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  • Deyverson é anunciado pela LDU e terá novo desafio no futebol sul-americano

    Deyverson é anunciado pela LDU e terá novo desafio no futebol sul-americano

    Quando vi o anúncio de Deyverson como novo reforço da LDU, a primeira reação foi de estranheza. Não pelo nome em si, porque Deyverson é conhecido em toda a América do Sul, mas pelo momento. Estamos a falar de um atacante que vem de um ano ruim, rebaixado com o Fortaleza, com números modestos e desempenho bastante questionado. Ainda assim, olhando com mais calma, a contratação faz mais sentido do que parece à primeira vista.

    A LDU não é um clube qualquer no continente. Vem de uma temporada sólida, foi vice-campeão equatoriano e chegou às semifinais da Copa Libertadores. Se não fosse a virada histórica sofrida diante do Palmeiras, tinha tudo para disputar aquela final. É uma equipe competitiva, organizada e que sabe exatamente onde quer chegar, de volta ao topo das Américas. E é justamente por isso que a escolha por Deyverson chama atenção: a LDU não buscou um atacante em ascensão, mas alguém capaz de decidir jogos grandes.

    E aqui entra o ponto central. Deyverson não é um jogador comum. Ele nunca foi. Tecnicamente limitado em vários aspetos, irregular ao longo da carreira e, muitas vezes, mais falado fora do campo do que dentro dele. Mas há algo que o acompanha desde cedo: o faro para o imprevisível. Em jogos grandes, quando tudo parece perdido, é quando a mágica acontece para o atacante Brasileiro.

    Foi assim no Palmeiras, onde marcou o gol do título da Libertadores de 2021, contra o Flamengo. Foi assim também no Atlético-MG, em 2024, quando não teve números brilhantes, mas foi absolutamente decisivo para levar o time à final da Libertadores. Esse é o Deyverson que a LDU espera encontrar.

    O problema é que o Deyverson de 2025 esteve longe disso. A temporada pelo Fortaleza foi fraca, sem impacto real, culminando num rebaixamento doloroso para o time Nordestino. Não foi apenas uma má fase individual; foi um ano em que tudo deu errado. E isso pesa. Não dá para fingir que não pesa. O atacante chega ao Equador com crédito limitado e muitas dúvidas no ar.

    Ainda assim, existe um fator que pode mudar completamente este cenário: o encontro com Tiago Nunes. A parceria entre pode dar muito certo, e não por acaso. Tiago Nunes é um dos técnicos Brasileiros mais promissores dos últimos anos, fazendo um trabalho quase impecável no time equatoriano. Ele entende o perfil do Deyverson, já que, em 2018 e 2019, comandou jogadores como Rony e Pablo, atletas com personalidades únicas que em suas mãos brilharam muito, garantindo o título da Copa Sul-Americana de 2018 e Copa do Brasil em 2019. A LDU não precisa de um artilheiro de 25 gols por temporada. Precisa de alguém que resolva quando o jogo pede personalidade, e isso, Deyverson tem de sobra.

    Claro que há riscos. Muitos. Se o atacante repetir o desempenho do último ano, a contratação será vista como erro de avaliação. Mas, se a LDU conseguir resgatar o Deyverson decisivo, incômodo e imprevisível, pode ter encontrado exatamente o que faltava ao seu elenco: um jogador que não respeita roteiros.

    No fim das contas, esta não é uma contratação óbvia. É uma contratação ousada. E, no futebol sul-americano, ousadia e loucura costumam andar de mãos dadas. Às vezes dá errado. Outras vezes, vira história.

  • Richard Ríos vs Froholt: quem riu por último?  

    Richard Ríos vs Froholt: quem riu por último?  

    No verão falou-se muito de Richard Ríos. O médio colombiano brilhou no Palmeiras, até no Mundial de Clubes, e não faltaram clubes interessados. No meio da confusão, saiu o rumor: Benfica e Porto na corrida. O final da novela foi simples: o Benfica pagou 30 milhões por Ríos, o Porto levou Froholt por 20M.

    À primeira vista parecia jackpot para os encarnados. Hoje já não é bem assim.

    Ríos: talento sim, mas fora de lugar  

    Richard Ríos não engana: é agressivo, intenso, sabe transportar jogo à bruta, arrancar da defesa para o ataque. Mas não é um 8 que dita ritmos, não é um tecnicista para desmontar defesas fechadas, nem um criador de último passe. É um jogador de transições.

    E aqui está o problema: o Benfica não vive de transições. Contra 90% das equipas da Liga, vai ter a bola o tempo todo. Ríos brilha quando há espaço para correr, não quando tem de gerir posse. Resultado? Em Portugal vai parecer perdido. Ironia das ironias: é mais provável que se destaque contra um Real Madrid do que contra um Casa Pia.

    Nos primeiros jogos já deu para ver que vinha com tiques de Libertadores: muito ímpeto, pouco timing. Na Europa, se entras a querer fazer tudo, acabas por não fazer nada. Some-se a instabilidade do Benfica, eleições a ferver, Mourinho a entrar em modo bombeiro e a receita está pronta: Ríos na pole position para “flop do ano”.

    Froholt: a peça certa no puzzle certo  

    Do outro lado, o Porto optou por Froholt. Um tanque dinamarquês de 19 anos com intensidade fora do comum. Não é só físico: tem critério, sabe quando soltar, quando carregar, lê bem o jogo. Não deslumbra com técnica, mas impressiona com inteligência. E em poucos jogos já parecia que o meio-campo do Porto era dele.

    E atenção: o boom nórdico não é moda. Hjulmand, Gyökeres, Isak, Bardghji, Bobb, Ødegaard, Haaland. A lista fala por si. Froholt tem tudo para seguir esse caminho.

    Gestão: a diferença está na estrutura, não no relvado  

    A comparação entre Ríos e Froholt mostra bem mais do que estilos de jogo. Mostra estratégias. O Porto, com Villas-Boas, sabe para onde vai. O Sporting, com Varandas, vem de alguns dos melhores anos da sua história. O Benfica? Continua a gastar milhões sem perceber contexto.

    E depois há o mercado sul-americano. Os brasileiros já não vendem barato. Seguram craques, inflacionam, vendem diretamente para Inglaterra, Espanha, Itália. Resultado: Portugal perde a sua função de ponte. Jogadores que antes passavam por cá para ganhar experiência (Falcao, James, Militão, Luis Díaz, Ramires, Di María, Casemiro, Raphinha…) agora saltam logo para as Big 5. O problema é deles? Não. O problema é nosso, que ficamos de fora.

    O contra-exemplo: William Gomes  

    E é aqui que entra o caso William Gomes. O miúdo brasileiro chegou ao Porto ainda sem o preço inflacionado, ganhou minutos, adaptou-se ao futebol europeu e tem tudo para rebentar em breve. É o exemplo perfeito de como Portugal pode continuar a ser a tal ponte, se souber chegar primeiro.

    Porque uma coisa é gastar 30M num jogador já feito, mas fora de contexto. Outra bem diferente é investir cedo, moldar o talento e depois vender por 80M. William Gomes pode ser o próximo dessa lista, a seguir a nomes como Luis Díaz ou Militão.

    Moral da história  

    Ríos é bom jogador, mas não encaixa. Froholt encaixa que nem uma luva.
    Um custou 30M, o outro 20M.
    Um pode virar dor de cabeça, o outro já é solução.
    No futebol, como na vida, não basta comprar talento. É preciso comprar contexto.