Ir ao estádio não é só assistir ao jogo: é viver um espetáculo que mistura paixão, cor, som e movimento. No Portal Camisa 12, gostamos de dizer que a arquibancada é o palco onde a imaginação do torcedor vira arte.
As mosaicos de torcidas (grandes desenhos formados por placas, bandeiras e cartazes levantados em sincronia) são um exemplo perfeito desse espírito.
Eles transformam a entrada dos times em cenas dignas de cinema, geram provocação saudável entre os rivais e, de quebra, ajudam a empurrar os jogadores rumo à vitória.
Neste artigo, vamos mergulhar nas origens dessa cultura, apresentar os mosaicos que marcaram época e responder às perguntas mais comuns.
Prepare‑se para arrepiar!
O que são os mosaicos de torcidas?
O termo mosaicos de torcidas descreve coreografias coletivas em que milhares de torcedores levantam cartolinas ou bandeiras para formar imagens ou frases nas arquibancadas.
A tradição, que nasceu nos estádios do Leste Europeu e se popularizou com as “torcidas ultras”, chegou ao Brasil há pouco mais de uma década.

Em clubes como Fortaleza, a moda ganhou contornos próprios: a “Equipe Mosaico” começou a montar desenhos em 2012, quando o time ainda estava na Série C; sem patrocínios, eles desenvolviam os projetos “no olho” e, com o tempo, passaram a usar maquetes e plantas da Arena Castelão para planejar efeitos tridimensionais.
Hoje, os mosaicos são financiados por rifas e doações de torcedores, e a criatividade da arquibancada se tornou uma parte integrante do espetáculo.
A ideia por trás de cada coreografia varia: às vezes é um recado para o próprio time (“Jogai Por Nós”), outras vezes é uma cutucada nos rivais. Mas o objetivo principal é sempre o mesmo: mostrar união, emocionar e ser o famoso 12º jogador.
O volante Matheus Jussa, do Fortaleza, diz que sente a torcida “jogando junto” quando vê a festa nas cadeiras.
Outro ídolo, Tinga, lembra que as arquibancadas cheias aumentam não apenas o ânimo dos atletas, mas também as receitas do clube. Com tanta participação, não é exagero afirmar que o mosaico é tão importante quanto um gol.
O maior mosaico do Brasil: tamanho ou criatividade?
Quando se fala em maior mosaico do Brasil, a resposta depende do critério escolhido – número de peças ou impacto visual. Em outubro de 2025, torcedores do Flamengo organizaram uma coreografia gigantesca no Maracanã para o jogo contra o Racing pela Copa Libertadores.
Foram 64 mil placas distribuídas nas arquibancadas, cobrindo praticamente todo o estádio; o ensaio durou dias, e os torcedores repetiram os movimentos para que a imagem ficasse perfeita. Vários portais chamaram a festa de “maior mosaico do novo Maracanã”, tamanha a magnitude.
Outros grandes mosaicos do futebol brasileiro
Mas há outra candidatura ao título. Em novembro de 2024, na final da Copa do Brasil entre Atlético‑MG e Flamengo, os alvinegros apresentaram um mosaico 3D que mostrava três galos – mascotes do clube – projetados no novo estádio Arena MRV.
Thiago Scap, tatuador e líder do Coletivo 1908, afirmou que a obra “foi o maior já feito no Brasil”. O projeto não foi um simples desenho: o ilustrador Will Rios contou que havia várias versões do galo e que se buscou representar a diversidade das mascotes.
Para dar conta da grandiosidade, os voluntários levaram três dias e três noites confeccionando bandeiras, bandeirinhas e testando o efeito 3D no estádio. Quem acompanhou a festa sabe que o resultado foi monumental.
A verdade é que os dois espetáculos mostram caminhos diferentes: o Flamengo apostou em volume (64 mil placas), enquanto o Galo ousou com um bandeirão 3D que ocupava uma área menor, mas que parecia saltar das arquibancadas.
Independentemente do recorde, ambos demonstram como as torcidas brasileiras se superam em logística e criatividade.
Mosaicos de torcidas de futebol no Brasil: conheça alguns dos mais famosos
Fomos atrás dos melhores mosaicos do Brasil. Veja essa lista aí embaixo e fique à vontade para concodar (ou nao).
Fortaleza: pioneirismo e inovação
Antes de Flamengo e Atlético‑MG disputarem o título de “maior mosaico”, a torcida do Fortaleza já chamava atenção pelo nível de detalhe.
A partir de 2012, a Equipe Mosaico desenvolveu desenhos para motivar o time em jogos da Série C. Com o tempo, as coreografias evoluíram; hoje eles usam plantas da Arena Castelão, criam efeitos tridimensionais e não repetem os temas.
Para o duelo das quartas de final da Copa Sul‑Americana de 2024 contra o Corinthians, o grupo planejou um mega mosaico com 3D cobrindo todos os setores. A mobilização financeira acontece com rifas e doações.
O Galo e a arte dos três galos
No empate da final da Copa do Brasil de 2024, o Atlético‑MG mostrou que inovação também passa por contar histórias. O Coletivo 1908 elaborou uma coreografia em que três galos – símbolos do clube – surgiam de um bandeirão 3D.
Segundo o próprio Thiago Scap, o mosaico foi “o maior já feito no Brasil”. Will Rios, artista responsável pela ilustração, revelou que houve a preocupação de mostrar variedades de mascotes e que um dos galos veio semipronto, enquanto outro foi adaptado para o desenho final.
O processo de produção levou várias madrugadas: dezenas de voluntários cortaram, pintaram e colaram as peças até que o bandeirão ficasse pronto. Na hora do jogo, o efeito tridimensional arrancou gritos da torcida e elogios dos adversários.
Botafogo e os mosaicos em movimento
O Botafogo entrou na onda dos mosaicos 3D e foi além: um dos grandes momentos de 2024 ocorreu na 30ª rodada do Brasileirão, contra o Criciúma. A torcida “Ninguém Ama como a Gente” preparou um mosaico em movimento formado por milhares de placas.
Algumas peças permaneciam fixas, enquanto outras eram mexidas conforme instruções dos organizadores. O coletivo, criado em 2017, se inspira na história e nos ídolos do clube, mas também acolhe sugestões enviadas por torcedores pela internet.
O processo de criação, segundo a designer Lara di Mello, envolve desenho, impressão e costura; eles chegam a testar o 3D no estádio antes da apresentação. A coreografia surpreendeu pela animação: na televisão, era possível ver as figuras mudando de posição conforme as placas eram levantadas.
Fluminense, Internacional e o traço argentino
A onda dos mosaicos se espalhou e até torcidas de Fluminense e Internacional seguiram a moda. Gonzalo Rodriguez, ilustrador argentino radicado em Porto Alegre, foi o artista por trás de algumas criações.
No clássico Gre‑Nal, ele desenhou uma imagem 3D do ídolo Valdomiro para a torcida colorada. Rodriguez explica que recebe apenas o conceito: “Eles chegam com o conceito e eu crio. A do Valdomiro fiz o lettering e ficou legal”.
O trabalho leva cerca de uma semana entre desenho, gráfica e costura. A presença de um artista estrangeiro mostra que a cultura dos mosaicos ultrapassou fronteiras e está aberta a diversas influências.
Mosaico mais bonito do Brasil: o coração decide
Se o tamanho gera debate, escolher o mosaico mais bonito do Brasil é ainda mais subjetivo.
Torcedores corinthianos, por exemplo, não cansam de lembrar do mosaico 3D da final do Paulistão de 2015, quando o clube comemorava 105 anos.
Na ocasião, a imagem de um torcedor erguendo a taça do Campeonato Paulista de 1977 tomou conta da Neo Química Arena, acompanhada de fumaça e faixas pretas e brancas.
Muitos consideram essa obra uma obra‑prima: era a primeira vez que se via uma figura humana em 3D, e a mistura de tradição e modernidade emocionou até os adversários.
A mesma arena, conhecida por sediar mais de 36 mosaicos até março de 2025, já recebeu outras obras memoráveis:
- “HEXA” em 2015 – Um desenho que combinava o escudo do Corinthians com a palavra “Hexa”, comemorando o sexto título brasileiro.
- Gavião 3D na final da Copa do Brasil de 2022 – Um bandeirão tridimensional com o símbolo da torcida Gaviões da Fiel, voltado para as câmeras.
- Mosaico do 114º aniversário em 2024 – A frase “Corinthians, 114 anos” saltava das arquibancadas no setor Leste.
- Trono do gavião – Em 2024, uma imagem mostrava o gavião sentado em um trono com duas taças do Mundial e a provocação “o seu maior sonho é o seu pior pesadelo”.
- Consciência Negra – No mesmo ano, o clube homenageou três mulheres negras (Antonia, Elisa e Geni) com um mosaico 3D que trazia a palavra “luta”.
- Final do Paulistão de 2025 – Um desenho que fundia o escudo do clube a um gavião, exibido por 15 minutos.
- Brasileirão 2025 contra o São Paulo – O Mosqueteiro mascote segurava sete imagens históricas (como o 6 × 1 de 2015 e o Rio‑São Paulo de 2002) em uma provocação que chamava o Morumbi de “nosso salão de festas”.
Considerações finais
As mosaicos de torcidas são a prova de que o futebol vai muito além das quatro linhas. Elas misturam arte, paixão, história e rivalidade saudável, criando memórias que ficam para sempre na mente do torcedor.
O Portal Camisa 12 acredita que o debate sobre qual é o maior mosaico do Brasil, o mosaico mais bonito do Brasil ou os melhores mosaicos do futebol é secundário quando comparado ao prazer de ver a arquibancada vibrar em uníssono.
Em tempos em que o futebol é cada vez mais profissionalizado, esses gestos voluntários mostram que o jogo ainda pertence ao povo. Então, da próxima vez que estiver no estádio, olhe ao redor: cada placa levantada é uma peça de um mosaico que conta uma história de amor pelo seu time.

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