa de falhar ao controlo absoluto.

    Curiosamente, acabei de ver um Corinthians vs Cruzeiro, para a meia final da Taça do Brasil, e foi aí que voltei a sentir alguma coisa. Um jogo menos tático, mais trapalhão, cheio de duelos no um para um, bolas na trave, emoção crua. E, acima de tudo, um público incrível. Um ambiente vivo, intenso, genuíno.

    Talvez não seja o futebol europeu que esteja errado.
    Talvez seja a forma como o estamos a transformar num produto demasiado polido, demasiado controlado, demasiado distante das pessoas.

    Eu sei que a FIFA não me ouve. Mas se continuarmos a aceitar tudo isto sem questionar, um dia vamos acordar e perceber que o futebol que nos fez apaixonar já não existe. E quando isso acontece, não há formato novo que o salve.

  • A discussão da Taça da Liga e a ilusão ibérica

    A discussão da Taça da Liga e a ilusão ibérica

    A discussão levantada na recente Cimeira de Presidentes sobre a extinção da Taça da Liga não deve ser vista, de forma simplista, como um ato de arrogância dos clubes grandes. Pelo contrário, trata-se de um grito de sobrevivência em meio a um calendário que perdeu qualquer contato com a realidade fisiológica dos atletas. A proposta de acabar com a competição, defendida por Benfica e FC Porto, é a única saída racional para um futebol português que está a sufocar sob o peso de jogos irrelevantes e lesões acumuladas.

    Defender a permanência da Taça da Liga no formato atual é ignorar a matemática do desgaste. Com o inchaço das competições europeias promovido pela UEFA e o novo formato do Mundial de Clubes da FIFA, não há mais datas disponíveis.

    Manter um torneio que, sejamos honestos, oferece prêmios financeiros irrisórios se comparados aos custos operacionais e ao risco de perder jogadores importantes por lesão, é um erro estratégico.

    A competição tornou-se um fardo para todos: para os grandes, que precisam rodar o elenco e desvalorizam o produto, e para os menores, que muitas vezes pagam para jogar, sem o retorno de visibilidade prometido em fases preliminares arrastadas.

    A saturação mata o espetáculo

    O argumento de que a extinção fere a democracia do futebol cai por terra quando analisamos a qualidade do jogo. Um calendário saturado resulta em partidas de baixo nível técnico, com atletas exaustos e times desfigurados. A verdadeira defesa do futebol português passa por valorizar o Campeonato e a Taça de Portugal, garantindo que estas competições tenham os melhores jogadores em campo, nas suas melhores condições físicas.

    A Taça da Liga, criada para preencher lacunas de calendário que já não existem, cumpriu o seu papel, mas hoje é um obstáculo à excelência. Insistir na sua continuidade é prezar pela quantidade em detrimento da qualidade, uma lógica que transformou o mês de janeiro em uma maratona absurda que, ao final, não traz benefício estrutural real para nenhum clube, seja ele de topo ou de meio de tabela.

    A verdadeira elitização: a ameaça espanhola

    Se há elitismo e ganância nesta história, eles não residem no pedido de extinção da prova, mas sim nas alternativas «criativas» que foram ventiladas nos bastidores recentemente. A proposta de transformar a Final Four numa espécie de «Taça Ibérica», convidando clubes espanhóis para disputar o troféu em solo português, é o verdadeiro atentado à integridade do nosso esporte.

    Essa ideia, que visa apenas gerar receitas televisivas artificiais e agradar a patrocinadores, é a prova cabal de que o dinheiro estava a tentar sequestrar a identidade do futebol nacional. Trazer o Real Madrid ou o Barcelona para «salvar» a Taça da Liga seria admitir que o futebol português não se sustenta sozinho. Isso sim seria elitização: criar um torneio de exibição para uma plateia VIP, ignorando o mérito esportivo local em prol de um show business internacionalizado.

    Portanto, acabar com a Taça da Liga não é um ato de egoísmo; é um ato de saneamento. O futebol português precisa de menos jogos para ter melhores jogos. É hora de deixar a competição ir, fechando a porta a invenções ibéricas que serviriam apenas para encher os bolsos de organizadores, enquanto os jogadores portugueses continuariam a pagar a conta com a própria saúde.

  • Ninguém está acima do clube

    Ninguém está acima do clube

    Está complicado para os lados de Merseyside. O Liverpool vive uma época turbulenta, com problemas de resultados, exibições pouco convincentes e um clima de instabilidade que se tem refletido dentro de campo. Uma equipa nervosa, longe da imagem dominante de outros anos, e que parece constantemente à beira de explodir.

    E é neste contexto que surge algo ainda mais perigoso: uma crise interna exposta em público pela sua maior estrela.

    Mohamed Salah fez o impensável. Criticou o treinador publicamente, rasgou Arne Slot sem rodeios e questionou decisões técnicas, sobretudo o facto de estar no banco. Nas suas declarações, longas, carregadas e pouco contidas, o egípcio apontou o dedo à liderança técnica, queixou-se de promessas incumpridas pelo clube e acusou o Liverpool de o querer transformar num bode expiatório para os maus resultados recentes.

    O Liverpool já dava sinais claros de instabilidade dentro de campo. De repente, a intervenção volátil do melhor jogador do clube neste século ameaça algo bem mais grave: implodir o Liverpool por dentro.

    Como é que um profissional de topo, uma estrela mundial, o melhor jogador da Premier League na época passada, se permite a este tipo de declarações? Ainda por cima alguém que sempre se mostrou reservado, pouco dado a entrevistas, quase sempre com um ar recatado e controlado.

    Muito se fala, e aqui entramos no campo dos boatos, sobre relações frias no balneário ou episódios antigos com colegas, como aconteceu no passado com Sadio Mané. Verdade ou não, isso é secundário. O essencial é simples: uma figura maior de um clube não pode expor um conflito interno desta forma.

    Se Salah está a ser queimado ou não, ninguém sabe. Se foi injustiçado, também não há resposta clara. Mas independentemente disso, não é assim que se aborda um problema. Não se cria ainda mais crise num gigante que já vive uma época difícil, que começou como candidato ao título e hoje atravessa uma temporada francamente dececionante.

    Não é por acaso que as críticas não vêm apenas de adeptos ou comentadores ocasionais. Figuras históricas do futebol também apontaram o dedo à postura de Salah. Marco van Basten foi particularmente duro, afirmando que se esta é a reação de um jogador por ir para o banco, então algo está profundamente errado. Thierry Henry, por sua vez, foi mais pedagógico, mas não menos claro. Disse que nunca se expõem problemas pessoais quando a equipa está em dificuldades, que essas conversas são para o balneário ou para o gabinete do treinador, nunca para a imprensa. E deu exemplos da sua própria carreira, em que foi afastado, ficou na bancada e resolveu tudo internamente, sem fazer disso um espetáculo público.

    E numa coisa ambos têm razão: quem faz este tipo de birra merece, de facto, ficar no banco. Não como castigo, mas como afirmação de princípios. Porque o futebol profissional vive de hierarquias, respeito e responsabilidade.

    Há uma regra básica no futebol que não pode ser negociável. Ninguém está acima do clube. Nem Messi no Barcelona, nem Cristiano Ronaldo no Real Madrid, nem Ferguson no Manchester United, nem Pinto da Costa no FC Porto, nem Eusébio no Benfica, nem Zico no Flamengo. Isso não existe. O clube é para sempre. As pessoas passam. O Santos é maior do que Pelé e disso não tenham dúvidas.

    Importa também dizê-lo com justiça. Mohamed Salah continua a ser o Rei do Egipto. Uma lenda absoluta e um dos melhores jogadores africanos de todos os tempos, se não o melhor. O seu estatuto vai muito além do Liverpool e isso ficou claro quando vários colegas da seleção egípcia vieram apoiá-lo publicamente nas redes sociais. Esse apoio mostra o peso que Salah tem enquanto líder e símbolo de um país inteiro. Explica a dimensão do jogador, mas não justifica a forma como escolheu expor este conflito.

    O que mais custa é ver uma lenda a perder assim a sua imagem. Porque os adeptos, que são quem realmente importa, já falaram. E foram claros. Apoiaram Arne Slot. E ainda bem. Ingratidão é algo feio e Salah está a ser ingrato para com o clube que lhe deu tudo.

    Nesta relação entre clube e jogador, quem mais ganhou foi claramente o jogador. Em títulos, estatuto, reconhecimento e legado. Por isso, exige-se respeito. No meu clube, sinceramente, já não o queria. Não pelo talento, que é indiscutível, mas porque não mostrou os valores básicos que se exigem a uma figura maior de um clube como o Liverpool.

    Jamie Carragher esteve certíssimo. Não foi metade do jogador que Salah é, mas foi muito mais importante para o Liverpool. Esteve nos momentos baixos, não apenas nos tempos altos. Isso conta. Muito.

    Para mim, Salah foi uma desilusão neste momento. Nada apaga o jogador extraordinário que é, mas como pessoa deixou a sensação de alguém que pensa mais em si do que no emblema que representa. Claro que o contexto importa e que nos guiamos apenas pelo que vemos. Mas seja qual for a razão, não se queima um clube desta forma.

    Se quiser ir para a Arábia, que vá. Mas custa ver uma lenda estragar assim a sua própria imagem.

    Como escreveu Christopher Nolan no filme The Dark Knight:
    “You either die a hero, or live long enough to see yourself become the villain.”
    Ou morres como um herói, ou vives tempo suficiente para te tornares o vilão.

    Jogadores passam. Treinadores passam. O clube é eterno!

  • Frutos de investimento! Não foi por acaso que Portugal venceu o Mundial Sub-17

    Frutos de investimento! Não foi por acaso que Portugal venceu o Mundial Sub-17

    Em um desfecho que ecoou a excelência da formação europeia, Portugal conquistou o seu primeiro título de campeão do mundo na categoria sub-17. A vitória no Catar não é apenas mais um troféu na estante da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), mas sim um manifesto sobre o poder da estrutura e da continuidade em um desporto cada vez mais dependente do planeamento de longo prazo.

    A conquista lusa, alcançada por uma geração forjada em bases sólidas (com atletas oriundos em grande parte dos centros de excelência de Benfica, Braga e Porto – também um do Sporting e dois do Vitória), prova que a qualidade e a repetição de um método superam a dependência do talento cru e esporádico.

    A vitória do «processo» e não apenas do talento

    O sucesso português na base não é acidental. É o resultado de um investimento contínuo em infraestrutura, metodologia de treino e, crucialmente, na formação de treinadores de base. Conforme reiterado pelo próprio Presidente da FPF, Pedro Proença, a vitória é a prova de que o foco estava no «processo» e na «disciplina tática», e não apenas na habilidade individual de uma ou duas estrelas.

    Créditos: Simon Holmes/Getty Images

    O sistema português garante que os jovens atletas não apenas desenvolvam técnica, mas também atinjam uma maturidade tática e mental que lhes permite atuar sob pressão máxima em torneios internacionais. A capacidade de adaptação demonstrada pela equipa no Catar, mesmo enfrentando diferentes estilos de jogo, atesta o sucesso dessa visão integral. Eles chegam aos 17 anos como jogadores, e não apenas como apenas promessas.

    O espelho que revela o problema na base brasileira

    A realidade do Brasil, o maior exportador de talentos do mundo, contrasta drasticamente. Embora o Brasil seja a fonte inesgotável de craques, a gestão brasileiras é marcada pela instabilidade. Muitos clubes do Brasileirão ainda veem a base unicamente como um ativo financeiro de giro rápido. O objetivo primário é vender o garoto prodígio o mais cedo possível para aliviar o caixa, frequentemente interrompendo o seu desenvolvimento tático e emocional e deixando-o sair cedo demais.

    A ausência de uma filosofia de jogo unificada, a troca constante de coordenadores e treinadores nas categorias de base e a falta de paciência com a maturação dos atletas são fatores que prejudicam a nossa competitividade em categorias juvenis. O talento brasileiro é inegável, mas a estrutura portuguesa garante que esse talento seja canalizado para o sucesso coletivo e o resultado final. Onde o Brasil tem o dom, Portugal tem o mapa.

    Créditos: FPF

    A lição para a consistência e o exemplo de Abel Ferreira

    A lição que a conquista sub-17 de Portugal oferece ao futebol brasileiro é clara: a consistência é a única rota para o domínio sustentável. O trabalho de Abel Ferreira no Palmeiras, que o levou a ser o treinador mais vitorioso da história do clube, ecoa essa mesma mentalidade: foco na metodologia, valorização da comissão técnica e exigência de um padrão de trabalho que não muda a cada derrota.

    Enquanto a Europa, e agora Portugal no cenário de base, investe em continuidade metodológica, o Brasil segue refém do imediatismo e do ciclo vicioso de desinvestimento na base e de trocas incessantes no comando. O título sub-17 português não é apenas um feito desportivo, é a prova de que, para reverter a tendência de sermos apenas formadores de commodities para o mercado europeu, precisamos urgentemente priorizar o processo, o método e a paciência sobre a venda e o lucro imediato. O sucesso é planeado, e Portugal deu-nos a prova final disso!

  • Portugal vai ver a Copa do Mundo de graça

    Portugal vai ver a Copa do Mundo de graça

    Boas notícias para Portugal: por cá vamos poder ver a Copa do Mundo de forma gratuita!

    É verdade, nós por cá não estamos habituados a isto, mas a LiveModeTV, plataforma recente e que eu desconhecia, vai transmitir os jogos de Portugal na Copa do Mundo e ainda o melhor jogo do dia, no YouTube, sem qualquer custo.

    Pelos vistos, a plataforma é da mesma empresa da CazeTV, algo que os meus leitores brasileiros devem conhecer bem.

    Em Portugal transmissões gratuitas dos jogos não é costume. Por cá temos de pagar a DAZN, Sport TV e BTV, para quem for benfiquista. Os preços são altos, bastante altos até.

    Só no Mundial de Clubes é que tivemos futebol de graça e é uma iniciativa que a mim, como consumidor, me agrada bastante, obviamente.

    Acho que o futuro das transmissões passará por aqui, com anúncios e patrocinadores à mistura, mas sem custos para o adepto. Prova disso é o aumento significativo das TV pirata.

    A Sport TV custa 30 euros e a DAZN 18 euros e a BTV custa entre 10 a 12 euros. Ou seja, quem quiser as três (a última é só para jogos do Benfica em casa) paga quase 50 euros. É natural que se opte por opções piratas porque são mais baratas por ano.

    O consumidor já não quer ter de pagar tanto dinheiro para ver futebol, por isso é que opções gratuitas, mesmo com anúncios e outras publicidades, são as melhores soluções para o futuro do streaming.

    Ou os grandes e tradicionais operadores se reinventam, ou vão todos no mesmo barco rumo a menos receitas. Por muito que tentem combater a pirataria, que é algo errado e ilegal, esta vai sempre prevalecer enquanto o serviço não for melhorado e o preço mais baixo.

    Portanto, esta iniciativa da LiveModeTV pode trazer efeitos positivos para o futebol português e demais receitas. Veremos.