Tag: Felipão

  • O Palmeiras e o destino da virada  

    O Palmeiras e o destino da virada  

    Nasci em 1993 e cresci ouvindo histórias sobre o Palmeiras, mas isso vocês já sabem!
    Uma das histórias que ouvi recentemente, através de uma chamada com meu pai, foi a da Libertadores de 1999.

    Confesso que, em junho daquele ano, eu tinha quase seis anos, e apesar de o meu pai me mandar fotos desse dia, eu era só uma pequena palestrina no meio da confusão palmeirense.

    Nessa foto, eu estava segurando a mão da minha mãe, grávida do próximo palmeirense da família (meu irmão Patrick), que vestia, assim como eu, a camisa verde com listras brancas da era Parmalat. Ao fundo, meu pai comemorava, batendo as mãos com as de um amigo.

    Ver aquela foto me trouxe uma sensação. É claro que eu não me lembro do jogo, mas pude sentir a emoção, aquele tipo de sentimento que não precisa de lembrança pra permanecer.

    Era o jogo de volta da Libertadores de 99.
    O Palmeiras tinha perdido o primeiro jogo da final para o Deportivo Cali, por 1 a 0.
    O time colombiano vinha confiante, mas o Verdão de Felipão era feito de aço.

    Na volta, no Parque Antártica lotado, Evair abriu o placar. Oséas fez o segundo. Zapata ainda empatou o agregado, mas o destino queria mais. Nos pênaltis, Marcos virou santo, e Euller cobrou o último com a serenidade de quem sabia que ali nascia algo eterno.

    Foi o primeiro título da Libertadores.
    O primeiro grito de “é campeão da América” da nossa história.

    O Allianz Parque e a fé em Abel  

    E agora, em 2025, a história parece se repetir.
    Só que, dessa vez, eu tô aqui pra contar a minha história, uma história que eu e meu pai vamos guardar na lembrança.

    E, claro, eu quero que seja uma lembrança feliz, pra que a atual geração da minha família continue a tradição daquelas que “não veem o Palmeiras perder”.

    Hoje, é o Bernardo, meu sobrinho de sete anos, quem corre pela sala vestindo o manto verde. Ele está crescendo numa era vencedora do Verdão, assim como eu e o pai dele crescemos.
    E quero que ele também herde esse sentimento de fé que passa de pai pra filho, de tia pra sobrinho, de geração em geração.

    Acreditamos no Abel, assim como meu pai acreditava no Felipão.
    Porque cada virada nasce da arquibancada, da emoção de quem canta e vibra:

    “O Palmeiras é o time da virada, o Palmeiras é time do amor, leleô, leleô.”

    Podem até duvidar, podem provocar, podem tentar nos diminuir.
    Mas enquanto houver um palmeirense cantando, gritando, empurrando o time, com o olhar atento pro gramado ou pra TV, cheio de esperança, o Palmeiras será gigante.

    De 1999 a 2025, de Marcos a Weverton, de Evair a Vitor Roque, de Felipão a Abel, a história é a mesma. A camisa pesa, o coração aguenta, a fé empurra.

    E se o destino quiser, 2025 pode ser mais um capítulo dessa eterna história de viradas.

    Que, mais uma vez, na nossa casa, nós possamos continuar a gritar e acreditar que o Palmeiras é o time da virada.

    E é nesse espírito que o palmeirense vai levar a Libertadores de 2025, como o próprio Abel disse: “uma noite mágica.”

    Avanti, Palestra!

  • Paulo Nunes e Felipão: Máscaras, comemorações e memórias

    Paulo Nunes e Felipão: Máscaras, comemorações e memórias

    O palmeirense sempre se lembrará com carinho de dois nomes que marcaram a década de 90: Paulo Nunes e Luiz Felipe Scolari. Um, dentro de campo, transformava cada gol em ousadia. O outro, fora dele, conduzia brilhantemente o time como “paizão”. Juntos, ajudaram a escrever páginas inesquecíveis da nossa história alviverde.

    Lembro que, naquela época, eu já andava pela casa com uma camisa muito maior que eu, estampada com o número 7. Enquanto isso, meu pai gritava o clássico “Dá-lhe porco, dá-lhe dá-lhe porco!”, e pulávamos juntos celebrando cada gol, cada vitória, cada título de um Palmeiras campeão. Era mais que futebol: era minha família, era paixão, passada de geração em geração. E no centro de tudo estava ele, o “Diabo Loiro”, que transformava a rede balançando em um show que levava o torcedor a loucura.

    Paulo Nunes não se contentava apenas em marcar (e o cara marcava hein). Ele dançava, provocava, usava máscaras, arrancava risadas e aplausos. A cada rodada, a torcida esperava ansiosamente: qual seria a comemoração da vez? Vezes surgia com a máscara de porco, outras encarnava personagens da época como: a Tiazinha, a Feiticeira ou até o misterioso Mr. M. Era irreverência pura, que fazia a galera delirar e os rivais tremerem de “raiva”.

    Mas nada se compara ao momento histórico de 1999. Contra a Portuguesa, Paulo Nunes puxou do calção a máscara de porco e correu para a torcida, revertendo uma provocação de 1993, quando Viola havia imitado um porco para zombar do Palmeiras. Naquele instante, o que era insulto do rival, virou orgulho. O porco, nosso mascote, ganhou mais vida e significado definitivo. Foi a consagração de um símbolo que hoje carregamos com orgulho.

    E por trás de toda essa ousadia havia o cara: Felipão. Ao contrário do que muitos pensavam, o técnico não apenas permitia as brincadeiras, como incentivava. Paulo Nunes já revelou que Felipão até cobrava as máscaras: “Não, tchê, bota! Tá dando certo, a bola tá entrando, o time tá ganhando”. Para ele, aquilo era parte do que unia o elenco e a torcida. Mais que superstição, era marca registrada de um Palmeiras campeão. Essa parceria entre craque e treinador nos deu muito mais que títulos. Deu cores, risos e uma marca única. Mostrou que futebol também é alegria, provocação saudável, espetáculo. Hoje, olhando para trás, não tem como não sentir saudades. Faz falta um Paulo Nunes em campo, alguém capaz de transformar cada gol em festa, cada máscara em símbolo e cada comemoração em memória eterna do nosso Verdão.