O sonho da casa própria do Flamengo está mais perto de se tornar realidade. Em reunião do Conselho Deliberativo (CoDe), a diretoria apresentou os detalhes do projeto para a construção do seu novo estádio, que será no terreno do Gasômetro, no Rio de Janeiro.
Os detalhes foram revelados pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, na quarta-feira (17). A seguir, saiba mais sobre o projeto:

Capacidade do novo estádio do Flamengo
O estádio terá capacidade para 72 mil torcedores, um número ligeiramente menor que o do Maracanã, mas que ainda assim garante um espaço imponente para os jogos do clube.
Atualmente, mesmo com a capacidade de quase 78 mil do Maracanã, a venda de ingressos é limitada a cerca de 70 mil.
Qual o custo e o prazo do projeto?
O custo estimado para a construção do estádio é de R$ 2,2 bilhões. Esse valor abrange todas as etapas, desde o terreno e a construção da arena, até custos de contingência e de capital.
O estudo da FGV, por exemplo, apontou um custo de R$ 2,66 bilhões, sem incluir o custo de capital. Com a simulação de juros, o valor total poderia ultrapassar a marca de R$ 3 bilhões.
O prazo de conclusão, que antes era 2029, foi revisto e agora a previsão é que seja finalizado em junho de 2036.
Detalhes do projeto do estádio do Flamengo:
- Estimado de 72 mil lugares, com foco na redução de assentos premium e ajuste de projetos para melhorar a viabilidade;
- Custo estimado de R$ 2,2 bilhões, incluindo o estádio, contingências, terreno e custo de capital;
- Prazo de conclusão estimado em Junho de 2036;
- Financiamento viável na geração de recursos internos;
- Foco também na melhora da receita operacional e rentabilidade, sem gerar impacto na performance esportiva.
Nota do Flamengo sobre o estádio na íntegra:
“Na noite desta quarta-feira (17/09), o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, apresentou ao Conselho Deliberativo, junto com Alexandre Rangel, sócio da RRA Consultoria, e Ricardo Simonsen, Henrique Castro e Bauer Rachid, da FGV Conhecimento, as conclusões dos estudos de campo de sondagem, arbóreo, topografia, patrimônio histórico e descontaminação do terreno do Estádio do Gasômetro, realizado por cinco empresas contratadas.
O trabalho da atual gestão, iniciado há sete meses, teve como premissa fundamental viabilizar a construção de um estádio próprio sem que o clube precise se tornar uma SAF e sem comprometer o desempenho esportivo. Para isso, foram adotadas medidas como a criação de um time exclusivo de gestão do projeto, a recontratação da Arena – responsável pelo projeto inicial – para apoio técnico, a condução do estudo de viabilidade pela FGV, a realização de análises aprofundadas do terreno, a resolução de pendências com AGU, Prefeitura e Naturgy, além da avaliação de alternativas de estádio.
Nesse período, uma equipe de especialistas se dedicou a desenvolver um projeto viável, corrigindo distorções de origem que envolviam custos subestimados, prazos irreais, receitas superestimadas e um modelo de financiamento insustentável.
Ricardo Simonsen, diretor técnico, e Henrique Castro, professor de Economia da FGV EESP, detalharam como os custos foram subestimados no projeto apresentado. A FGV calculou o custo final atualizando a inflação, contingências, e insumos em R$ 2,66 bilhões. Com a inclusão do custo de capital o valor total do estádio é de R$ 3,1 bilhões. O valor apresentado pela gestão anterior na proposta orçamentária era de R$1,9 bilhão.
Além disso, as receitas projetadas foram superestimadas. Segundo a análise da FGV, o plano considerava um valor médio de ingresso de R$ 195,44 — mais que o dobro da média atual —, com 30% dos assentos classificados como VIP ou Premium, o dobro do que existe hoje no Maracanã. Foi planejado um estádio complexo e elitizado. Também estavam inflados patrocínios de R$ 60 milhões e a antecipação da receita de Naming Rights. Além disso, os valores das CPACs, estimados inicialmente em R$ 552 milhões, foram recalculados pela FGV para R$ 194 milhões.
Os prazos também foram revistos. O cronograma original ignorava etapas essenciais, como o remanejamento da Naturgy, que ocupa hoje 55% do terreno, com uma subestação de bombeamento de gás para a região metropolitana do Rio de Janeiro. Conforme o comunicado da Naturgy enviado ao Flamengo em 10 de setembro de 2025, o tempo estimado de remanejamento é de quatro anos, após a obtenção de novo endereço para a instalação da subestação, a cargo da Prefeitura.
Segundo a Aecom, empresa contratada para planejar as estratégias de descontaminação, existem 21 estudos públicos que demonstram a complexidade da contaminação do terreno, tornando o prazo de cinco meses de descontaminação propostos no planejamento de 2024 irreais. Além disso, o relatório preliminar da FGV apontou um prazo para a descontaminação entre 18 e 24 meses, após a saída da Naturgy. Sem essa etapa, não há a possibilidade de obter as licenças necessárias para iniciar a construção.
Na prática, isso significa que a obra não poderia começar em menos de seis a sete anos, aos quais se somariam outros três anos de construção — projetando a entrega do estádio a partir de 2034, o que torna o prazo de inauguração em dezembro 2029 previsto pela gestão anterior completamente irreal.
A fim de viabilizar o estádio, os especialistas da FGV e Arena apresentaram proposta de novo projeto, baseado em premissas mais realistas e com perfil mais popular e identificado ao Flamengo.
Antes de encerrar a reunião, o presidente Bap apresentou os próximos passos. No curto prazo, o foco será o acompanhamento do processo de remanejamento da Naturgy junto à Prefeitura, a demolição e limpeza do terreno sob responsabilidade do Flamengo, o acompanhamento da aprovação legislativa das CPACs e a assinatura do Termo Definitivo com a AGU, a Caixa e a Prefeitura. Já no médio e longo prazo, a prioridade será a estruturação do projeto executivo para a construção do estádio.“












