Tag: Futebol

  • Entre versos e torcidas: Carlos Drummond de Andrade e o encanto do futebol

    Entre versos e torcidas: Carlos Drummond de Andrade e o encanto do futebol

    A literatura brasileira e o futebol caminham frequentemente de mãos dadas, entrelaçando a identidade cultural do país. Entre os grandes nomes que dedicaram o seu olhar aguçado às quatro linhas, destaca-se Carlos Drummond de Andrade. O poeta maior de Itabira, conhecido pela sua profundidade existencial e pela sua observação minuciosa do cotidiano, não ignorou a paixão nacional. Pelo contrário, elevou o futebol à categoria de arte e fenômeno social através das suas crônicas.

    O olhar do cronista: além do fanatismo

    Diferente de contemporâneos como Nelson Rodrigues, que vivia o futebol com uma passionalidade visceral e trágica, Drummond adotava uma postura mais lírica e, por vezes, irônica. Para ele, o jogo não era apenas uma disputa de resultados, mas uma representação da vida, com os seus imprevistos, as suas alegrias efêmeras e as suas decepções.

    Créditos: Marcel Gautherot Acervo

    Nas páginas do Jornal do Brasil, onde escreveu durante décadas, o poeta transformava partidas comuns em ensaios sobre o comportamento humano. Ele via no estádio um espaço de suspensão da realidade, onde as hierarquias sociais se diluíam em prol de um objetivo comum: o gol. Drummond entendia que, durante noventa minutos, o torcedor deixava de ser um indivíduo comum para integrar uma massa movida por esperança e angústia.

    O coração vascaíno e as raízes mineiras

    Embora a sua escrita transparecesse uma certa imparcialidade intelectual, Drummond tinha as suas preferências. No Rio de Janeiro, cidade que adotou como lar, o seu coração batia pelo Club de Regatas Vasco da Gama. A escolha pelo cruzmaltino não era alardeada com fanatismo, mas aparecia sutilmente em seus textos e em conversas com amigos.

    Contudo, as raízes mineiras nunca o abandonaram. Havia no poeta uma simpatia natural pelo Atlético Mineiro, o «Galo», representante das suas origens. Essa dualidade mostrava que, para Drummond, o futebol era também uma forma de manter laços afetivos com os lugares e tempos da sua vida. Ele não era um torcedor de arquibancada, de gritar e xingar o juiz, mas um apreciador da estética do jogo e da fidelidade das torcidas.

    Créditos: Guia da Pesquisa

    A Copa do Mundo e a pátria de chuteiras

    Foi nas crônicas sobre a Copa do Mundo que Drummond produziu alguns dos seus textos mais memoráveis sobre o esporte. Ele captava como poucos o sentimento de unidade nacional que tomava conta do Brasil a cada quatro anos.

    Na Copa de 1970, no México, Drummond rendeu-se ao talento daquela que é considerada por muitos a melhor seleção de todos os tempos. Sobre Pelé, escreveu com reverência, reconhecendo no camisa 10 não apenas um atleta, mas um artista que desafiava as leis da física e a lógica. Para o poeta, o «Rei» fazia o difícil parecer natural, transformando o futebol em um espetáculo de dança e geometria.

    Drummond também abordava a derrota com maestria. Após a tragédia do Sarriá na Copa de 1982, soube traduzir o luto coletivo sem cair no desespero, lembrando que o futebol, assim como a poesia, é feito de beleza, mas também de imperfeição.

    Em suma, a relação de Carlos Drummond de Andrade com o futebol foi a de um sábio observador que percebeu, antes de muitos intelectuais, que a bola rolando no gramado era uma extensão da alma brasileira. Ele provou que entre um verso e um drible não havia distância, mas sim uma ponte poética onde a vida acontece.

    FAQs sobre Carlos Drummond de Andrade e o futebol

    Qual era o time de coração de Carlos Drummond de Andrade?

    No Rio de Janeiro, o poeta era torcedor do Vasco da Gama. No entanto, mantinha também uma forte simpatia pelo Atlético Mineiro, devido às suas origens no estado de Minas Gerais.

    Drummond era um torcedor fanático?

    Não. Diferente de cronistas como Nelson Rodrigues, Drummond não era um torcedor fanático ou «doente». Ele apreciava o futebol com um olhar mais lírico, intelectual e observador, valorizando a estética do jogo e o comportamento social das torcidas.

    Em qual jornal Drummond publicava as suas crônicas sobre futebol?

    A maior parte da sua produção cronística, incluindo os textos sobre futebol, foi publicada no Jornal do Brasil, onde ele manteve uma coluna por muitos anos.

    Como Drummond via a Copa do Mundo?

    Ele via a Copa do Mundo como um momento de suspensão da realidade e de união nacional. As suas crônicas durante os mundiais, especialmente os de 1958, 1970 e 1982, são celebradas por captarem a emoção do povo brasileiro.

    O que Drummond escreveu sobre Pelé?

    Drummond escreveu com grande admiração sobre Pelé, reconhecendo-o como um gênio e um artista. Para o poeta, Pelé tinha a capacidade de fazer o extraordinário parecer simples, elevando o futebol à categoria de arte.

    Drummond considerava o futebol um tema menor para a literatura?

    Pelo contrário. Com a sua obra, ele ajudou a legitimar o futebol como um tema digno de alta literatura, mostrando que o esporte era um reflexo profundo da cultura e da identidade do Brasil.

  • Palmeiras Feminino faz história e conquista segundo troféu em 2025

    Palmeiras Feminino faz história e conquista segundo troféu em 2025

    No último domingo (14), no Estádio do Canindé, o time feminino do Palmeiras foi campeão estadual após vencer o Corinthians por 5 a 2 no agregado dos dois jogos. O verdão, que já havia ganho a Copa do Brasil em 2025, vence seu segundo título no ano e o quarto paulista de sua história.

    O Palmeiras chegou à final do Campeonato Paulista depois de ter ficado em segundo lugar na primeira fase com 30 pontos e ter eliminado a Ferroviária na semifinal, na final as alviverdes golearam o Corinthians por 5 a 1 no jogo da ida e perderam por 1 a 0 na volta. Já na Copa do Brasil o verdão passou por Avaí/Kindermann, América Mineiro, Sport, São Paulo e Ferroviária para ser campeões.

    Palmeiras comemora o título da Copa do Brasil.
    Legenda: Reprodução/Agência Esporte

    Os principais destaques da equipe treinada por Rosana Augusto foram Brena, Amanda Gutierres e Tainá Maranhão, todas importantes também para a seleção brasileira.

    Expectativas para 2026

    Com esses títulos, o Palmeiras garantiu vaga na próxima edição da Supercopa, da Copa do Brasil e da Libertadores, além de ter se mantido na primeira divisão do Brasileirão. O clube, que tem aumentado o investimento no futebol feminino nos últimos anos, tem grandes chances de conquistar ao menos um título em 2026.

    Hegemonia dos times paulistas

    Os clubes paulistas dominam o futebol feminino no Brasil desde sua criação, e essa predominância se acentuou nos últimos anos. No Brasileirão, o último clube não paulista a vencer o campeonato foi o Flamengo, em 2016, de lá pra cá, Santos e Ferroviária levaram um título cada e o Corinthians foi heptacampeão.

    E essa predominância acontece também em todo o continente, das 17 edições da Libertadores, o título ficou no Brasil em 14, todas com os times paulistas, principalmente com Corinthians (seis títulos) e São José (três títulos). O timão agora representará a CONMEBOL na Copa dos Campeões Feminina, competição equivalente ao Intercontinental.

    Taça da Libertadores Feminina.
    Foto: Divulgação/ Libertadores
  • O futebol está a ficar aborrecido. E não é só nostalgia.

    O futebol está a ficar aborrecido. E não é só nostalgia.

    O futebol, hoje, está uma seca.
    Não sei se é a nostalgia a falar ou se é mesmo a realidade a impor se, mas a verdade é que algo se perdeu pelo caminho. Esta semana estava a dar um Real Madrid vs Manchester City e, por incrível que pareça, não me despertou grande interesse. Estamos a falar de um dos maiores jogos do futebol atual e mesmo assim passou me quase ao lado.

    Pouco depois, descubro que estava a haver um Flamengo vs Pyramids para a Taça Intercontinental. Taça Intercontinental? E o PSG só entra diretamente na final? Confesso que pensei que essa competição já tinha sido substituída ou simplesmente deixado de existir. E talvez esta confusão diga mais sobre o futebol moderno do que sobre mim.

    A FIFA está a destruir o futebol.
    E não, não é por mal. É por excesso e por falta de critério.

    Vivemos numa era em que o futebol já não compete apenas com outros desportos. A verdadeira concorrência é o entretenimento em geral: Netflix, TikTok, vídeos curtos, consumo rápido. Tudo disputa a nossa atenção. Mas a resposta encontrada foi empilhar jogos, competições e formatos novos, como se quantidade pudesse substituir significado. O que estão a fazer é, no mínimo, criminoso.

    O novo formato da Liga dos Campeões é o melhor exemplo disso. É uma porcaria. A desvalorização dos grandes jogos é evidente. Quando há grandes jogos constantemente, eles deixam de ser especiais. Perdem peso, perdem urgência, perdem contexto. Esta fase de liga permite que equipas gigantes façam apenas o mínimo necessário para seguir em frente. Não há drama, não há medo de falhar. Vemos rotações constantes na maior competição de clubes do mundo, algo que simplesmente não faz sentido.

    Tenho saudades dos grupos de quatro. Da ida e da volta. Da regra dos golos fora nas eliminatórias. Sim, especialmente dessa regra. Não era perfeita, mas ajudava os mais pequenos, criava estratégia, tensão, noites memoráveis. Fazia nos vibrar.

    Depois entramos no absurdo das competições globais. Faz sentido existir uma Taça Intercontinental. Faz sentido existir um Mundial de Clubes. O problema é ninguém perceber qual é qual, nem o que realmente está em jogo. Não é o mesmo título? Não devia ser. Mas hoje parece tudo diluído, sem identidade, sem narrativa. Há um Mundial de Clubes de quatro em quatro anos e, mesmo assim, mantém se uma Intercontinental que, na Europa, quase ninguém valoriza ou sequer acompanha. O futebol está inchado, confuso e sem hierarquia clara.

    Este modelo também está a afastar as pessoas do futebol como um todo. Cada vez mais adeptos acompanham apenas o seu clube do coração, muitos deles exclusivamente pela televisão. O resto do futebol transforma se num produto global vendido em massa para mercados gigantes, como a Índia, onde se consome o futebol europeu como entretenimento, mas onde pouco se vive aquilo que ele realmente é. Estádios, rivalidades, contexto histórico e cultura de adepto passam para segundo plano.

    Em Portugal, sofremos do mesmo mal. Temos uma Taça da Liga que nunca encontrou verdadeiramente o seu propósito. Só a Inglaterra conseguiu tornar uma taça da liga funcional e respeitada. Cá, parece existir apenas para imitar modelos estrangeiros e servir patrocinadores. As torcidas organizadas boicotam, os estádios ficam vazios, e há até rumores de clubes que preferem perder para evitar um calendário ainda mais sobrecarregado em janeiro. Isto não é futebol saudável. Isto é gestão de produto disfarçada de competição.

    Mas o problema do futebol moderno não é só dentro das quatro linhas. É também fora delas. Em vez de apostar seriamente em como ter claques com segurança nos estádios, em como permitir consumo de álcool de forma responsável, em como valorizar o espetáculo criado pelos adeptos com segurança e organização, prefere se reprimir, proibir e afastar. As subculturas do futebol, as claques, os cânticos, as coreografias, a identidade popular, são tratadas como um problema, quando sempre foram parte da solução. Sem isso, o futebol perde alma.

    Vivemos também na era das super equipas. Clubes empresa. Grupos com várias equipas espalhadas pelo mundo. Houve um tempo em que quase todos os clubes tinham jogadores fora de série. Hoje, os dez maiores clubes do mundo têm dois plantéis cheios deles. E, honestamente, perde a graça. O imprevisível desaparece.

    Tenho saudades de ver um Deportivo a brilhar em Espanha. Um Boavista a dar trabalho sério aos grandes em Portugal. Um Wolfsburg, Estugarda ou um Werder Bremen campeões na Alemanha. Uma liga francesa com um Marselha, um Lyon ou um Saint Étienne de volta aos velhos tempos, a discutir títulos frente a um PSG petrolífero. O futebol precisa de anomalias, de histórias improváveis, de resistência. Precisa de falhar ao controlo absoluto.

    Curiosamente, acabei de ver um Corinthians vs Cruzeiro, para a meia final da Taça do Brasil, e foi aí que voltei a sentir alguma coisa. Um jogo menos tático, mais trapalhão, cheio de duelos no um para um, bolas na trave, emoção crua. E, acima de tudo, um público incrível. Um ambiente vivo, intenso, genuíno.

    Talvez não seja o futebol europeu que esteja errado.
    Talvez seja a forma como o estamos a transformar num produto demasiado polido, demasiado controlado, demasiado distante das pessoas.

    Eu sei que a FIFA não me ouve. Mas se continuarmos a aceitar tudo isto sem questionar, um dia vamos acordar e perceber que o futebol que nos fez apaixonar já não existe. E quando isso acontece, não há formato novo que o salve.

  • Bahia anuncia renovação de Éverton Ribeiro até ao final de 2026

    Bahia anuncia renovação de Éverton Ribeiro até ao final de 2026

    O médio, de 36 anos, que é capitão e símbolo do Esquadrão de Aço, garantiu a sua permanência por mais uma temporada, apesar de as metas de renovação automática não terem sido cumpridas.

    Éverton Ribeiro vai continuar em Salvador por mais um ano. Na noite deste sábado (13), o Bahia confirmou a renovação de contrato do médio até ao final da temporada de 2026.

    O vínculo original de Éverton Ribeiro com o Esquadrão de Aço terminaria no final do ano, e a renovação automática prevista por metas desportivas não tinha sido alcançada. No entanto, a direção tricolor decidiu pela continuidade do atleta e negociou um novo acordo nos bastidores.

    Liderança e números no clube

    Aos 36 anos, Éverton Ribeiro é uma peça central, sendo capitão e um dos símbolos da nova era do clube, sob o comando do Grupo City.

    Desde que chegou ao Bahia em janeiro de 2024, o médio já disputou 121 jogos com a camisola tricolor. O seu registo estatístico inclui 9 golos marcados e 16 assistências distribuídas.

    O clube celebrou o novo acordo através das redes sociais, destacando a importância do atleta para o projeto:

    «Éverton Ribeiro, nosso camisa 10, capitão e símbolo de uma nova Era, assina renovação de contrato com o Esquadrão ✍️»

    A permanência de Éverton Ribeiro assegura à equipa um elemento de experiência e liderança para o planeamento de 2026.

  • Grêmio anuncia Luís Castro como novo treinador com contrato até 2027

    Grêmio anuncia Luís Castro como novo treinador com contrato até 2027

    O português, ex-Botafogo e Al Nassr, retorna ao futebol brasileiro para substituir Mano Menezes e é apenas o segundo técnico europeu a comandar o Tricolor Gaúcho em sua história.

    O Grêmio confirmou o nome que irá liderar o projeto do clube a partir de 2026. Em busca de reverter o desempenho irregular de 2025, o Tricolor Gaúcho anunciou a contratação do técnico português Luís Castro, que chega para assumir a vaga deixada por Mano Menezes.

    A negociação entre o clube e o treinador de 64 anos foi concluída rapidamente, com a assinatura do contrato nesta sexta-feira (12). O vínculo de Luís Castro com o Grêmio é de longa duração, estendendo-se até o final de 2027.

    A segunda passagem pelo Brasil e a história no Botafogo

    Esta será a segunda passagem de Luís Castro pelo futebol brasileiro. O técnico ficou conhecido no país por seu trabalho no Botafogo, entre 2022 e 2023. Sua passagem pelo clube carioca terminou de forma marcante: ele deixou o Botafogo quando o time liderava o Campeonato Brasileiro de 2023 com folga, aceitando uma proposta do Al Nassr, da Arábia Saudita.

    Seu retrospecto no Botafogo foi de 42 vitórias em 79 partidas disputadas. Após a saída do Brasil, ele comandou o Al Nassr, time de Cristiano Ronaldo, onde obteve 44 vitórias em 63 jogos, mas acabou sendo demitido sem títulos. Neste ano, antes de acertar com o Grêmio, ele teve uma passagem curta, de apenas 14 partidas, no Al Wasl.

    O Grêmio destacou a chegada do novo comandante em suas redes sociais:

    «BEM-VINDO À NOSSA CASA!🏆 Um treinador vencedor em um time Imortal. Este é Luís Castro, o novo técnico do Grêmio! Que 2026 seja de vitórias e conquistas. Juntos, para o que der e vier!»

    Detalhe histórico

    Com a contratação de Luís Castro, o Grêmio insere seu nome em um seleto rol histórico. O português é apenas o segundo técnico europeu a assumir o comando da equipe gaúcha. O único antecessor foi o húngaro László Székely, que treinou o Tricolor em 31 oportunidades no ano de 1954.

  • A discussão da Taça da Liga e a ilusão ibérica

    A discussão da Taça da Liga e a ilusão ibérica

    A discussão levantada na recente Cimeira de Presidentes sobre a extinção da Taça da Liga não deve ser vista, de forma simplista, como um ato de arrogância dos clubes grandes. Pelo contrário, trata-se de um grito de sobrevivência em meio a um calendário que perdeu qualquer contato com a realidade fisiológica dos atletas. A proposta de acabar com a competição, defendida por Benfica e FC Porto, é a única saída racional para um futebol português que está a sufocar sob o peso de jogos irrelevantes e lesões acumuladas.

    Defender a permanência da Taça da Liga no formato atual é ignorar a matemática do desgaste. Com o inchaço das competições europeias promovido pela UEFA e o novo formato do Mundial de Clubes da FIFA, não há mais datas disponíveis.

    Manter um torneio que, sejamos honestos, oferece prêmios financeiros irrisórios se comparados aos custos operacionais e ao risco de perder jogadores importantes por lesão, é um erro estratégico.

    A competição tornou-se um fardo para todos: para os grandes, que precisam rodar o elenco e desvalorizam o produto, e para os menores, que muitas vezes pagam para jogar, sem o retorno de visibilidade prometido em fases preliminares arrastadas.

    A saturação mata o espetáculo

    O argumento de que a extinção fere a democracia do futebol cai por terra quando analisamos a qualidade do jogo. Um calendário saturado resulta em partidas de baixo nível técnico, com atletas exaustos e times desfigurados. A verdadeira defesa do futebol português passa por valorizar o Campeonato e a Taça de Portugal, garantindo que estas competições tenham os melhores jogadores em campo, nas suas melhores condições físicas.

    A Taça da Liga, criada para preencher lacunas de calendário que já não existem, cumpriu o seu papel, mas hoje é um obstáculo à excelência. Insistir na sua continuidade é prezar pela quantidade em detrimento da qualidade, uma lógica que transformou o mês de janeiro em uma maratona absurda que, ao final, não traz benefício estrutural real para nenhum clube, seja ele de topo ou de meio de tabela.

    A verdadeira elitização: a ameaça espanhola

    Se há elitismo e ganância nesta história, eles não residem no pedido de extinção da prova, mas sim nas alternativas «criativas» que foram ventiladas nos bastidores recentemente. A proposta de transformar a Final Four numa espécie de «Taça Ibérica», convidando clubes espanhóis para disputar o troféu em solo português, é o verdadeiro atentado à integridade do nosso esporte.

    Essa ideia, que visa apenas gerar receitas televisivas artificiais e agradar a patrocinadores, é a prova cabal de que o dinheiro estava a tentar sequestrar a identidade do futebol nacional. Trazer o Real Madrid ou o Barcelona para «salvar» a Taça da Liga seria admitir que o futebol português não se sustenta sozinho. Isso sim seria elitização: criar um torneio de exibição para uma plateia VIP, ignorando o mérito esportivo local em prol de um show business internacionalizado.

    Portanto, acabar com a Taça da Liga não é um ato de egoísmo; é um ato de saneamento. O futebol português precisa de menos jogos para ter melhores jogos. É hora de deixar a competição ir, fechando a porta a invenções ibéricas que serviriam apenas para encher os bolsos de organizadores, enquanto os jogadores portugueses continuariam a pagar a conta com a própria saúde.

  • Um panorama sobre as maiores torcidas do mundo: paixão global e números

    Um panorama sobre as maiores torcidas do mundo: paixão global e números

    Mensurar a paixão no futebol é um desafio que transcende a matemática, mas quando o assunto é definir as maiores torcidas do mundo, a indústria do esporte recorre a pesquisas de opinião, dados de consumo e, cada vez mais, ao engajamento digital. O cenário atual revela uma clara divisão entre os «gigantes globais» — clubes europeus com alcance planetário — e as «potências regionais», que concentram massas impressionantes em seus países de origem.

    O domínio global: Espanha e Inglaterra

    No topo da pirâmide global, a disputa é historicamente polarizada entre dois colossos da Espanha: o Real Madrid e o Barcelona. Impulsionados pela rivalidade de décadas e pela era dourada de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, estes clubes romperam fronteiras, angariando milhões de «simpatizantes» na Ásia, África e Américas.

    Estudos de consultorias internacionais, como a Kantar, frequentemente colocam o Manchester United (da Inglaterra) nesta mesma prateleira. Mesmo vivendo fases de instabilidade esportiva, a marca dos «diabos vermelhos» possui uma raiz profunda em mercados emergentes, fruto de um trabalho de marketing pioneiro iniciado nos anos 1990.

    Estima-se que a base global destes três clubes ultrapasse, somada, a casa dos bilhões de interessados, embora seja necessário distinguir o «torcedor fanático» (que vive o dia a dia do clube) do consumidor esporádico de outro continente.

    Créditos: CR Flamengo

    As potências nacionais: a força das Américas e da África

    Se os europeus dominam na abrangência geográfica, é nas Américas e na África que encontramos a maior densidade de paixão concentrada. Aqui, o Flamengo surge como um fenômeno de estudo obrigatório. Com uma base estimada em mais de 40 milhões de torcedores apenas no Brasil, o rubro-negro carioca figura frequentemente nas listas de maiores do mundo, superando a população de muitos países europeus. Diferente dos fãs distantes dos clubes europeus, a torcida do Flamengo caracteriza-se pelo consumo intenso e presença física.

    No México, o Chivas Guadalajara ostenta um título semelhante, com uma política de contratar apenas jogadores mexicanos que reforça a identidade nacional e atrai dezenas de milhões de adeptos.

    No entanto, é no continente africano que reside um gigante muitas vezes ignorado pelo ocidente: o Al Ahly, do Egito. Conhecido como o «clube do século» na África, o Al Ahly possui estimativas que variam entre 70 a 80 milhões de torcedores, concentrados no mundo árabe.

    Créditos: Reprodução Twitter/Al Ahly

    A sua influência é tamanha que as ruas do Cairo param em dias de jogos decisivos, rivalizando em números absolutos com qualquer potência europeia ou sul-americana.

    A métrica digital: a nova realidade

    Na era moderna, as redes sociais tornaram-se o novo campo de batalha. Se olharmos para seguidores somados (Instagram, Facebook, X, TikTok), o Real Madrid lidera isolado, tendo sido o primeiro clube a ultrapassar a marca de 100 milhões de seguidores no Instagram. O Barcelona segue de perto.

    Essa métrica digital, contudo, é volátil. Ela reflete muito o «efeito celebridade». Clubes como o Paris Saint-Germain (França) e o Inter Miami (EUA) viram suas bases digitais explodirem artificialmente com as chegadas de estrelas mundiais, levantando o debate: são torcedores fiéis ou apenas seguidores de ídolos?

    Em suma, o panorama das maiores torcidas é multifacetado. Enquanto o Real Madrid e o Barcelona reinam como as marcas mais conhecidas do planeta, clubes como Flamengo, Chivas e Al Ahly representam a resistência da identidade cultural local, provando que não é preciso jogar a Champions League para arrastar multidões.

    FAQs sobre as maiores torcidas do mundo

    Quais são os clubes com as maiores torcidas em âmbito global?

    Em termos de alcance global e reconhecimento de marca, o Real Madrid e o Barcelona (ambos da Espanha) e o Manchester United (da Inglaterra) são consistentemente apontados como os clubes com as maiores bases de fãs e simpatizantes ao redor do mundo.

    Qual é a maior torcida fora da Europa?

    Dependendo da métrica (números absolutos ou oficiais), o título é disputado entre o Flamengo (no Brasil) e o Al Ahly (no Egito). O Flamengo domina nas pesquisas de opinião na América do Sul, enquanto o Al Ahly possui uma base massiva no mundo árabe e africano.

    O número de seguidores nas redes sociais equivale ao número de torcedores reais?

    Não necessariamente. As redes sociais medem o alcance e o interesse, incluindo muitos fãs de jogadores específicos ou simpatizantes casuais. O número de «torcedores reais» (aqueles que consomem produtos e acompanham os jogos regularmente) costuma ser diferente da base de seguidores digitais.

    Qual clube lidera o ranking de seguidores nas redes sociais?

    Atualmente, o Real Madrid lidera a maioria dos rankings de seguidores somados nas principais plataformas digitais, seguido de perto pelo Barcelona.

    Por que clubes como o Chivas Guadalajara são citados entre os maiores?

    O Chivas, do México, é citado pela sua enorme concentração de torcedores em um único país (e na comunidade mexicana nos EUA). A sua política de jogar apenas com atletas mexicanos cria uma forte identificação nacional, gerando uma base de dezenas de milhões de adeptos.

    Existe alguma torcida asiática que figure entre as maiores do mundo?

    Embora o futebol na Ásia esteja em crescimento, os clubes locais ainda não atingiram os números globais dos gigantes europeus ou a densidade das potências sul-americanas. No entanto, clubes como o Guangzhou (na China) ou o Persib Bandung (na Indonésia) possuem bases digitais e locais gigantescas, que estão entre as maiores da região.

  • Náutico anuncia contratação do goleiro uruguaio Gastón Guruceaga para a temporada de 2026

    Náutico anuncia contratação do goleiro uruguaio Gastón Guruceaga para a temporada de 2026

    O experiente arqueiro de 30 anos, formado no Peñarol e com passagens por diversos países sul-americanos, chega ao Timbu após não ter oportunidades no Juventude, rebaixado na Série A.

    O Náutico confirmou um novo reforço para o setor defensivo. O clube pernambucano anunciou a contratação do goleiro uruguaio Gastón Guruceaga, de 30 anos, visando a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro em 2026.

    Guruceaga chega ao Timbu após passar a última temporada no Juventude, onde teve poucas chances de atuar.

    Carreira na América do Sul e o último ano no Brasil

    O goleiro, que é cria da base do Peñarol, clube onde obteve seu maior destaque no Uruguai, tentará retomar o bom momento no Náutico. A sua carreira internacional incluiu passagens por diversas ligas da América do Sul, defendendo clubes em países como Paraguai, Argentina, Chile e Colômbia, antes de chegar ao Brasil.

    Apesar de ser considerado um nome experiente, Guruceaga não conseguiu se firmar no Juventude durante o ano de 2025. O goleiro atuou apenas pela Copa Gaúcha com o time B, sendo pouco utilizado na equipe principal, que acabou rebaixada para a Série B do Brasileirão.

    A contratação de Guruceaga faz parte da reestruturação do elenco do Náutico para a Série B. O time busca um goleiro que traga experiência e segurança para a meta, após garantir o acesso na última temporada, e aposta no histórico de formação do uruguaio.

  • Qual a maior torcida do Brasil? Veja o ranking atualizado

    Qual a maior torcida do Brasil? Veja o ranking atualizado

    Em um país onde o futebol é visto praticamente como uma religião, determinar a grandeza de um clube pelo tamanho de sua torcida é uma maneira dos rivais terem motivos para zoarem uns contra os outros.

    Entender o ranking das maiores torcidas do país é mergulhar no coração dessa paixão que atravessa gerações.

    O Portal Camisa12 vai te contar o ranking das maiores torcidas do cenário brasileiro.

    As pesquisas de opinião realizadas nos últimos anos mostram que o cenário das maiores torcidas do Brasil continua movimentado. Os clubes que ocupam as primeiras posições, permanecem revelando tendências interessantes no comportamento do torcedor brasileiro.

    Em novembro de 2025, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), divulgou uma pesquisa sobre as maiores torcidas do futebol brasileiro. Todos os dados foram encomendados pela entidade ao site Nexus.

    Confira as 10 maiores torcidas do Brasil

    • Flamengo
    • Corinthians
    • São Paulo
    • Palmeiras
    • Vasco da Gama
    • Internacional
    • Cruzeiro
    • Atlético-MG
    • Grêmio
    • Santos

    Briga de gigantes

    No futebol brasileiro, algumas rivalidades transcendem o campo. Uma das mais conhecidas é a entre Flamengo e Corinthians, dois clubes com as maiores torcidas do país. Essa rivalidade não se limita aos jogos, manifestando-se intensamente nas arquibancadas, nas redes sociais e até no dia-a-dia dos torcedores.

    Famosas por sua dedicação e intensidade, a Nação Rubro-Negra e a Fiel Torcida, transformam qualquer estádio em um campo de batalha. Quando esses clubes se enfrentam, é comum ver os estádios tomados por cores, cantos e bandeiras, criando um clima elétrico. Contudo, essa rivalidade também pode gerar conflitos fora das quatro linhas, especialmente entre torcedores mais “exaltados”.

    É importante relembrar que, apesar da competitividade e da provocação saudável, qualquer confronto deve permanecer respeitoso e seguro, já que a paixão pelo futebol não precisa se transformar em violência.

    A rivalidade entre as maiores torcidas do país é um reflexo do amor pelo futebol brasileiro: torcedores vibram, defendem seus clubes e celebram vitórias, mas também compartilham uma história de respeito e competitividade que dá sabor a cada partida.

    Mudança com o tempo

    É importante relembrar que nem sempre Flamengo e Corinthians dominaram o ranking das maiores torcidas do Brasil. No início do século XX, o futebol era totalmente restrito às elites urbanas, principalmente em grandes cidades como São Paulo e no Rio de Janeiro, tendo clubes como Fluminense, Botafogo, Vasco e São Paulo como as torcidas mais fortes localmente, mas ainda não havia levantamentos nacionais, na época.

    O Flamengo começou a ganhar popularidade massiva a partir da década de 1930, consolidando-se como símbolo do futebol carioca e, com ídolos como Zico nos anos 1980, expandiu sua influência para todo o país. Já o Corinthians, sempre com torcida expressiva em São Paulo, começou a se tornar um fenômeno nacional nas décadas de 1980 e 1990, impulsionado por conquistas importantes e presença na mídia.

    Clubes como Palmeiras, São Paulo, Vasco e Grêmio, tiveram grande destaque regional e, em determinadas épocas, chegaram a liderar pesquisas locais de popularidade. Contudo, nos últimos anos, Flamengo e Corinthians apareceram com folga no topo do ranking, construído historicamente a paixão dos torcedores.

  • Grêmio demite Mano Menezes e treinador se despede do clube nas redes sociais

    Grêmio demite Mano Menezes e treinador se despede do clube nas redes sociais

    Mano Menezes não será mais técnico do Grêmio na próxima temporada. Após o fim da temporada do futebol brasileiro, o clube gaúcho anunciou nesta terça-feira (09/12), que o treinador seria desligado, com o vice-presidente de futebol, Antônio Dutra Júnior, comunicando está decisão.

    Em suas redes sociais, Mano Menezes agradeceu a maneira que foi tratado e despedindo-se do clube.

    “Em abril deste ano, o Grêmio vivia um momento muito difícil. Geralmente, nestas horas, você se lembra de quem mais confia. O presidente Alberto Guerra e sua diretoria me convidaram, então, para assumir o comando. Aceitei e aceitarei sempre que o Grêmio precisar. A bola é redonda e certamente vai continuar girando para todos nós. Espero que dias melhores possam vir para todos”, publicou.

    Agora, a nova direção do clube, comandada pelo presidente Odorico Roman, segue na busca por um novo treinador, já que não renovou com Mano Menezes. Existe alguns rumores de que o português Luís Castro está no radar do Grêmio, mas nenhuma informação foi confirmada até o momento.

    Aos 63 anos, Mano Menezes assumiu o Grêmio em abril de 2025, após perder o Campeonato Gaúcho e demitir o argentino Gustavo Quinteros. No total, foram 39 jogos, com 14 vitórias, 13 derrotas e 12 empates, tendo aproveitamento de 46%.

    Foi sob o comando do treinador que o Tricolor Gaúcho foi eliminado na terceira fase da Copa do Brasil, para o CSA, e nos playoffs da Sul-Americana, para o Alianza Lima. Já no Brasileirão, o Grêmio terminou na 9ª posição da tabela.

    Confira o comunicado do clube

    “O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense comunica que o técnico Mano Menezes não permanecerá no comando da equipe na próxima temporada.

    O Clube agradece pelos serviços prestados ao longo de 2025. Desde o seu retorno, em 21 de abril, o treinador demonstrou mais uma vez o profissionalismo e o comprometimento que marcaram sua trajetória no futebol brasileiro e a sua relação histórica com o Tricolor.

    Estendemos, igualmente, nosso reconhecimento aos profissionais que compuseram sua comissão técnica, desejando sorte e sucesso no prosseguimento de suas carreiras”.