O fecho do mercado de transferências levou-me a recordar algumas movimentações desta janela de verão europeia e há um nome que não me sai da cabeça: João Félix. Sempre gostei do miúdo, devo ser dos poucos crentes que achava até há um mês que ainda ia cumprir todo o potencial que lhe foi atribuído em 2019, quando conquistou o Golden Boy. Por isso, e sobretudo enquanto português, fiquei triste quando o vi a ir para a Arábia Saudita, como fiquei com todos os portugueses que para lá foram… enfim, o dinheiro!
Mas o caso de João Félix, daqueles que parecem quase enigmáticos no futebol, fez-me revisitar a carreira dele e apercebi-me que os últimos dois anos foram de loucos para o talentoso atacante.
Vamos por partes para ser mais fácil, com um bocadinho de contexto. Em janeiro de 2023, após um período conturbado no Atlético Madrid, é emprestado ao Chelsea, sem sucesso. Segue-se novo empréstimo ao Barcelona no verão de 2023, com algum impacto, mas abaixo do esperado. Um ano depois, é transferido a título definitivo para o Chelsea. Se eu fosse o Carlo Ancelotti, franzia a sobrancelha, mas como não sou, estranhei apenas. O tempo provou-me certo e em janeiro de 2025 foi emprestado ao AC Milan, onde encontrou Sérgio Conceição. Pensei que com o treinador feroz, no bom sentido, que é Conceição, que fosse o casamento perfeito, mas o divórcio foi assinado no final da época.
Bem, vamos respirar um pouco que isto foi muita informação. Imagine-se para um futebolista, não é?
Ok, mais tranquilos? Prossigamos. João Félix depara-se no verão com uma situação complicada. Não, não estou a falar das férias, das saídas à noite, ou das discussões com pessoas aleatórias junto a discotecas. Mas sim do regresso ao Benfica. Parecia tudo encaminhado, finalmente voltar a casa! Será que ia relançar a carreira? Que espetáculo!
Ups, não.
Eis que, passados pouco mais de dois (!) anos desde o primeiro empréstimo ao Chelsea, João Félix atende a chamada de Cristiano Ronaldo e assina, a título definitivo, pelo Al Nassr.
Que treta! Mas a reflexão deste fatídico artigo de opinião é a seguinte: como é que um jogador cuja carreira já estava instável iria reerguer-se com quatro passagens por três clubes diferentes, em três países distintos?
O que vai na cabeça destes jogadores ou, pior, na de quem os aconselha? Ou então, o ideal mesmo é ir atrás do dinheiro. Sim, porque o Atlético Madrid já não pagava pouco a Félix… e certamente que o Chelsea ainda mais pagou!
Pois bem, se este era o principal fator motivacional do avançado, agora está que nem o tio patinhas: a repousar numa cama com os milhões e milhões e milhões e milhões de euros que recebe na Arábia Saudita. Pessoalmente, parece-me que desistiu. Já não é aquele miúdo que se emocionou a vestir a camisola do Barcelona, ou que chorou após fazer um hat-trick pelo Benfica na Liga Europa.
Desejo-lhe o melhor, porém, ainda tenho uma camisola do Atlético de Madrid com o seu nome.
Quando saiu a notícia da convocação de Andreas Pereira para a Seleção Brasileira, o coração palmeirense bateu mais forte. Senti uma mistura de orgulho, alívio e expectativa. Orgulho por ver um jogador do nosso elenco ganhar o reconhecimento merecido. Alívio por saber que sua chegada ao Verdão foi uma escolha acertada. Expectativa pelo futuro, porque essa convocação não é apenas uma vitória pessoal do atleta é também uma vitória do Palmeiras.
Andreas não é promessa. É um jogador experiente, calejado da Europa, com altos e baixos, mas sempre sob os holofotes. Veio do Fulham, acostumado à pressão e à visibilidade. Aqui, ganhou a camisa 8, número carregado de história: de Leivinha, que brilhou na Academia dos anos 70, ao mais recente Richard Ríos, que conquistou a torcida com raça e talento. Não é qualquer número. É símbolo de responsabilidade e tradição. E Andreas já deixou claro: o Palmeiras é vitrine para a Seleção.
Essa convocação confirma o que a torcida já sabia: quando o Palmeiras decide contratar, raramente erra. Busca jogadores que unem talento, experiência e vontade de vestir o manto. Andreas quis vir, se identificou de imediato, disse ter sentido o carinho e a segurança que o clube ofereceu para ele e sua família. Isso faz diferença.
E em tão pouco tempo, já está colhendo frutos. Sua convocação prova que o Verdão mantém seus jogadores em forma, dá visibilidade e disputa competições de peso. É o ciclo perfeito: desempenho, consistência e vitrine. E é por isso que as portas da Seleção se abrem.
O que esperamos agora? Que Andreas siga convocado, para Eliminatórias, para Copa do Mundo, para o que vier. Que cada gol, assistência e liderança dele aqui ultrapasse além das nossas fronteiras. Porque, quando ele veste a amarelinha da Seleção, também carrega o verde do Palmeiras em cada jogada.
Essa convocação valida a contratação, reforça a imagem do clube no cenário nacional e mostra que nossos jogadores têm espaço para brilhar em qualquer lugar. Para nós, torcedoras e torcedores do Verdão, é mais do que uma boa notícia: é motivo de orgulho.
Em 2006, três seleções de língua portuguesa estiveram na Copa da Alemanha: Portugal, Brasil e Angola. Vinte anos depois, podemos voltar a ter um trio lusófono na maior prova desportiva do planeta. Cabo Verde está a um passo de um feito histórico: a qualificação para a Copa de 2026.
Se conseguir, os Tubarões Azuis se tornarão o segundo menor país da história a disputar uma Copa. O recorde continua a pertencer à Islândia (2018), com cerca de 340 mil habitantes. Cabo Verde, com pouco mais de 600 mil, ficaria logo atrás.
Talento natural, condições limitadas
A comparação com a Islândia é inevitável. Os islandeses chegaram à Copa graças a um investimento massivo em infraestruturas e formação: quase toda localização possui campos modernos e a maioria dos treinadores possui licenças UEFA.
Cabo Verde, pelo contrário, vive com condições muito limitadas. A realidade do país é marcada pela emigração: o talento nasce nas ilhas, mas cedo parte em busca de melhores oportunidades, sobretudo para Portugal, pela ligação cultural e linguística. Resultado? A seleção cabo-verdiana depende fortemente da diáspora.
Jogadores nascidos ou formados na Europa são a espinha dorsal da equipe. Muitos, como Nani, Gelson Martins, Eliseu, Rolando ou Manuel Fernandes, acabaram por escolher representar outras bandeiras. Mas o fato de existirem tantos nomes de topo com raízes cabo-verdianas prova a riqueza natural do talento do arquipélago.
O caso insólito do LinkedIn
Um dos exemplos mais caricatos da diáspora é Roberto “Pico” Lopes, zangueiro do Shamrock Rovers, nascido em Dublin. A história parece anedota: quase perdeu a oportunidade de representar Cabo Verde porque ignorou uma mensagem em português do então técnico da seleção Rui Águas… no LinkedIn. Só respondeu quando recebeu nova mensagem em inglês.Hoje é peça-chave da defesa e já participou no CAN 2021 e 2023. O episódio mostra até que ponto a Federação tem sido criativa e determinada para não desperdiçar talento espalhado pelo mundo.
Vitória histórica sobre os Camarões
A confirmação da maturidade desta geração chegou no último jogo: vitória por 1-0 sobre os Camarões, um dos gigantes do futebol africano. O gol de Dailon Livramento provocou uma explosão popular, com invasão de campo e festa pelas ruas de Santiago.
Agora faltam apenas dois jogos – contra a Líbia, em Trípoli, e contra o Essuatíni, em casa – para concretizar o sonho. Três pontos separam Cabo Verde na Copa 2026.
O peso do sonho
Para os cabo-verdianos, esta qualificação teria um valor incalculável. Se para portugueses e brasileiros estar numa Copa é uma espécie de obrigação, para Cabo Verde seria como levantar o troféu. Tenho amigos cabo-verdianos e sei bem a loucura e orgulho que atravessa a comunidade neste momento.
Por isso, torço por eles. Claro que quero ver Portugal campeão, com os “irmãos chatos” do Brasil sempre a lutar pelo título. Mas confesso: se Cabo Verde marcar presença no Mundial 2026, vai ganhar mais um adepto apaixonado – eu.
Rodrigo Mora tem apenas 18 anos e só na temporada passada estreou pela equipe principal do FC Porto. Porém, no início da atual temporada teve uma oportunidade de ser transferido para a Arábia Saudita, o que não se consumou. O motivo não interessa. Em sentido contrário, Roger Fernandes, de 19 anos, trocou o Braga pelo Al Ittihad, o mesmo clube que queria contratar Mora. Com muita pena minha, confesso.
A realidade é que já não tenho paciência e, sinceramente, não quero bem saber da Arábia Saudita e dos milhões que oferecem a jogadores. Tirando Cristiano Ronaldo e mais um ou outro exemplo, parece que todos vão para lá apenas para ganhar um bom dinheiro e regressar ao futebol a sério passado dois anos! E ainda bem, ao menos que seja assim.
Mas a ida precoce de um jovem talento para a Arábia me deixa frustrado, não vou mentir. Roger Fernandes estreou pelo time principal do Braga aos 15 anos e, desde aí, foi sempre evoluindo, tendo captado atenção de clubes da Premier League, por exemplo. Com o mundo do futebol aos seus pés, um talento incrível e uma ética de trabalho, aparentemente, boa, por que ir já para o Médio Oriente?
Eu entendo que o dinheiro fala alto, sobretudo para quem veio de uma família pobre da Guiné Bissau. Mas para um jovem de 19 anos, faz assim tanta diferença receber 10 milhões de euros por época na Arábia Saudita, ou 4 milhões noutra liga qualquer de topo? Ou até em Portugal? A ambição desportiva não existe? Ou Roger acha que vai-se tornar o mesmo jogador a competir numa liga de baixo nível (sim, não concordo com CR7) do que iria se continuasse na Europa?
Já Rodrigo Mora acabou por não ir. O motivo não sabemos, não penso que tenha sido o jogador a recusar… mas quero acreditar que sim, pelo bem do futebol. Fiquei feliz! É, talvez, o maior talento que Portugal tem neste momento, e desperdiçar o início da evolução profissional com 18 (!) anos na Arábia Saudita seria um crime.
Mas eu disse que não tinha paciência para os milhões sauditas. É verdade. Também é verdade que, com todo o respeito, não quero bem saber das carreiras individuais dos jogadores. Calma, isto não é um contrassenso. Passo a explicar o porquê deste artigo de opinião preenchido por críticas.
A mim importa-me bastante o futuro da seleção portuguesa. E quando penso nisso há três nomes que me saltam à vista: Quenda, que vai para o Chelsea; Roger Fernandes, nas arábias, e Rodrigo Mora. Ter dois dos três maiores jovens talentos na Arábia ia-me partir o coração.
Não acredito que iriam atingir o mesmo nível enquanto futebolistas e ninguém me faz acreditar que o João Félix ou o João Cancelo sejam os mesmos jogadores de quando estavam no topo da Europa.
Por isso, e com a seleção em mente, obrigado Rodrigo Mora. Que Roger Fernandes apenas vá para a Arábia de férias uma época.
Na presidência do Palmeiras desde 2021, Leila Pereira foi eleita a 40ª presidente do Palmeiras, a primeira mulher a ocupar o cargo em mais de 100 anos de história. Ela personifica paixão e a ambição da torcida! Desde que assumiu tem cumprido a promessa de “pintar o mundo de verde”, levando o clube a uma era de grandes conquistas e mudanças.
A sua trajetória de sucesso no mundo empresarial, fez com que ela se transformasse em uma dirigente que une competência administrativa, amor pelo clube e a se tornar símbolo de força feminina que ultrapassa as quatro linhas.
Em entrevista, Leila comentou que a ideia de patrocinar o clube veio numa conversa descontraída com o marido, que é palmeirense, num momento em que o verdão estava passando por uma crise financeira e sem patrocínio, o marido até chegou a dizer coisas como: “deve ser muito caro” ou “deve dar muito trabalho”. E mesmo assim ela insistiu dizendo que era possível, e foi então que em 2015 a Crefisa e FAM passaram a patrocinar o clube, injetando recursos que tirariam o Palmeiras de uma fase conturbada e colocaria novamente o time no caminho dos títulos.
Nos dois primeiros anos de gestão, ela se tornou a primeira presidente palmeirense a conquistar seis títulos em apenas duas temporadas, incluindo troféus de peso como a Recopa Sul-Americana (2022), o bicampeonato paulista (2022-2023), o bicampeonato brasileiro (2022-2023) e a Supercopa do Brasil (2023). Ao todo, a era Leila já contabiliza 33 títulos somando as categorias profissionais e de base, um balanço impressionante que a própria imprensa registra conforme ela entra em seu segundo mandato.
Sob sua liderança, o Palmeiras se tornou referência de administração no futebol brasileiro, com finanças sólidas em 2024, o clube atingiu receita recorde acima de R$ 1,2 bilhão, algo inimaginável em outros tempos.
Representatividade feminina e enfrentamento do machismo no futebol.
Quando observamos o mundo em que vivemos, conseguimos facilmente identificar quem são chefes de estados, políticas, empresas e principalmente de clubes de futebol, a presidente Leila Pereira marca o impacto de uma mulher no posto mais alto de um clube gigante como o Palmeiras. Em um esporte historicamente dominado por homens, ela chega quebrando uma barreira como a única mulher presidente entre os 20 clubes da Série A do Brasileirão. Ela já falou algumas vezes como é solitário ser a única mulher em mesas de reuniões na CBF, Federação Paulista ou em outras ligas e também afirmou com todas as letras “Nós, mulheres, não queremos privilégio, queremos oportunidade de mostrar competência nesse mundo do futebol, que é tão masculino… Não pode ser normal ter uma só mulher à frente de um grande clube na América do Sul”.
Declarações como essa, dadas em entrevistas e coletivas, conectam a gestão Leila a pautas feministas mais amplas, evidenciando o machismo ainda presente no esporte e reivindicando mudança. Leila por vezes sente na pele uma análise diferente por ser mulher. Em entrevista, desabafou sobre a percepção injusta: “Quando o Palmeiras perde, a responsável é a Leila… Quando ganha, é apesar da Leila. (…) Sei que se um homem estivesse sentado aqui, seria diferente”
E para nós mulheres, sejamos torcedoras, profissionais do esporte ou qualquer outra profissão ao redor do mundo, é cada vez mais importante ver que nós podemos, devemos e merecemos estar onde quisermos e fazermos o que gostamos. Isso prova, cada dia mais, que não devemos ser colocadas para escanteio. Que devemos estar escaladas para grandes jogos.
Esse conjunto de atitudes vai semeando mudanças: cada aparição de Leila Pereira erguendo um troféu, cada entrevista em que ela fala como dirigente vencedora, contribui para naturalizar a imagem de mulheres em cargos de liderança esportiva.
Ao escrever este artigo como torcedora, não posso deixar de expressar o orgulho em ver o Palmeiras liderado por Leila Pereira. Sua trajetória desde a arquibancada (sim, ela mesma se declara torcedora fanática do clube) e os camarotes corporativos até a cadeira presidencial é uma história de quebra de paradigmas. Leila transformou desconfiança inicial em respeito conquistado, calando críticas com trabalho, troféus e princípios. No campo, ela ajudou a montar times campeões; fora dele, elevou o patamar administrativo e lançou reflexões importantes sobre a mulher no esporte.Sua gestão prova que competência, profissionalismo e amor pelo futebol não têm gênero. E para nós, torcedores, fica a certeza: vimos a história ser feita de perto. Que futuras gerações de palmeirenses (e fãs de futebol em geral) lembrem dessa era não apenas como a dos títulos em série, mas como aquela em que uma mulher apaixonada pegou o pavilhão alviverde, o ergueu mais alto do que nunca e, com isso, abriu portas que jamais se fecharão.
A cada início de ano, o apito inicial dos campeonatos estaduais ecoa pelo Brasil,trazendo a promessa de renovação. Para muitos torcedores, marca o recomeço de um ciclo repleto de expectativas, rivalidades históricas e memórias de momentos icônicos que ajudaram a moldar o futebol brasileiro. Para os pequenos clubes, os estaduais representam uma oportunidade única: desafiar gigantes, conquistar visibilidade e garantir a renda necessária para sobreviver ao restante do ano. Essas competições carregam tradição, identidade e rivalidades que remetem ao “futebol raiz”, onde o improvável se torna realidade e momentos caricatos ganham vida.
Além disso, os estaduais funcionam como uma vitrine valiosa para jovens talentos que buscam projeção no cenário nacional. Contudo, em meio a essa rica atmosfera cultural e histórica, surge uma questão inevitável: no contexto do futebol brasileiro moderno, os estaduais, no formato atual, ainda fazem sentido?
O Peso dos Estaduais para os Grandes Clubes
Os estaduais oferecem uma vitrine para jovens talentos, mas apresentam desafios significativos para os grandes clubes. Ocupam boa parte do calendário no início do ano, prejudicando a preparação para competições nacionais e internacionais, que hoje são prioritárias. Além disso, a baixa competitividade e o domínio dos grandes times diminuem o interesse, restando como principal atrativo as rivalidades históricas.
A chegada de técnicos estrangeiros, especialmente portugueses, trouxe uma nova visão. Acostumados a calendários onde torneios regionais são destinados a clubes menores, muitos veem os estaduais como uma pré-temporada. Isso faz com que as equipes utilizem jogadores alternativos, o que dá visibilidade à base, mas reduz o apelo da competição. Mesmo iniciativas como a regra do Campeonato Paulista, que exige titulares em campo, não têm revertido esse desinteresse.
No Campeonato Carioca, grandes clubes frequentemente desvalorizam as primeiras rodadas, ocupando posições baixas na tabela. Essa falta de seriedade inicial compromete ainda mais o torneio. Outro problema é o excesso de clássicos, que perdem o impacto emocional quando se tornam frequentes, transformando-se em jogos rotineiros.
A Dependência dos Pequenos Clubes
Enquanto para os grandes clubes os estaduais são quase uma obrigação, para os pequenos, eles são indispensáveis. Muitos desses times encerram suas atividades após o término da competição, permanecendo inativos durante grande parte do ano. A dependência financeira dos estaduais é evidente: sem outras fontes de renda ou competições regulares, esses clubes enfrentam enormes dificuldades para se manterem operando.
Essa falta de continuidade no calendário é devastadora, resultando na falência de inúmeras equipes e evidenciando a profunda desigualdade estrutural do futebol brasileiro.
A Solução é o Fim dos Estaduais?
A resposta não é simples. Os estaduais possuem um valor cultural e histórico inegável, representando um patrimônio esportivo e social do Brasil. Embora tenham pouco apelo comercial fora do país, sua essência não deve ser descartada. No entanto, é evidente que o formato atual não atende mais às demandas do futebol moderno.
Diante dos desafios enfrentados pelos campeonatos estaduais, surgem três possíveis soluções para adaptar essas competições às necessidades do futebol moderno, sem perder sua essência histórica e cultural:
Integração ao Sistema Nacional Os estaduais poderiam ser substituídos por divisões regionais voltadas para clubes menores, formando a base da pirâmide do futebol brasileiro. Para acessar o cenário nacional, os times teriam que vencer o campeonato estadual, que funcionaria como uma porta de entrada. Esse modelo, semelhante ao de países como Portugal e França, aumentaria as oportunidades para os pequenos clubes competirem em nível nacional e garantiria um calendário mais estável. No entanto, o tamanho do Brasil apresenta desafios logísticos significativos.
Estaduais no Formato de Copa Outra ideia é transformar os estaduais em competições eliminatórias, no estilo de uma Copa, onde todos os clubes do estado participariam. Esse formato reduziria o número de jogos, tornaria o calendário mais enxuto e manteria o encanto dos encontros entre grandes e pequenos clubes. Para complementar, divisões estaduais poderiam ser criadas para garantir mais partidas ao longo do ano para os menores, criando um equilíbrio entre tradição e competitividade. Vale ressaltar que essa proposta pode coexistir com a hipótese de integração ao sistema nacional, funcionando como uma etapa complementar. Enquanto as divisões estaduais garantem calendário contínuo e desenvolvimento para os pequenos clubes, o formato de Copa manteria o apelo cultural e a tradição dos estaduais.
Redução e Reestruturação do Formato Atual Por fim, os estaduais poderiam ser mantidos, mas com menos datas e um formato mais compacto e dinâmico, focado nas principais rivalidades e na valorização das disputas históricas. Essa opção diminuiria o desgaste físico e logístico para os grandes clubes, ao mesmo tempo em que continuaria oferecendo visibilidade e renda para os pequenos.
Independentemente da solução escolhida, o objetivo é garantir equilíbrio, tradição e sustentabilidade, preservando a importância histórica dos estaduais enquanto se adapta o futebol brasileiro às demandas atuais.
A Importância da Descentralização e Valorização dos Pequenos
O futebol brasileiro enfrenta o desafio de equilibrar tradição e modernidade nos campeonatos estaduais. É fundamental descentralizar a logística e valorizar os pequenos clubes, garantindo-lhes competições regulares e um calendário contínuo. Isso fomentaria o desenvolvimento do esporte e fortaleceria a base da pirâmide futebolística.
Ao mesmo tempo, essa reorganização permitiria que os grandes clubes tivessem mais tempo para se preparar e focar em competições de maior prestígio, tornando o futebol brasileiro mais competitivo e atrativo, tanto nacional quanto internacionalmente.
Preservar a essência dos estaduais, com suas rivalidades históricas e identidade cultural, é essencial, mas o formato atual mostra-se insustentável. Transformá-los em torneios mais curtos, competições no estilo Copa ou integrá-los a um sistema nacional de divisões são caminhos possíveis.
Independentemente da solução escolhida, o objetivo é garantir que o apito inicial de cada ano não seja apenas uma lembrança do passado, mas um sinal de um futuro promissor para todos os clubes e torcedores, grandes ou pequenos.
A contratação e apresentação de Eberechi Eze no Arsenal se podem traduzir numa palavra: amor. O inglês reforçou o clube do coração, depois de estar ligado a uma mudança para o Tottenham, eterno rival dos “gunners”. Toda a narrativa criada à volta da transferência, inclusive o anúncio aos torcedores, nas redes sociais ou em pleno gramado, baseia-se na paixão de um jogador por um clube.
Ficou público desde criança que Eze é torcedor do Arsenal. O jovem de Londres falou que tinha Thierry Henry como ídolo e numa entrevista aos meios dos “gunners” a lenda francesa enviou-lhe uma mensagem em vídeo. Ficou na cabeça a reação do inglês. “Às vezes estragamos as coisas com palavras. Só sentir. Ele tem uma estátua à porta do estádio”.
Muitas vezes vemos os jogadores a dizerem que gostam de um clube para parecer bem, mas no caso de Eze o sentimento pelo Arsenal transparecia no olhar. A reação foi certeira, emocional e ainda pela voz da criança que via os jogos pela televisão. Agora é ele o protagonista.
No anúncio da contratação, Ian Wright aborda as questões retóricas, aquelas que não precisam de resposta, e volta a tocar no ponto de que, por vezes, não precisamos de palavras para que algo seja explicado. Eze “responde” a uma série de questões colocadas pela lenda do Arsenal com um “obviamente”.
Não é preciso perguntar a Eze o sentimento que ele tem ao representar o clube de coração. É simples de entender se está feliz, orgulhoso ou se concretizou o sonho. “Obviamente”, diria-nos.
Agora, porque levanto este tema?
Sinto que no futebol moderno vai-se perdendo cada vez mais o amor a um clube. Vemos jovens a trocar o clube do coração pelo dinheiro da Arábia Saudita, ou craques a mudarem-se para o rival como se nada fosse. Já não há aquela mística do antigamente, aquela garra de defender um escudo como se a tua vida dependesse disso.
Talvez, de vez em quando, vão aparecendo casos destes. Eze é, sem dúvida, um deles. não é por simpatizar com o Arsenal que esta transferência me toca, mas sim por entender que há um jogador a estar onde sempre quis, outrora um miúdo com um sonho.
E agora, do lado de quem apoia o Arsenal em Portugal, quero acreditar nos rumores em que Eze terá ligado a Mikel Arteta para saber da possibilidade de se transferir para o Arsenal, porque a mudança para o Tottenham estava quase finalizada.
Só espero que o adulto do hoje orgulhe a criança do ontem.
Sabe aquela frase muito conhecida entre os palmeirenses citada por Mauro Beting?
“Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário.”
E a quem não é palmeirense… É simplesmente impossível” Pois bem, meu caro torcedor alviverde, esse sentimento é inexplicável e quando penso nesse Palmeiras que está se moldando agora nessa pequena janela de transferência, eu vejo mais do que nomes, mais do que apenas um esquema inteligente, tático e de possível rentabilização em vendas futuras, eu vejo pessoas, nomes e caras que podem ser o futuro do Verdão.
Vamos ser sinceros, Weverton é um paredão, honra a camisa do Palmeiras entende e sabe o peso que ela tem, mas o cara já está com 37 anos, a idade pesa, chega e uma hora ele vai precisar ser substituído.
Aí eis que surge o nome Carlos Miguel, o cara não é gigante só no tamanho não, é a muralha que nós podemos sonhar para os próximos 10 anos eu me arriscaria dizer. A cada avanço na contratação eu penso: Será que ele está ansioso pra vestir a nossa camisa? Porque pra nós, vestir a nossa camisa é carregar o peso de uma torcida que canta, vibra e cobra, e cobra muito.
E seguindo com o futuro, vem o Jefté, ainda muito moleque, mas com certeza carrega nas chuteiras experiência de “veterano”, o cria vem de Xerém, teve um destaque absurdo na Escócia e foi eleito o melhor lateral esquerdo, mas aqui ele chega pra disputar espaço com Piqueréz, que já um monstro pra torcida, que é um jogador de consolidado e de peso pro elenco, mas se o cria chegar com a ousadia carioca, talvez ganhe o coração dos paulistas. (Mas o moleque vai ter que correr hein, a torcida não dá mole não!).
E aí pra fechar tem o Enciso, se esse cara chegar, aí meus amigos, o choro é livre para os rivais, o cara já deu sinal VERDE pra seguirmos com a contratação, ele quer voltar pro berço latino, o jovem paraguaio quer estar perto de casa. E casa essa que ele pode chamar de Palmeiras. O cara tem 21 anos e soma atuações em categorias de base e pela principal seleção do Paraguai; registrou participações em Copas América, Olímpica e eliminatórias. Sem contar que ele tem talento pra jogar em todas as posições de ataque, ele é novo, com qualidade técnica, e raça. Elemento fundamental para o torcedor alviverde!
E sabemos que mais do que reforços, eles representam o futuro e a continuidade do nosso time, representando a torcida que não para, com uma diretoria que olha pra frente, levando cada palmeirense a pensar: “meu time está se preparando para continuar sendo gigante, hoje e sempre”.
Sabe o que é mais bonito disso tudo? É perceber que o Palmeiras nunca está só. Enquanto a diretoria negocia, enquanto os jogadores treinam, enquanto Abel pensa no próximo jogo… nós estamos aqui. Sofrendo, acompanhando, sonhando, vibrando. A arquibancada não cala, a rua não para, a fé não se esgota.
E no fim, eu só consigo escrever uma coisa: Avanti, Palestra. Avanti, meu Palmeiras. O coração tá pronto pra mais uma capítulo da nossa história de amor verde e branco.
Renato Paiva foi despedido do Fortaleza após apenas 10 jogos (2 meses). É o segundo despedimento dele nesta temporada, depois de ter caído no Botafogo durante o Mundial de Clubes. E estamos tratando de um técnico que teve até vitórias históricas, como frente ao campeão da Europa, o PSG. Do ponto de vista europeu, isto é algo incompreensível – chega a ser cômico e até ‘zoável’.
Em Portugal, estamos habituados a ver treinadores durante anos: Sérgio Conceição no Porto, Jorge Jesus no Benfica ou Rúben Amorim no Sporting. Se olharmos para a Premier League, a comparação fica ainda mais gritante: Mikel Arteta está há 7 anos no Arsenal, mesmo sem títulos relevantes durante grande parte desse período, e com orçamentos gigantescos. No Manchester United, treinadores são mantidos mesmo quando parece que já não há como piorar. E o que dizer de Arsène Wenger ou Sir Alex Ferguson, que praticamente dedicaram as suas carreiras a um só clube?
O paralelismo para o Brasil é astronômico. Vemos a torcida organizada do Palmeiras criticar talvez o melhor treinador da história do clube, Abel Ferreira, quando ele está completamente na luta pelo título e nas quartas de final da Libertadores. Pior ainda, vemos pressões constantes nos CT’s, com jogadores e técnicos sendo cobrados cara a cara pelas organizadas. Na Europa isso até pode acontecer, mas de forma pontual; o que é incomum é ver jogadores e dirigentes a dar justificativas oficiais a torcidas como se fossem superiores hierárquicos. E não me entendam mal: o clube é dos sócios, ou pelo menos assim acredito deveria ser.
O resultado desta cultura? Uma roda-viva em que 16 técnicos já foram demitidos em 2025, alguns com passagens de apenas 3, 4 ou 7 jogos. Na loucura que é o calendários das competições no Brasil, não dá tempo nem para os projetos nascerem.
É verdade: o treinador é a cara do projeto, o responsável máximo, e muitas vezes é justo que caia. Mas a grande questão é que, no Brasil, não se valoriza a estrutura. Procura-se sempre o culpado individual. Quando leio críticas a um time, são quase sempre dirigidas a nomes próprios e não a problemas coletivos. O Fred foi apontado como único culpado da eliminação do Brasil na Copa e a própria comunicação social é quem força essa narrativa. Presumo que seja cultural.
Quando há um projeto pensado e estruturado com planejamento estratégico, como é o caso do Palmeiras, os resultados aparecem. Se dá tempo, e o sucesso é visível. Abel Ferreira é a prova viva disso. Tudo indica que o Cruzeiro vai pelo mesmo caminho. O Flamengo também parece ter uma aposta firme em Filipe Luís, talvez influenciado pelo diretor de futebol europeu (José Boto), daí os resultados começam a aparecer.
Isto não tira responsabilidade ao técnico: a incompetência existe, e muitas vezes é a raiz o problema. Mas penso que, para o bem do futebol brasileiro, será importante mudar a mentalidade: ser mais paciente, confiar no trabalho e na progressão das equipes, deixar os treinadores trabalharem e, acima de tudo, não ser tão duros com a individualidade e sim com o coletivo.
Acredito a 100% que o Brasileirão tem potencial para entrar no top 5 das melhores ligas do mundo e ser um produto globalmente requisitado. Tem estádios cheios, torcidas apaixonadas, e o poder financeiro dos maiores clubes já começa a rivalizar com a segunda linha europeia. Uma das chaves pode ser precisamente esta mudança de mentalidade.
Existem outras possíveis melhorias: gramados naturais, menos “lixo visual” nas transmissões, acabar com palcos a ocuparem arquibancadas em jogos, e reduzir calendários sobrecarregados. Mas isso já são outros assuntos… que talvez volte a explorar nesta rúbrica de opinião.