Categoria: Times

  • Estádio do Flamengo: prazo de conclusão para 2036, nova capacidade e custo bilionário

    Estádio do Flamengo: prazo de conclusão para 2036, nova capacidade e custo bilionário

    O sonho da casa própria do Flamengo está mais perto de se tornar realidade. Em reunião do Conselho Deliberativo (CoDe), a diretoria apresentou os detalhes do projeto para a construção do seu novo estádio, que será no terreno do Gasômetro, no Rio de Janeiro.

    Os detalhes foram revelados pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, na quarta-feira (17). A seguir, saiba mais sobre o projeto:

    Imagens do projeto do estádio do Flamengo na área interna. Divulgação/Flamengo

    Capacidade do novo estádio do Flamengo

    O estádio terá capacidade para 72 mil torcedores, um número ligeiramente menor que o do Maracanã, mas que ainda assim garante um espaço imponente para os jogos do clube.

    Atualmente, mesmo com a capacidade de quase 78 mil do Maracanã, a venda de ingressos é limitada a cerca de 70 mil.

    Qual o custo e o prazo do projeto?

    O custo estimado para a construção do estádio é de R$ 2,2 bilhões. Esse valor abrange todas as etapas, desde o terreno e a construção da arena, até custos de contingência e de capital.

    O estudo da FGV, por exemplo, apontou um custo de R$ 2,66 bilhões, sem incluir o custo de capital. Com a simulação de juros, o valor total poderia ultrapassar a marca de R$ 3 bilhões.

    O prazo de conclusão, que antes era 2029, foi revisto e agora a previsão é que seja finalizado em junho de 2036.

    Detalhes do projeto do estádio do Flamengo:

    • Estimado de 72 mil lugares, com foco na redução de assentos premium e ajuste de projetos para melhorar a viabilidade;
    • Custo estimado de R$ 2,2 bilhões, incluindo o estádio, contingências, terreno e custo de capital;
    • Prazo de conclusão estimado em Junho de 2036;
    • Financiamento viável na geração de recursos internos;
    • Foco também na melhora da receita operacional e rentabilidade, sem gerar impacto na performance esportiva.

    Nota do Flamengo sobre o estádio na íntegra:

    Na noite desta quarta-feira (17/09), o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, apresentou ao Conselho Deliberativo, junto com Alexandre Rangel, sócio da RRA Consultoria, e Ricardo Simonsen, Henrique Castro e Bauer Rachid, da FGV Conhecimento, as conclusões dos estudos de campo de sondagem, arbóreo, topografia, patrimônio histórico e descontaminação do terreno do Estádio do Gasômetro, realizado por cinco empresas contratadas.

    O trabalho da atual gestão, iniciado há sete meses, teve como premissa fundamental viabilizar a construção de um estádio próprio sem que o clube precise se tornar uma SAF e sem comprometer o desempenho esportivo. Para isso, foram adotadas medidas como a criação de um time exclusivo de gestão do projeto, a recontratação da Arena – responsável pelo projeto inicial – para apoio técnico, a condução do estudo de viabilidade pela FGV, a realização de análises aprofundadas do terreno, a resolução de pendências com AGU, Prefeitura e Naturgy, além da avaliação de alternativas de estádio.

    Nesse período, uma equipe de especialistas se dedicou a desenvolver um projeto viável, corrigindo distorções de origem que envolviam custos subestimados, prazos irreais, receitas superestimadas e um modelo de financiamento insustentável.

    Ricardo Simonsen, diretor técnico, e Henrique Castro, professor de Economia da FGV EESP, detalharam como os custos foram subestimados no projeto apresentado. A FGV calculou o custo final atualizando a inflação, contingências, e insumos em R$ 2,66 bilhões. Com a inclusão do custo de capital o valor total do estádio é de R$ 3,1 bilhões. O valor apresentado pela gestão anterior na proposta orçamentária era de R$1,9 bilhão.

    Além disso, as receitas projetadas foram superestimadas. Segundo a análise da FGV, o plano considerava um valor médio de ingresso de R$ 195,44 — mais que o dobro da média atual —, com 30% dos assentos classificados como VIP ou Premium, o dobro do que existe hoje no Maracanã. Foi planejado um estádio complexo e elitizado. Também estavam inflados patrocínios de R$ 60 milhões e a antecipação da receita de Naming Rights. Além disso, os valores das CPACs, estimados inicialmente em R$ 552 milhões, foram recalculados pela FGV para R$ 194 milhões.

    Os prazos também foram revistos. O cronograma original ignorava etapas essenciais, como o remanejamento da Naturgy, que ocupa hoje 55% do terreno, com uma subestação de bombeamento de gás para a região metropolitana do Rio de Janeiro. Conforme o comunicado da Naturgy enviado ao Flamengo em 10 de setembro de 2025, o tempo estimado de remanejamento é de quatro anos, após a obtenção de novo endereço para a instalação da subestação, a cargo da Prefeitura.

    Segundo a Aecom, empresa contratada para planejar as estratégias de descontaminação, existem 21 estudos públicos que demonstram a complexidade da contaminação do terreno, tornando o prazo de cinco meses de descontaminação propostos no planejamento de 2024 irreais. Além disso, o relatório preliminar da FGV apontou um prazo para a descontaminação entre 18 e 24 meses, após a saída da Naturgy. Sem essa etapa, não há a possibilidade de obter as licenças necessárias para iniciar a construção.

    Na prática, isso significa que a obra não poderia começar em menos de seis a sete anos, aos quais se somariam outros três anos de construção — projetando a entrega do estádio a partir de 2034, o que torna o prazo de inauguração em dezembro 2029 previsto pela gestão anterior completamente irreal.

    A fim de viabilizar o estádio, os especialistas da FGV e Arena apresentaram proposta de novo projeto, baseado em premissas mais realistas e com perfil mais popular e identificado ao Flamengo.

    Antes de encerrar a reunião, o presidente Bap apresentou os próximos passos. No curto prazo, o foco será o acompanhamento do processo de remanejamento da Naturgy junto à Prefeitura, a demolição e limpeza do terreno sob responsabilidade do Flamengo, o acompanhamento da aprovação legislativa das CPACs e a assinatura do Termo Definitivo com a AGU, a Caixa e a Prefeitura. Já no médio e longo prazo, a prioridade será a estruturação do projeto executivo para a construção do estádio.

  • Diretoria do Flamengo prevê inauguração de novo estádio em 2036

    Diretoria do Flamengo prevê inauguração de novo estádio em 2036

    O Conselho Deliberativo do Flamengo reuniu-se na noite desta última quarta-feira (17/09) para obter mais detalhes sobre como anda a construção do novo estádio do clube, no terreno do Gasômetro. Segundo os dados apresentados pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o BAP, a conclusão das obras ocorrerá a partir de 2034, podendo estender-se até 2036, dependendo de problemas externos.

    A diretoria rubro-negra justificou que os custos foram minimizados no projeto apresentado pela gestão passada. A FGV calculou um custo final com todos os dados — atualizando a inflação, contingências e insumos — em R$ 2,66 bilhões. Quando adicionado o custo de capital, o valor total do estádio chega a aproximadamente R$ 3,1 bilhões. Anteriormente, a quantia apresentada era de R$ 1,9 bilhão.

    “Nesse período, uma equipe de especialistas se dedicou a desenvolver um projeto viável, corrigindo distorções de origem que envolviam custos subestimados, prazos irreais, receitas superestimadas e um modelo de financiamento insustentável”, comunicou o Flamengo.

    Pontos apresentados:

    • Estádio otimizado de 72 mil lugares, com foco na redução de assentos premium;
    • Custo revisado de R$ 2,2 bilhões, incluindo o estádio, contingências, terreno, custo de capital e custo do entorno;
    • Prazo de conclusão mínimo em julho de 2036, dependendo de diversos fatores externos;
    • Estratégia de financiamento viável, baseada na geração de recursos internos (poupança);
    • Lastro no aumento de receitas orçamentárias e rentabilidade, sem gerar impacto na performance esportiva.

    Além do mandatário rubro-negro, estiveram presentes na reunião Alexandre Rangel, sócio da RRA Consultoria; Ricardo Simonsen; Henrique Castro; e Bauer Rachid, da FGV Conhecimento. O propósito do encontro foi apresentar as conclusões dos estudos de campos de sondagem, arbóreo, topografia, patrimônio histórico e a descontaminação do terreno — tudo sendo realizado por cinco empresas contratadas pelo clube.

    Conforme mostrado na análise, houve reduções nas receitas projetadas. Inicialmente, o plano estimava um valor médio de ingresso de R$ 195,44 — mais do que o dobro da média atual — com cerca de 30% dos assentos considerados como VIP ou Premium, número que dobra os existentes atualmente no Maracanã. Os valores estimados pelo Certificado de Potencial Adicional de Construção (Cepac) foram de R$ 552 milhões, recalculados pela FGV para R$ 194 milhões.

    Quanto aos prazos, a diretoria anterior havia projetado a inauguração para 2029. Contudo, os gestores atuais afirmam que o cronograma desconsiderava algumas etapas essenciais, como o remanejamento da Naturgy, que hoje ocupa cerca de 55% do terreno com uma subestação de bombeamento de gás para a região metropolitana do Rio.

    Segundo comunicado da empresa de gás, enviado ao Flamengo no dia 10 de setembro de 2025, o tempo estimado para a modificação é de quatro anos — isso após a exploração do novo endereço para a instalação da subestação, tarefa a cargo da prefeitura.

    A limpeza e demolição do terreno estão sob responsabilidade do Flamengo, com o acompanhamento da aprovação legislativa dos Cepacs e a assinatura do Termo Definitivo com a AGU, a Caixa e a Prefeitura. Contabilizando a médio e longo prazo, a prioridade será a estruturação do projeto executivo, tudo para a construção do estádio do clube rubro-negro.

  • Andreas Pereira: convocação que também é vitória do Palmeiras

    Andreas Pereira: convocação que também é vitória do Palmeiras

    Quando saiu a notícia da convocação de Andreas Pereira para a Seleção Brasileira, o coração palmeirense bateu mais forte. Senti uma mistura de orgulho, alívio e expectativa. Orgulho por ver um jogador do nosso elenco ganhar o reconhecimento merecido. Alívio por saber que sua chegada ao Verdão foi uma escolha acertada. Expectativa pelo futuro, porque essa convocação não é apenas uma vitória pessoal do atleta  é também uma vitória do Palmeiras.

    Andreas não é promessa. É um jogador experiente, calejado da Europa, com altos e baixos, mas sempre sob os holofotes. Veio do Fulham, acostumado à pressão e à visibilidade. Aqui, ganhou a camisa 8, número carregado de história: de Leivinha, que brilhou na Academia dos anos 70, ao mais recente Richard Ríos, que conquistou a torcida com raça e talento. Não é qualquer número. É símbolo de responsabilidade e tradição. E Andreas já deixou claro: o Palmeiras é vitrine para a Seleção.

    Essa convocação confirma o que a torcida já sabia: quando o Palmeiras decide contratar, raramente erra. Busca jogadores que unem talento, experiência e vontade de vestir o manto. Andreas quis vir, se identificou de imediato, disse ter sentido o carinho e a segurança que o clube ofereceu para ele e sua família. Isso faz diferença.

    E em tão pouco tempo, já está colhendo frutos. Sua convocação prova que o Verdão mantém seus jogadores em forma, dá visibilidade e disputa competições de peso. É o ciclo perfeito: desempenho, consistência e vitrine. E é por isso que as portas da Seleção se abrem.

    O que esperamos agora? Que Andreas siga convocado, para Eliminatórias, para Copa do Mundo, para o que vier. Que cada gol, assistência e liderança dele aqui ultrapasse além das nossas fronteiras. Porque, quando ele veste a amarelinha da Seleção, também carrega o verde do Palmeiras em cada jogada.

    Essa convocação valida a contratação, reforça a imagem do clube no cenário nacional e mostra que nossos jogadores têm espaço para brilhar em qualquer lugar. Para nós, torcedoras e torcedores do Verdão, é mais do que uma boa notícia: é motivo de orgulho.

  • Hino do Palmeiras e Mancha Verde: coração, história e paixão alviverde

    Hino do Palmeiras e Mancha Verde: coração, história e paixão alviverde

    Se tem algo que arrepia o palmeirense de verdade, é ouvir o hino do Palmeiras sendo cantado em uníssono pela arquibancada. E quando isso acontece puxado pela Mancha Verde, irmão, segura o coração.

    O hino não é só uma música. É a alma do clube em forma de verso. É o tipo de som que gruda na memória e embala vitórias, sofrimentos, viradas e títulos.

    Se você já sentiu a emoção de gritar “quando surge o alviverde imponente”, sabe o que estamos falando. E se ainda não sentiu, se liga nesse texto, pois a equipe do Camisa 12 foi atrás de tudo pra contar a origem, letra, histórias e até aquelas adaptações no hino nacional que viraram marca registrada da torcida.

    A origem do hino do Palmeiras

    Tudo começou lá em 1949. O maestro Antônio Sergi, torcedor do Palmeiras por influência do irmão, compôs o hino como forma de homenagear o clube do coração.

    Ele usou o pseudônimo Gennaro Rodrigues porque não curtia muito escrever letra de música.

    O resultado? Um dos hinos mais bonitos e emocionantes do futebol brasileiro. Ele pegou tão forte que, até hoje, arrepia qualquer torcedor. E convenhamos…. até rival respeita. Abaixo você confere a letra do hino palmeirense.

    Letra completa do hino do Palmeiras

    “Quando surge o Alviverde imponente
    No gramado em que a luta o aguarda
    Sabe bem o que vem pela frente
    Que a dureza do prélio não tarda


    E o Palmeiras no ardor da partida
    Transformando a lealdade em padrão
    Sabe sempre levar de vencida
    E mostrar que de fato é campeão


    Defesa que ninguém passa
    Linha atacante de raça
    Torcida que canta e vibra


    Por nosso Alviverde inteiro
    Que sabe ser brasileiro
    Ostentando a sua fibra”


    Mancha Verde: o pulmão da arquibancada

    Vou resumir, ok? Afinal, o foco aqui é o hino do Verdão. A Mancha Verde nasceu em 1983, numa época em que o Palmeiras passava por altos e baixos. Foi criada pra unir torcedores, proteger a galera nas arquibancadas e dar voz ao clube em qualquer lugar.

    E deu certo. Hoje, é uma das maiores torcidas organizadas do Brasil. Leva bandeirão, bateria e, principalmente, muita garganta pra cantar o hino do Palmeiras do início ao fim, sem desafinar.

    Quem vai ao Allianz Parque (ou em qualquer estádio que o Palmeiras esteja) sabe: quando a Mancha puxa o hino, o estádio inteiro entra no clima. É arrepio na certa.

    Palmeiras, meu Palmeiras… o grito que virou hino nacional da arquibancada

    Você já foi a um jogo do Verdão e ouviu, na hora do hino nacional, um “Palmeiras, meu Palmeiras, meu Palmeeeeiras”? Pois é. Isso virou tradição entre os torcedores, principalmente os da Mancha.

    É uma forma bem-humorada e cheia de identidade que o palmeirense encontrou pra manter o clima de apoio ao time até durante o hino oficial do Brasil. “Ouviram do Ipiranga às margens plácidas?” Jamais! É a versão palmeirense do hino nacional que ecoa. A seguir a gente contextualiza melhor isso.

    Por que a torcida do Palmeiras não canta o hino nacional?

    Não é que a torcida não respeita. Muito pelo contrário. É só que, no Allianz, o momento do hino nacional virou mais uma chance de gritar pro mundo o nome do Verdão. Em vez de cantar o hino certinho, a torcida emenda no improviso:
    “Palmeiras, meu Palmeiras, meu Palmeeeeeiras…”

    É leve, é autêntico, é a cara da torcida (que canta e vibra).

    Cada verso com significado: o hino como espelho da história

    • “Defesa que ninguém passa”: referência direta ao título paulista de 1947, com uma zaga sólida que virou lenda.
    • “Torcida que canta e vibra”: parece que o maestro estava prevendo a Mancha Verde, né?
    • “Que sabe ser brasileiro, ostentando a sua fibra”: um aceno à superação do clube na mudança de nome, lá em 1942, durante a Arrancada Heroica.

    Nada nesse hino é por acaso. Tudo tem alma.

    A força da tradição: de pai pra filho

    O hino do Palmeiras não vive só nos jogos. Ele toca no aniversário do clube, nos churrascos em família, nas festinhas de criança, no vídeo de casamento do casal palestrino… E até em versão acústica, forró ou samba.

    A molecadinha aprende a cantar cedo. E quando canta, canta com gosto. É parte da cultura da família palmeirense.

    A Mancha além do estádio: samba, ação social e resistência

    A Mancha Verde também é escola de samba, participa do Carnaval de SP e tem projetos sociais de impacto. Vai muito além da bola rolando.

    O canto do hino pela Mancha é só uma das formas que a torcida encontrou pra transformar o amor em cultura. Tem música, dança, arte, presença nos bairros e apoio a quem precisa. Ser Mancha é ser Palmeiras 24h por dia.

    FAQs – Perguntas frequentes sobre o hino do Palmeiras e a Mancha Verde

    Quem compôs o hino do Palmeiras?
    Foi o maestro Antônio Sergi, em 1949. Ele assinou como Gennaro Rodrigues.

    Qual é a famosa versão do hino nacional da torcida do Palmeiras?
    Durante o hino nacional, a torcida canta: “Palmeiras, meu Palmeiras, meu Palmeeeeiras…”. Virou tradição no Allianz Parque e em qualquer outro estádio.

    A Mancha Verde canta o hino em todos os jogos?
    Canta sim. E canta alto. É um dos momentos mais marcantes antes do apito inicial.

    O hino do Verdão tem ligação com algum momento histórico?
    Sim! Ele reforça a identidade do clube pós-1942, depois da mudança de nome. É como se fosse a trilha sonora da virada do Palestra Itália pro Palmeiras.

    A Mancha Verde é só torcida organizada?
    Não! É escola de samba, grupo cultural, coletivo social e muito mais. Representa o Palmeiras dentro e fora do campo.

    Conclusão: quando o hino vira grito de alma

    O hino do Palmeiras é muito mais do que uma música bonita. É um símbolo de luta, garra, tradição e amor. É o tipo de canção que, mesmo quem não torce pro Verdão, respeita.

    E quando a Mancha Verde canta junto, o estádio vira palco. Cada verso vibra. Cada grito emociona.

    Se você já viveu isso, sabe o que é. Se ainda não viveu… corre que tá perdendo.

  • Futebol e Ancestralidade: A luta antirracista em campo

    Futebol e Ancestralidade: A luta antirracista em campo

    Futebol é paixão, é identidade, é a voz do povo que ecoa nas arquibancadas. Mas, para além da bola no pé e dos gols, existe uma história profunda, uma raiz que nos conecta à ancestralidade e a uma luta que nunca cessa: a luta contra o racismo no futebol. Mas será que a herança ancestral por trás de cada drible, de cada defesa e em cada grito de “GOOOOL” é de conhecimento geral, mesmo nos dias de hoje?

    É com essa pergunta que iniciaremos um mergulho nas raízes do futebol e em como até hoje o esporte que é o mais democrático do mundo, ainda carrega cicatrizes de um passado tortuoso de exclusão.

    A Ferida Aberta: O Racismo no Futebol em Números e Fatos

    Não adianta tapar o sol com a peneira. O racismo no futebol mundial não é uma lembrança distante: é uma realidade cruel que se agrava a cada ano. O Observatório da Discriminação Racial no Futebol, traz dados que nos fazem repensar como estamos lidando com a temática em nossas arquibancadas: em 2023, foram registrados 136 casos de racismo, um aumento de quase 40% em relação a 2022. Isso não é estatística fria, reflete uma realidade que é diariamente apagada. Outros dados apresentados são ainda mais alarmantes: 41% dos jogadores negros que atuam nos principais campeonatos do país já sofreram racismo. Se liga só, quase metade dos nossos craques já sentiu na pele a dor do preconceito. Isso é inaceitável!

    A violência acontece dentro dos estádios (53,9% dos casos), nas redes sociais (31,4%), e até mesmo nos centros de treinamento. Não tem pra onde correr. A luta antirracista no futebol é urgente, é pra ontem.

    A Força da Ancestralidade e a Fé que Desafia o Racismo: O Caso Paulinho

    Nossos heróis de chuteira não são apenas craques: são guerreiros que carregam a ancestralidade e a fé como escudos. Não é raro nos depararmos com alguma manchete indicando algum ataque racista ao Vini Jr. na Europa, o que fez com que o jogador se tornasse símbolo global da luta antirracista no futebol. Mas a batalha não é só lá fora. No Brasil, um caso conhecido é o do jogador Paulinho, atacante do Palmeiras, que virou alvo de racismo religioso por expressar sua fé no Candomblé. Contudo, apesar dos reverses levantados pelos ataques, ele continua firme em defesa da livre expressão de sua religiosidade e se utiliza das redes sociais como uma ferramenta de conscientização sobre o tema. Não é incomum fotos ou vídeos de comemorações de gols onde o mesmo aparece reverenciando o orixá Oxóssi, simbolizado através do gesto de lançamento de uma flecha feito pelo craque.

    Alguns de vocês podem estar se perguntando: “mas o que seria esse tal de racismo religioso?”. Nós do Portal Camisa12 estamos aqui pra dar uma esclarecida rápida no tema. Racismo religioso é uma faceta do preconceito ligado à demonização das expressões e símbolos das religiões de matrizes africanas. Hoje, sendo o Brasil um país onde o neopentecostalismo está em ascensão, não é raro nos depararmos com esta vertente do racismo que ataca diretamente as crenças religiosas.

    O Grito da Arquibancada: Quando a Paixão Vira Luta Real

    Se a gente quer ver a mudança, ela tem que vir de onde a paixão pulsa mais forte: da arquibancada. Não é só cantar o hino do time, é levantar a voz contra o racismo que insiste em se manifestar. A luta antirracista no futebol ganha força quando o torcedor se engaja, quando os coletivos de torcedores se organizam para combater a discriminação. A gente vê cada vez mais iniciativas de conscientização, de denúncia, de apoio às vítimas. É a torcida organizada, que muitas vezes é estigmatizada, mostrando que também é linha de frente nessa batalha.

    O movimento Zumbi dos Palmeiras é um exemplo de como a luta pode se tornar uma ação coletiva organizada que muda a realidade da torcida dentro e fora de campo. Criado em 2023, eles unem a paixão alviverde e referenciam através do seu nome Zumbi dos Palmares, líder quilombola brasileiro e símbolo da consciência negra nacional, unindo a força da torcida com a luta antirracista. Eles se definem com um lema que é um verdadeiro soco no estômago: “Preto | Pobre | Periférico | Periculoso | Palmeirense”. São um coletivo que busca unir e fortalecer a identidade dos torcedores negros e periféricos do Palmeiras, mostrando que a representatividade e a resistência caminham juntas nas arquibancadas.

    O Nosso Grito por um Futebol Sem Racismo: A Luta Continua!

    Nós do Portal Camisa12, assumimos o compromisso de criar espaços de debate e conscientização sobre pautas das arquibancadas. Este é o primeiro de uma série de conteúdos pautados em movimentos sociais ligados às torcidas de norte a sul do Brasil e do mundo. A luta antirracista no futebol faz parte da nossa realidade, a nossa dor, a nossa esperança. Faz parte do compromisso editorial do portal ser uma janela, dentre tantas portas fechadas, que permita que cada vez mais os gritos das arquibancadas sejam ouvidos e validados. Porque o futebol é um palco poderoso, e a gente precisa usá-lo para construir um futuro onde o talento seja o único critério, onde a cor da pele seja apenas um detalhe na imensa tapeçaria da nossa humanidade.

    Que a gente continue vibrando, torcendo, mas acima de tudo, lutando por um futebol que seja, de fato, para todos. Porque, no Portal Camisa12, acreditamos que o verdadeiro gol é a vitória da justiça social. E você, tá nessa com a gente? A bola tá com você!

    FAQ’s

    Existe alguma lei no Brasil contra o Racismo?
    SIM! As Leis nº 7.716/89 e a Lei nº 14.532/2023. Elas definem os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor e a injúria racial como imprescritíveis e inafiançáveis.

    Existe alguma lei antirracista dentro do mundo do futebol?
    SIM! Com o intuito de coibir o racismo, a CBF estabeleceu sanções desportivas aplicáveis em torneios nacionais, que abrangem desde multas elevadas até a subtração de pontos. Adicionalmente, a FIFA implementou um novo Código Disciplinar com penalidades mais rigorosas, incluindo a decretação de derrota por W.O. para times com práticas racistas comprovadas. Vale lembrar também da Lei Vini Jr., que completa dois anos em julho de 2025, concebida para enfrentar o racismo em estádios e instalações desportivas.

    O que é racismo religioso?
    Racismo religioso é o preconceito que atinge as religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda. Este tipo de violência atinge diretamente a identidade e a ancestralidade do povo negro. É quando a fé de alguém é atacada, por causa da cor da pele e da origem. Uma tentativa de apagamento a cultura e a espiritualidade de um povo.

    Qual a pena para crime de racismo dentro dos estádios?
    A pena para o crime de racismo no Brasil, que inclui os casos dentro dos estádios, pode chegar a reclusão de dois a cinco anos, além de multa. E tem mais: a Lei Geral do Esporte (Lei 14.597/2023) prevê que o agressor pode ser proibido de frequentar locais destinados a práticas desportivas por até três anos. Se o crime for cometido em grupo, a pena pode ser aumentada.

    Quais torcidas têm coletivos antirracistas no Brasil?
    A consciência antirracista tem crescido nas arquibancadas! Além do Zumbi dos Palmeiras, que a gente já falou, outros coletivos e torcidas organizadas se destacam na luta antirracista no futebol brasileiro. Exemplos incluem: Frente Popular Alviverde (Palmeiras), Coxacomunas (Coritiba), Gralha Marx (Paraná), Atleticanhotxs (Athletico Paranaense), Grêmio Antifascista, Antifascistas do Grêmio, Coletivo Elis Vive e Tribuna 77 (Grêmio). Esses grupos promovem ações de conscientização, denunciam casos de racismo e pressionam por mudanças, mostrando que a arquibancada é também um espaço de luta e resistência.

  • Leila Pereira: pioneira, vencedora e torcedora no comando do Verdão.

    Leila Pereira: pioneira, vencedora e torcedora no comando do Verdão.

    Na presidência do Palmeiras desde 2021, Leila Pereira foi eleita a 40ª presidente do Palmeiras, a primeira mulher a ocupar o cargo em mais de 100 anos de história. Ela personifica paixão e a ambição da torcida! Desde que assumiu tem cumprido a promessa de “pintar o mundo de verde”, levando o clube a uma era de grandes conquistas e mudanças.

    A sua trajetória de sucesso no mundo empresarial, fez com que ela se transformasse em uma dirigente que une competência administrativa, amor pelo clube e a se tornar  símbolo de força feminina que ultrapassa as quatro linhas.

    Em entrevista, Leila comentou que a ideia de patrocinar o clube veio numa conversa descontraída com o marido, que é palmeirense, num momento em que o verdão estava passando por uma crise financeira e sem patrocínio, o marido até chegou a dizer coisas como: “deve ser muito caro” ou “deve dar muito trabalho”. E mesmo assim ela insistiu dizendo que era possível, e foi então que em 2015 a Crefisa e FAM passaram a patrocinar o clube, injetando recursos que tirariam o Palmeiras de uma fase conturbada e colocaria novamente o time no caminho dos títulos.

    Nos dois primeiros anos de gestão, ela se tornou a primeira presidente palmeirense a conquistar seis títulos em apenas duas temporadas, incluindo troféus de peso como a Recopa Sul-Americana (2022), o bicampeonato paulista (2022-2023), o bicampeonato brasileiro (2022-2023) e a Supercopa do Brasil (2023). Ao todo, a era Leila já contabiliza 33 títulos somando as categorias profissionais e de base, um balanço impressionante que a própria imprensa registra conforme ela entra em seu segundo mandato.

    Sob sua liderança, o Palmeiras se tornou referência de administração no futebol brasileiro, com finanças sólidas em 2024, o clube atingiu receita recorde acima de R$ 1,2 bilhão, algo inimaginável em outros tempos.

    Representatividade feminina e enfrentamento do machismo no futebol.

    Quando observamos o mundo em que vivemos, conseguimos facilmente identificar quem são chefes de estados, políticas, empresas e principalmente de clubes de futebol, a presidente Leila Pereira marca o impacto de uma mulher no posto mais alto de um clube gigante como o Palmeiras. Em um esporte historicamente dominado por homens, ela chega quebrando uma barreira como a única mulher presidente entre os 20 clubes da Série A do Brasileirão. Ela já falou algumas vezes como é solitário ser a única mulher em mesas de reuniões na CBF, Federação Paulista ou em outras ligas e também afirmou com todas as letras “Nós, mulheres, não queremos privilégio, queremos oportunidade de mostrar competência nesse mundo do futebol, que é tão masculino… Não pode ser normal ter uma só mulher à frente de um grande clube na América do Sul”.

    Declarações como essa, dadas em entrevistas e coletivas, conectam a gestão Leila a pautas feministas mais amplas, evidenciando o machismo ainda presente no esporte e reivindicando mudança.  Leila por vezes sente na pele uma análise diferente por ser mulher. Em entrevista, desabafou sobre a percepção injusta: “Quando o Palmeiras perde, a responsável é a Leila… Quando ganha, é apesar da Leila. (…) Sei que se um homem estivesse sentado aqui, seria diferente”

    E para nós mulheres, sejamos torcedoras, profissionais do esporte ou qualquer outra profissão ao redor do mundo, é cada vez mais importante ver que nós podemos, devemos e merecemos estar onde quisermos e fazermos o que gostamos. Isso prova, cada dia mais, que não devemos ser colocadas para escanteio. Que devemos estar escaladas para grandes jogos.

    Esse conjunto de atitudes vai semeando mudanças: cada aparição de Leila Pereira erguendo um troféu, cada entrevista em que ela fala como dirigente vencedora, contribui para naturalizar a imagem de mulheres em cargos de liderança esportiva.

    Ao escrever este artigo como torcedora, não posso deixar de expressar o orgulho em ver o Palmeiras liderado por Leila Pereira. Sua trajetória desde a arquibancada (sim, ela mesma se declara torcedora fanática do clube) e os camarotes corporativos até a cadeira presidencial é uma história de quebra de paradigmas. Leila transformou desconfiança inicial em respeito conquistado, calando críticas com trabalho, troféus e princípios. No campo, ela ajudou a montar times campeões; fora dele, elevou o patamar administrativo e lançou reflexões importantes sobre a mulher no esporte.Sua gestão prova que competência, profissionalismo e amor pelo futebol não têm gênero. E para nós, torcedores, fica a certeza: vimos a história ser feita de perto. Que futuras gerações de palmeirenses (e fãs de futebol em geral) lembrem dessa era não apenas como a dos títulos em série, mas como aquela em que uma mulher apaixonada pegou o pavilhão alviverde, o ergueu mais alto do que nunca e, com isso, abriu portas que jamais se fecharão.

  • Jogadores do Atlético-MG: os mais marcantes da história

    Jogadores do Atlético-MG: os mais marcantes da história

    Quem são os jogadores do Atlético-MG que viraram “tatuagem de memória”? Os nomes que aparecem no almoço de domingo, na resenha no bar, nos debates de arquibancada e nos vídeos que a Massa nunca cansa de ver?

    O Portal Camisa12juntou história, contexto e muito jogo grande para trazer uma lista imparcial, comentada e fácil de navegar. Listamos os jogadores famosos do Galo e também ex-jogadores do Atlético-MG que moldaram a identidade do clube.

    A proposta é simples: contar por que cada um desses caras é gigante, o que fizeram em clássicos, mata-matas, campanhas históricas e como isso conversa com quem cresceu ouvindo o “Eu Acredito”.

    Você pode descer direto pro 11 ideal lá embaixo, mas a graça é a caminhada: cada perfil é uma peça de um quebra-cabeça que ajuda a entender o melhor Atlético Mineiro da história na cabeça do torcedor.

    Como o Portal Camisa12 montou esta lista de jogadores históricos do Atlético Mineiro

    Antes dos nomes, vale alinhar o critério: papo reto com a Massa. Pensamos cinco aspectos que, somados, explicam o tamanho de um ídolo: qualidade técnica (o teto que alcançou no Galo), peso em jogo grande (clássicos, finais, noites de Libertadores), decisões e títulos, longevidade/consistência e identificação com a torcida.

    Não é nostalgia pura, afinal, a torcida do Galo merece uma visão realmente apurada dos atletas que são referência em sua história secular.

    O que conta de verdade (resumo do método)

    • Pico técnico com a camisa alvinegra, não a carreira inteira fora do clube;
    • Momentos de decisão (gols, defesas, assistências, liderança);
    • Tempo e regularidade no time;
    • Conexão com a torcida: aquele que faz Massa abraçar.

    Top jogadores do Atlético-MG (lista comentada do Portal Camisa12)

    Antes dos perfis: não é ranking matemático. É uma ordem afetiva guiada por impacto. Cada nome citado aqui tem seu momento marcante na história do Galão. Seja jogador “da antiga”, ou recém-passado pelo clube, cada um tem sua relevância.

    Reinaldo — o Rei que virou sinônimo de 9
    Artilheiro histórico do clube e estética de gol que atravessou gerações. Nos 70/80, transformou finalização em linguagem própria e colocou o Galo no mapa da bola bem jogada.
    Por que marcou: redefiniu o que é ser centroavante no Brasil; símbolo cultural, não só estatístico.

    Toninho Cerezo — o cérebro do meio-campo
    Volante-meia que ditava ritmo, verticalizava e organizava. O jogo respirava no compasso dele.
    Por que marcou: elevou o padrão do setor e virou referência de inteligência tática.

    Éder Aleixo — a canhota que calava estádio
    Velocidade, ousadia e a falta que parecia pênalti. Quando armava o chute, o Mineirão ficava em silêncio por um segundo.
    Por que marcou: repertório técnico raro em jogo grande e gols de placa.

    Dadá Maravilha (Dario) — carisma e bola na rede
    Centroavante oportunista, folclórico, dono de frases que viraram parte do futebol brasileiro.
    Por que marcou: empilhou gols decisivos e deu ao ataque uma personalidade própria.

    João Leite — o guardião da longevidade
    Recordista de jogos, sinônimo de segurança por anos. Representa a escola de goleiros do clube em alto nível.
    Por que marcou: constância absurda e identificação com a Massa.

    Ronaldinho Gaúcho — a chavinha continental
    Chegou pra mudar mentalidade e empurrar o Galo ao topo da América. Não foi sobre quantidade de jogos, e sim sobre peso específico.
    Por que marcou: trouxe aura de campeão e destravou confiança em noite grande.

    Victor (“São Victor”) — o milagre que virou mantra
    A defesa do pênalti contra o Tijuana entrou no folclore. De quarta à noite a final, ele aparecia quando o coração acelerava.
    Por que marcou: goleiro de decisão; o “Eu Acredito” ganhou rosto.

    Réver — capitão técnico de zaga campeã
    Zagueiro de saída limpa, leitura de jogo e liderança silenciosa. Também deixou gol importante em noite pesada.
    Por que marcou: pilar defensivo em campanhas históricas.

    Leonardo Silva — o tempo de bola que decide taças
    Dominante pelo alto, posicionamento exemplar, cabeceios que mudaram finais.
    Por que marcou: bola parada virou arma letal com assinatura própria.

    Diego Tardelli — QI de jogo e gol em clássico
    Atacante versátil, inteligente, de duas passagens marcantes. Entendia o jogo e aparecia onde o time precisava.
    Por que marcou: presença em decisões que definem temporadas.

    Jô — o 9 do ano mágico
    Movimentação, pivô e faro de gol em mata-mata; encaixe perfeito com R10 e Tardelli. Foram 39 gols em 167 partidas.
    Por que marcou: letal na América; rosto ofensivo de uma campanha inesquecível.

    Bernard — a ousadia da base que encantou
    Cria do clube, leve, vertical, corajoso em jogo grande. Virou símbolo de um time que jogava solto e com a famosa “alegria nas pernas”.
    Por que marcou: identidade alvinegra em alta rotação.

    Marques — elegância que a Massa abraçou
    Drible curto, tomada de decisão limpa, bola no ângulo. Ícone de identificação no início dos anos 2000.
    Por que marcou: conexão afetiva rara; classe a serviço do gol.

    Luan (“Menino Maluquinho”) — energia que vira virada
    Pulmão do time, leitura de transição e gol que abre caminho em jogo amarrado.
    Por que marcou: muda ambiente; contagia arquibancada e vestiário.

    Hulk — potência moderna, liderança e números
    ídolo da história atual do clube. Gols, assistências, prêmios individuais e fome competitiva. Fez do Mineirão palco de rotina decisiva.
    Por que marcou: referência técnica do ciclo recente; padrão de excelência.

    Paulinho — faro de área com leitura de espaço
    Ataca o espaço, aparece no segundo pau, decide em série. Dupla afinada com Hulk. Que saudade, hein?
    Por que marcou: produtividade alta e timing cirúrgico.

    Pierre — ordem no caos
    Volante que equilibra setores, conversa com a zaga e dá plataforma pros artistas brilharem. Esse já carregou muito piano nas costas.
    Por que marcou: estabilidade competitiva em jogos quentes.

    Paulo Isidoro — visão e cadência
    Meia que pensava dois lances à frente; acelerava e pausava com maestria. Quem é mais velho sabe o que estamos falando. Se você é “novinho” e não conhece essa lenda, então veja os melhores lances do meio-campista no Youtube.
    Por que marcou: referência técnica de uma era talentosa.

    Guilherme Arana — lateral moderno com peso competitivo
    Amplitude, chegada forte à linha de fundo e leitura por dentro quando precisa.
    Por que marcou: peça-chave em elencos que brigaram no topo.

    Gilberto Silva — manual de posicionamento
    Volante de elite, simples e eficiente; cobertura limpa e jogo sempre bem lido.
    Por que marcou: deu lastro tático e maturidade à equipe.

    Menções honrosas: Kafunga; Cincunegui; Nelinho (passagem marcante); Marcos Rocha; Dátolo; Pratto; Keno; Allan; Vargas. Se o seu ídolo não está aqui, comenta — a ideia é somar memória.

    E claro: sabia que existe uma lista de ídolos do Atlético Mineiro diretamente no site do clube? Tá na hora de conferir!

    Eras que moldaram o Galo

    Toda lista de lendas do Atlético Mineiro faz mais sentido quando a gente olha para o contexto. Três fases explicam bastante do que a Massa sente até hoje.

    A Era do Rei (anos 70/80)

    Com Reinaldo, Cerezo e Éder, o Galo vira referência ofensiva no país: bola no chão, imposição técnica, respeito de ponta a ponta. A imagem de um time protagonista nasce aqui.

    A Noite dos Milagres (América no horizonte)

    O pênalti do Victor contra o Tijuana vira rito de passagem. Ronaldinho muda mentalidade, a torcida abraça o impossível, e a expressão “Eu Acredito” deixa de ser frase: vira cultura.

    O Ciclo Recente (potência e constância)

    Com Hulk liderando, o clube reassenta seu lugar de protagonista doméstico. O elenco encorpa, a decisão vira rotina, e a cobrança aumenta.

    O melhor Atlético Mineiro da história (11 ideal do Portal Camisa12)

    Antes da escalação, o conceito: juntar encaixe tático com memória afetiva e variedade de recursos. É um time que você reconhece no primeiro toque. Claro que não foi fácil montar a escalação dos 11 melhores jogadores da história do Atlético-MG, mas, como somos loucos por futebol, fizemos uma curadoria com muito carinho.

    Ideia e desenho
    Time com uma saída de jogo limpa, meio inteligente, um 10 livre pra criar, amplitude com canhotaço e um 9 que finaliza a ópera (enquanto o segundo atacante ataca o meio-espaço com potência).

    • Escalação (4–3–3)
    • Goleiro: Victor
    • Laterais: Marcos Rocha (LD), Guilherme Arana (LE)
    • Zaga: Réver e Leonardo Silva
    • Meio: Toninho Cerezo (1º homem), Paulo Isidoro (interior), Ronaldinho (livre)
    • Ataque: Éder Aleixo (ponta), Reinaldo (9), Hulk (2º atacante)

    Banco forte: João Leite, Pierre, Bernard, Tardelli, Jô, Luan, Paulinho, Gilberto Silva, Marques. Só ajustar conforme o rival e o contexto do jogo.

    Momentos eternos (lances que viraram patrimônio)

    Antes dos lances, um aviso: todo torcedor tem a própria “biblioteca afetiva”. Estes são os capítulos que aparecem em 10 de cada 10 conversas.

    O pênalti do Tijuana
    “São Victor” salva, o Horto explode e o “Eu Acredito” vira assinatura. É a cena que todo atleticano sabe de cor.

    A cabeçada que decidiu
    Leonardo Silva no tempo certo, bola no barbante, final na mão. A bola aérea do Galo dos grandes dias.

    O Rei em estado de arte
    Sequências de gols e atuações que fizeram Reinaldo transcender o número da camisa e virar escola.

    FAQ — dúvidas rápidas

    Antes das respostas, o espírito: é guia de torcedor para torcedor. Sem dogma, com contexto.

    Quem é o maior ídolo do Atlético-MG?
    A maioria aponta Reinaldo. Em tempos recentes, Victor e Hulk foram alçados a esse patamar.

    Quem tem mais jogos pelo Galo?
    João Leite é o recordista de partidas e referência de longevidade.

    Quem simboliza a campanha da América?
    O conjunto pesa, mas Ronaldinho (liderança técnica) e Victor (clutch) cristalizam a memória, com Jô, Tardelli, Réver, Leonardo Silva e Bernard como sustentação.

    Portal Camisa12 em campo: curtiu? Salve este guia, manda pro amigo de resenha e pense aí nos jogadores do Atlético Mineiro que se tornaram ídolos, pois a sua lista pode ser diferente da nossa.

  • Mundial de Clubes de 1951: Reconhecimento e bastidores do título

    Mundial de Clubes de 1951: Reconhecimento e bastidores do título

    A disputa da Copa Rio de 1951 segue sendo um dos assuntos mais polêmicos do futebol brasileiro, principalmente pelo debate nacional em torno do reconhecimento do título mundial que os torcedores do Palmeiras garantem ter, coisa que todo mundo discorda. Campeão do torneio, o clube alviverde até tentou ser reconhecido pela FIFA como “campeão mundial”, mas, como a entidade nunca validou esse pedido, se tornou motivo de chacota, com direito a musiquinha tirando sarro.

    Mas, antes de tudo, o Camisa 12 vai contextualizar todas as informações da Copa Rio de 1951, desde sua criação até os resultados que consagraram o Verdão como o vencedor final da competição. Com base nisso, você decide de qual lado escolherá.

    A ideia de criar um Mundial de Clubes surgiu da própria FIFA, no início dos anos 1950, por conta do relançamento da Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil, depois de um longo tempo interrompido por conta da Segunda Guerra Mundial. Ou seja, a entidade queria suprir os anos que a competição ficou parada e, para que o futebol voltasse a ser “moda”, estava imaginando a criação de uma nova competição, mas, desta vez, com clubes e não seleções.

    Contudo, quem decidiu desenvolver a disputa foi a Confederação Brasileira de Desportos (CDB), entidade que comandava o futebol brasileiro antes da CBF. Nomeada como Copa Rio Internacional, a competição foi estruturada para ocorrer em julho, tendo como objetivo reunir apenas agremiações campeãs dos países que participaram da Copa do Mundo entre seleções.

    Na época em que inventaram criar esse novo torneio, vários jornalistas questionaram ao então presidente da FIFA, Jules Rimet, sobre qual seria o envolvimento da entidade na preparação do campeonato, e, de imediato, ele respondeu que não estavam colaborando. Contudo, no ano seguinte à realização da Copa Rio, o próprio Jules Rimet concedeu uma entrevista ao jornal Sports, declarando que a criação e organização de uma competição não precisaria de um aval oficial da FIFA, principalmente quando se trata de um torneio disputado por clubes.

    Na época, o objetivo da CDB era evitar que os brasileiros perdessem o encanto pelo futebol, principalmente após a final da Copa do Mundo de 1950, quando perderam por 2 a

    1 para o Uruguai, em pleno Maracanã lotado, e que até hoje é conhecida por “Maracanazo”, a segunda maior vergonha da Seleção Brasileira, já que a primeira foi o 7 a 1 para a Alemanha, no Mineirão, na semifinal de 2014.

    De forma independente, a CBD enviou convites para as equipes que eles gostariam que participassem, distribuindo-as em dois grupos:

    Grupo Rio de Janeiro: Vasco da Gama, Áustria Viena (AUT), Nacional (URU) e Sporting
    (POR).

    Grupo São Paulo: Palmeiras, Juventus (ITA), Nice (FRA) e Estrela Vermelha-SRB.

    Após toda a disputa da fase de grupos, Palmeiras, Vasco, Juventus e Áustria Viena avançaram às semifinais e, após os confrontos, sobraram apenas os italianos e paulistas, que garantiram vaga na grande final e decidiriam o título.

    Decisão

    A grande final da Copa Rio de 1951 foi disputada entre Palmeiras e Juventus, com jogo de ida e volta, com um leve favoritismo por parte da torcida para o time brasileiro. Por que será, hein? No primeiro confronto, o Verdão venceu por um placar simples de 1 a 0, mas o bastante para garantir a vantagem do empate para a partida de volta. E parece que os paulistas estavam dispostos a conseguir esse resultado, visto que o segundo jogo terminou em 2 a 2, agremiação alviverde consagrada a campeã da primeira edição do torneio.

    Na época, a imprensa brasileira destacava o grande feito do Palmeiras, frequentemente se referindo ao clube, em suas manchetes, como “campeão mundial”. Muitos desses veículos de comunicação chegaram a considerar o título alviverde como o maior feito do futebol nacional, superando até a conquista do Vasco, em 1948, quando o Cruzmaltino venceu o Campeonato Sul-Americano de Campeões.

    Passada as comemorações, chegou a época do Palmeiras lutar para ser reconhecido como campeão mundial, já que, para muitos, a Copa Rio de 1951 foi a primeira Copa do Mundo de Clubes da história. É importante ressaltar que o Verdão tentava desde 2001.

    Os dirigentes alviverdes tentaram dar “uma cartada” em março de 2007, apresentando um fax enviado e assinado pelo então secretário-geral da FIFA, Urs Linsi, ao presidente da CBF na época, Ricardo Teixeira. No documento, a entidade reconhecia a edição da Copa Rio organizada em 1951 como a primeira versão de um Mundial de Clubes. O Palmeiras chegou a comemorar (novamente) este feito e anunciou novas festas pela confirmação, mas a alegria tinha data de validade.

    Por conta da repercussão do caso, onde outras equipes buscavam um reconhecimento semelhante e temendo que a situação se alastrasse e gerasse mais pedidos, foi decretado que o reconhecimento estava suspenso, e, mais uma vez, o Palmeiras
    precisaria correr atrás do seu tão sonhado título mundial. Mesmo com todos esses pedidos, dossiês, documentos comprovatórios, a FIFA não considera oficialmente a Copa Rio de 1951 como um Mundial de Clubes, nos moldes que eram disputados até 2024.

    Mudança da FIFA

    Recentemente, a FIFA decidiu fazer uma reclassificação no antigo formato do Mundial de Clubes como “Intercontinental”, o que afetaria todos os clubes que já conseguiram vencer a competição entre vários clubes do planeta. A entidade máxima do futebol oficializou a atual Copa do Mundo de Clubes como a única competição válida para definir o campeão mundial. Por conta disso, apenas o Chelsea, vencedor da edição de 2021 e concorrente
    do novo torneio, foi declarado como o primeiro e, até o momento, único campeão do novo formato.

    Com a mudança, os torcedores palmeirenses possuem a chance de retribuírem as zoações dos adversários, visto que agora nenhum time brasileiro conseguiu conquistar o mundo (pelo menos por enquanto).

    Com isso, você, torcedor palmeirense, já comece a fazer a lei da atração e a se preparar para mais uma possível festa para comemorar o título mundial. Mas é importante sempre lembrar: NÃO DEIXE DE ACOMPANHAR O CAMISA 12.

  • Independente: torcida que virou símbolo de paixão ao Tricolor

    Independente: torcida que virou símbolo de paixão ao Tricolor

    “Lê lê ô. Lê lê lê ô. Torcida Independente é a força tricolor”. Essa música é praticamente um hino da maior organizada do São Paulo Futebol Clube. A Independente é o pulmão que não cansa. Quem cresceu indo ao Morumbi sabe: tem dia que o jogo vira ali atrás do gol, no grito teimoso que não aceita a derrota.

    É faixa, bandeirão, bateria e uma ideia que veio pra ficar desde 1972. Aqui o papo é de arquibancada, bem são-paulino, com informação de quem respeita a história: fundação, rituais, cantos”, rivalidades, as brigas que marcam cicatrizes e lições, os eventos e caravanas, loja e cadastro pra quem quer entrar no miolo da comunidade.

    Independente: fundação da torcida em 1972 – o dia em que a arquibancada escolheu ser dona do próprio passo

    Vamos falar como se a gente estivesse na lanchonete da esquina depois do jogo, beleza? Antes de virar símbolo do Morumbi, a Independente foi atitude. No começo dos anos 70, tinha uma rapaziada que vivia o São Paulo por dentro, sabia onde doía e onde brilhava.

    Essa turma olhou pra arquibancada e pensou: dá pra fazer mais. Não era birra, era visão de quem amava o Tricolor. Tinha ruído com a TUSP, tinha vontade de organizar melhor, tinha fome de autonomia. A decisão foi simples no papel e gigante na prática: criar uma organizada com nome, corpo e rotina. A própria “Indê” conta isso na história da torcida.

    Estatuto, sede, bateria, escala de mastro, revezamento de instrumentos, cada um com função. E um código que todo mundo aprendia rápido: chegar cedo, ocupar o setor, cantar o jogo inteiro, guardar o material como quem guarda taça. Sem glamour. Mó trampo.

    Imagina a cena. Terça à noite, gente saindo do serviço e indo pra sede costurar faixa. Quarta, ensaio de bateria no eco da sala, acerto de virada, escolha de coro. Quinta, vaquinha pra comprar tecido, tinta, cabo, fita.

    Sexta, corre da caravana, lista de presença, quem leva o surdo, quem pilota a Kombi. Sábado, arrumar tudo, combinar entrada, revisar recado. Domingo, o show. Quando a bola rola parece fácil, mas todo gol cantado nasceu de semana puxada. É por isso que a Torcida Organizada Independente virou mais que nome. Virou “um sentimento que jamais acabará”.

    O mapa sem placa do Morumbi

    Quem é da casa sabe. O estádio tem a tal da geografia afetiva. A área da Torcida Independente é o ponto de encontro de quem foi pra torcer de verdade. É dali que sai a pulsação que organiza a cabeça do time e encurta a perna do adversário.

    Corredor do bandeirão

    É a avenida da festa. Pano pesado, dobra certa, sinal de mão, respiro combinado. Quando abre, vira teto. Quem fica embaixo sente outro clima. Não é só bonito. É pertencimento.

    Espaço da bateria

    Não é apenas espalhar instrumento e pronto. Tem desenho de som. Surdo marcando passo, caixa guiando, repique chamando detalhe. Cada peça num ponto pra não embolar. Fecha o olho e você aponta de onde vem a virada.

    Área da faixa

    Ali é conversa. Pode ser abraço num moleque da base, pode ser cobrança em semana ruim, pode ser a ironia que a cidade inteira vai repetir na segunda. Não precisa exagerar. Precisa de timing.

    As brigas da Independente que marcaram a memória

    Torcida organizada é feita de gente de verdade. Tem um capítulo lindo, mas também tem cicatriz. Abaixo, as brigas principais que viraram divisor de águas — sem romantizar nada, porque briga não é troféu, é trauma.

    1995 — “Batalha do Pacaembu” (Palmeiras x São Paulo, final da Supercopa de Juniores)

    Clima tenso, Pacaembu em obra, muita coisa solta no entorno. A confusão estoura e vira confronto generalizado entre Mancha Verde e Independente. O saldo é pesado: um torcedor do São Paulo morto, Márcio Gasparin da Silva (16 anos), e mais de 100 feridos (relatos variam entre 101 e 102). O caso virou marco no país.

    Consequências imediatas: o Ministério Público de SP pediu a extinção das duas organizadas; depois, elas voltaram com novos arranjos jurídicos e nomes (Mancha Alvi Verde e Torcida Tricolor Independente). O episódio também abriu caminho pra um pacote de restrições e maior controle estatal sobre torcidas. Anos depois, esse histórico ajudou a pavimentar a adoção de torcida única em clássicos paulistas.

    Saiba mais sobre esse triste capítulo nesta reportagem da Isto É.

    2016 — Confusão no entorno do Morumbi (SPFC x Atlético Nacional, Libertadores)

    Após o jogo, rola choque entre Independente e Polícia Militar nos arredores do estádio. O blog do Perrone (UOL) registrou as duas versões: de um lado, Baby (líder da organizada) acusando abordagem agressiva da PM; do outro, o 2º Batalhão de Choque relatando policiais feridos e negando premeditação da torcida. Fica o registro do confronto e da disputa de narrativas.

    2019 — Briga interna na Praça da República (SP)

    Não foi contra o rival: grupos da própria organizada entram em confronto no centro de São Paulo, poucas horas antes de um jogo no Morumbi. A ESPN reportou mais de 400 envolvidos e 7 detidos. Caso dolorido pra quem ama a cultura de arquibancada, porque mostra que vigilância interna e acolhimento de novato não são detalhe: são necessidade.

    2016 em diante — “Torcida única” nos clássicos paulistas

    Por causa de repetidos episódios de violência, o Estado adota torcida única nos clássicos a partir de abril de 2016. Debate é quente até hoje: segurança versus perda de essência. Fato é que a medida nasceu como resposta direta a um acúmulo de brigas — e segue sendo defendida pelo MP-SP como prevenção. Houve exceções pontuais, mas a regra geral ficou.

    O que a torcida fez com isso (e por que importa)

    Não tem como falar só da festa e fingir que as cicatrizes não existem. A reação da comunidade, ao longo do tempo, passou por regras internas mais firmes, parceria com quem organiza caravana, orientação de setor, acolhimento de quem vai pela primeira vez e menos espaço pra “herói” fora de hora. Quando passa do ponto, perde todo mundo: família se assusta, criança deixa de ir, o futebol fica menor.

    Em paralelo, a Independente manteve e ampliou o lado que quase não aparece na TV: o Departamento Social. Tem rotina semanal de doação de refeições a pessoas em situação de rua, com registros de noites passando das 400 marmitas distribuídas num único plantão. Também rolam campanhas de inverno, brinquedos e kits de higiene pelos núcleos regionais.

    Projetos sociais da Torcida Independente: a ponte com a cidade

    Torcer também é olhar pra rua. A Independente tem rotina semanal de doação de refeições para pessoas em situação de rua toda quinta-feira, no Centro de São Paulo. Não é um evento isolado; é um calendário.

    “Se cada UM fizer um pouquinho.. JUNTOS, faremos muito!”

    E tem número prático: em posts do Departamento Social, aparecem registros de 400 refeições distribuídas em uma única noite fria — tudo feito com um time de voluntários, insumo arrecadado e muito corre. É o tipo de ação que pouca gente vê, mas que quem recebe não esquece.

    Além das marmitas, os núcleos regionais fazem campanhas de agasalho, brinquedos e kits de higiene ao longo do ano. A regra é direta: quem não pode estar na rua, ajuda no PIX, carrega, divulga, faz ponte. (As agendas sociais e os contatos aparecem nos perfis oficiais do Departamento Social.)

    Escola de samba: Independente Tricolor, do setor ao Anhembi

    A escola nasceu como extensão cultural da arquibancada e ganhou CNPJ próprio, barracão e calendário. Fundada em 13 de outubro de 2010, a Independente Tricolor carrega as cores vermelho, branco e preto e é oriunda da Torcida Tricolor Independente.

    Identidade e bastidores

    Sede na Vila Guilherme, bateria ensaiando forte, alas que misturam comunidade e quem vem do futebol. Na diretoria, o “Batata” (Alessandro O. Santana) virou referência de gestão recente; a escola se organiza de barracão, quadra, projetos e comunicação própria.

    Da estreia às noites grandes

    Depois de começar nos grupos de base, a Independente Tricolor viveu seu momento de vitrine ao desfilar no Grupo Especial em 2018. Foi um ano de aprendizado duro: rebaixamento e retorno ao Acesso no ciclo seguinte.

    Hoje, o foco

    O projeto segue competitivo no Acesso 1 com enredos autorais, ala musical experiente e barracão que vem ganhando corpo a cada temporada.

    No papel e na prática, a escola mantém o DNA de arquibancada, mas trabalha com cabeça de carnaval: cronograma, comissão de carnaval, comunidade perto e pé no chão para voltar ao Especial.

    Apito final: por que a Independente segue símbolo de paixão

    Da ata de 1972 ao corredor do bandeirão, a torcida Independente construiu uma cultura que não depende do placar. Organização, ensaio, logística, código de setor. O estádio reconhece pelo som antes de ler a faixa. É a arquibancada que trabalhou na terça, arrecadou na quinta, viajou no sábado e cantou no domingo. Festa com método, emoção com roteiro.

    As cicatrizes existem e não são rodapé. O Pacaembu de 1995, os choques mais recentes, as brigas internas. Tudo isso cobrou revisão de rota: regras mais firmes, acolhimento de novato, parceria em caravana, vigilância interna.
    O recado ficou claro para quem ama o São Paulo e a arquibancada de verdade: provocação faz parte, violência não. Quando passa do ponto, perde o futebol inteiro.

    Ao mesmo tempo, a Independente ampliou o que a TV quase não mostra: projetos sociais semanais, campanhas de inverno, kits de higiene, núcleos mobilizados pela cidade. É uma torcida que vira ponte. E quando a cidade se sente cuidada, o estádio canta mais alto. O ciclo se fecha.

    A Independente segue símbolo porque não terceiriza o que acredita. É barulho com propósito, memória com responsabilidade, São Paulo no centro. Apita o juiz e a turma ainda está lá, guardando faixa como troféu, pronta para a próxima noite.

  • A cultura das torcidas organizadas e sua influência dentro e fora dos estádios

    A cultura das torcidas organizadas e sua influência dentro e fora dos estádios

    Representando identidade, pertencimento e paixão por um clube, as torcidas organizadas são um fenômeno sociocultural que demonstravam que o amor iria muito além dos 90 minutos disputados em uma partida de futebol. Contudo, a situação mudou com o tempo e as uniformizadas passaram a ter ligações com incidentes de hooliganismo e violência no futebol, transformando totalmente a imagem criada inicialmente.

    Utilizando a justificativa de ajudar o time com a ter forças em campo e intimidar o adversário, seu objetivo principal é apoiar os seus devidos clubes. Mas por conta da violência constante ligada as torcidas organizadas, o governo brasileiro estabeleceu o Estatuto do Torcedor, lei que regulamenta as uniformizadas, dando-lhes direitos e deveres à serem seguidos.

    Por conta sua forte influência dentro e fora dos estádios, o Camisa 12 vai ter explicar todas as nuances deste tema, que deveria ser mais evidente no país.

    Origem

    Parte da história do futebol brasileiro, as torcidas uniformizadas começaram a aparecer no início dos anos 1940, porém foi na década de 60 que elas conseguiram ganhar mais visibilidade, mas de uma maneira positiva. Graças ao espetáculo nas arquibancadas, as organizadas transformam o ambiente em algo vivo, parecendo um coração pulsante, com cantos durante toda a partida, faixas e bandeirões, acabando com o falta de entusiasmo
    do local.

    Habitualmente com códigos próprios, vestimentas, normas de conduta e até mascote próprio, as associações transformaram rapidamente em empresas, que começaram a comercializar este amor com produtos próprios.

    Ao longo das décadas seguintes, as organizadas começaram a se envolver em campanhas beneficentes, arrecadando doações de alimentos e roupas, além de apoiar causas sociais, transformando-se em um agente social ativo nas comunidades e
    participando cada vez mais das ações dos clubes.

    Violência e rivalidade extrema

    A rixa entre os clubes saiu de dentro do campo para as arquibancadas, chegando a ultrapassar as paredes dos estádios. Muitas torcidas participam de confrontos desde brigas entre membros de torcidas rivais, até confrontos com a polícia, que incluem depredação do patrimônio público, tornando-se tornando cada vez mais constantes nos noticiários.

    É importante salientar que os embates entre as torcidas não são acidentais ou despretensioso, e sim marcados com antecedência pelas redes sociais ou grupos fechados. Esses choques ocorrem por muitas vezes longe dos estádios, em pontos
    bastante movimentados, como: estações de metrô, terminais e pontos de ônibus, além dos arredores que dão acesso aos estádios, tornando a situação bastante complicada para as autoridades tentar controlar a situação.

    Por conta desses problemas, os estádios se tornaram um lugar hostil, afastando as famílias, crianças e boa parte da torcida por conta da violência, prejudicando a imagem da modalidade.

    Em alguns clássicos nacionais, as autoridades exigem que a disputa tenham apenas uma torcida nas arquibancadas, evitando confrontos (pelos menos nos estádios), arruinando o espetáculo.

    Casos extremos

    Infelizmente alguns casos terríveis ficaram marcados na história do futebol brasileiro, episódios esse que, mostram o quanto essa ideia de rivalidade transformam o amor pelo esporte em uma tragédia.

    Batalha do Pacaembu, em 2012 – No clássico paulista entre Palmeiras e Corinthians, as uniformizadas se enfrentaram nas arquibancadas e nos arredores do Pacaembu. Entre as cenas captadas pela mídia, a selvageria rolava solta com cadeiras arrancadas e brigas cara a cara, interrompendo a partida em certo momento.

    Confronto na Arena Joinville, em 2013 – Durante uma partida decisiva que poderia decretar o rebaixamento do Vasco, membros das organizadas do Cruzmaltino e do Athletico-PR batalharam dentro do estádio, com agressões brutais, utilizando pedras, paus e muito sangue jorrando no gramado, um verdadeiro show de horrores. As imagens chocaram o Brasil, interrompendo o confronto por mais de uma hora.

    Caso do vaso sanitário, em 2014 – Um dos incidentes mais chocantes sobre brigas entre torcidas organizadas, é a morte de Paulo Ricardo Gomes da Silva, atingido por um vaso sanitário durante um confronto aos arredores do Estádio do Arruda.

    Integrante da Torcida Jovem, organizada do Sport, Paulo foi apoiar uma torcida “irmã”, durante o jogo entre Santa Cruz e Paraná, pela terceira rodada da Série B. Após o fim da partida, o rapaz de 26 anos foi mortalmente atingido por um vaso sanitário, arremessado durante o confronto. Três pessoas foram condenadas por homicídio consumado.

    Esses são apenas alguns dos milhares de exemplos que são vistos ao longo dos anos, demonstrando toda periculosidade que alguns atos mascarados de amor podem acarretar.

    O prejuízo à imagem do futebol, as torcidas organizadas é um problema real e grave, porém não podem ser generalizadas e não incriminar pessoas que tentam dar brilho as arquibancadas. É importante ressaltar que a maioria dos membros não participam ativamente dos atos de violência, mas que são marginalizados por muitas vezes pela mídia e boa parte da opinião pública, dificultando o diálogo e reconhecimentos de atitudes sociais positivas.