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  • Por que técnicos estrangeiros seguem dividindo opiniões? Entenda toda situação

    Por que técnicos estrangeiros seguem dividindo opiniões? Entenda toda situação

    O futebol brasileiro sempre foi conhecido por exportar talentos, tanto jogadores quanto treinadores. Contudo, a recepção de comandantes estrangeiros nem sempre é calorosa, o que dificulta na adaptação dos técnicos quando chegam em determinados clubes.

    Mesmo com conquistas e campanhas históricas de técnicos como Abel Ferreira no Sociedade Esportiva Palmeiras, a presença de estrangeiros no comando de clubes brasileiros a desconfiança segue sendo o principal empecilho para o desenrolar do “casamento” longevo.

    O Portal Camisa12 vai te falar os motivos dos técnicos estrangeiros dividindo opiniões no país.

    Início da chegada

    Em um país acostumado a formar treinadores e defender sua própria identidade futebolística, um técnico estrangeiro desembarca no Brasil, ele raramente chega apenas com um plano tático, mas essas chegadas não são uma novidade.

    A presença de treinadores estrangeiros no futebol brasileiro não é algo totalmente novo, mas sim uma situação que foi vista por muito tempo como algo raro. Historicamente, os clubes do país sempre priorizaram técnicos nacionais, em parte por acreditarem que apenas quem cresceu dentro da cultura do futebol brasileiro entenderia melhor o estilo de jogo e o ambiente dos clubes. Contudo, com o passar do tempo, alguns estrangeiros chegaram a trabalhar no Brasil, mas eram casos pontuais, não uma tendência dos tempos atuais.

    Mas a partir da década de 2010, o cenário começou a mudar, principalmente por conta da influencia de dirigentes, jornalistas e de boa parte da torcida questionar o nível de atualização dos treinadores brasileiros. Por conta das constantes eliminações e derrotas em competições internacionais e a grande instabilidade no comando dos times, com demissões frequentes e pouca continuidade de trabalho, os olhos começaram a se voltarem para fora do Brasil.

    Toda essa mudança começou ao mesmo tempo que o futebol europeu e até mesmo as demais ligas sul-americanas sendo vistas como mais avançados em aspectos táticos, metodológicos e de preparação física, com o Brasil sendo algo ultrapassado, mas isso até o final dos anos de 2010.

    A grande virada aconteceu em 2019, com a chegada do técnico português Jorge Jesus ao Clube de Regatas do Flamengo. Sob seu comando, o clube carioca conquistou a Copa Libertadores da América e o Campeonato Brasileiro Série A, tudo no mesmo ano, apresentando um futebol ofensivo, intenso e organizado que chamou a atenção de todo o país todo. Por conta do grande sucesso, muitos dirigentes passassem a enxergar os treinadores estrangeiros como uma alternativa para modernizar suas equipes.

    Após o sucesso do “Mister”, a presença de técnicos de fora do país aumentou significativamente. Nomes como Jorge Sampaoli, Vítor Pereira e Abel Ferreira passaram a assumir clubes importantes do Brasil. Este último colocando seu nome na história e podemos até dizer, transformando-se no maior treinador estrangeiro que atuou no Brasil.

    À frente do Palmeiras, Abel Ferreira conquistou uma série de títulos importantes e se tornou o treinador mais vitorioso da história do clube, tendo no currículo: duas vezes a Copa Libertadores da América (2020 e 2021), uma Recopa Sul-Americana (2022), dois campeonatos Brasileiros (2022 e 2023), uma Copa do Brasil (2020), uma Supercopa do Brasil (2023) e quatro Paulistão (2022, 2023, 2024 e 2026), totalizando 11 troféus pelo Verdão.

    Motivos pela desconfiança

    Até os dias de hoje, A presença de técnicos estrangeiros no futebol costuma dividir opiniões porque envolve questões de identidade, mercado de trabalho e resultados esportivos. Muitos torcedores e até profissionais do futebol acreditam que o estilo de jogo de um país faz parte da sua cultura, e por isso defendem que comandantes locais entendem melhor a forma de jogar, a pressão da torcida e as características do campeonato, devendo sempre ser a prioridade.

    As principais motivações citadas quando um estrangeiro assume um clube são: se ele conseguirá se adaptar ao idioma, ao calendário intenso e às particularidades do futebol do país. Contudo, muitos defendem a chance modernizar o futebol nacionais, com uma visão de quem chega de fora.

    Treinadores que fizeram história no Brasil

    • Filpo Núñez (argentino): Treinou vários clubes no Brasil, mas foi no Palmeiras que fez história e conquistou vários títulos.
    • Jorge Jesus (português): Passagem vitoriosa pelo Flamengo.
    • Abel Ferreira (português): Treinador estrangeiro com maior número de títulos na história do Palmeiras e segue escrevendo mais capítulos vitoriosos.
    • Jorge Sampaoli (argentino): Com passagens pelo Santos, Atlético-MG e Flamengo.

    A presença de técnicos estrangeiros no futebol segue gerando debates pelo fato de envolver tradição, identidade esportiva e disputa por espaço no mercado de trabalho. Enquanto alguns defendem que profissionais de fora trazem novas ideias, métodos e experiências que podem elevar o nível das equipes, outros acreditam que os treinadores nacionais também possuem capacidade e conhecimento suficientes para comandar os clubes. Assim, a discussão continua aberta, mostrando que o futebol não é apenas um jogo, mas também um espaço de diferentes visões sobre desenvolvimento, cultura e inovação no esporte.

  • O Brasil precisa abrir as janelas 

    O Brasil precisa abrir as janelas 

    Durante o Fórum Brasileiro de Treinadores, disse que torcia para que Carlo Ancelotti tivesse sorte na Copa do Mundo e, depois, deixasse o cargo para um técnico brasileiro.

    A frase foi dita num evento em que o próprio Ancelotti estava no palco, e rapidamente viralizou.
    A cena, por si só, já seria constrangedora. Mas o que veio depois foi ainda pior: Oswaldo recusou-se a pedir desculpas, disse que não falou nada de errado e reafirmou a convicção de que o comando da Seleção deve ser de um brasileiro.

    Nada contra o patriotismo, eu também preferiria que o meu selecionador de Portugal fosse, de facto, português, mas há momentos em que o patriotismo soa a medo.

    O episódio foi vergonhoso porque revelou um pensamento que ainda me choca no futebol brasileiro: o receio do que vem de fora e o medo de ser substituído.

    Foto: Reprodução / YouTube / FBTF

    Quando o orgulho vira obstáculo  

    Renato Gaúcho também já deu declarações com o mesmo tom:

    “Do jeito que falam, parece que chegaram 100 portugueses e 90 tiveram sucesso. A paciência que a imprensa brasileira tem com o estrangeiro, não tem com o brasileiro.”

    Vanderlei Luxemburgo também já tinha ido pelo mesmo caminho meses antes, dizendo que “os portugueses não inventaram o futebol moderno”.

    Essa narrativa tem um problema simples: os estrangeiros que chegaram realmente tiveram sucesso.

    Jorge Jesus transformou o Flamengo num rolo compressor e virou lenda em poucos meses.
    Abel Ferreira criou um império no Palmeiras, continua empilhando taças e está novamente numa final da Libertadores.
    Pedro Caixinha levou o Bragantino a uma classificação histórica.
    Leonardo Jardim, campeão francês com o Mónaco frente ao todo-poderoso PSG, está a brilhar num Cruzeiro que tenta renascer do caos.
    Artur Jorge foi campeão da Libertadores com o Botafogo…

    Até Vítor Pereira, tão criticado, conseguiu eliminar o Boca na Bombonera com um dos piores Corinthians de sempre.

    Não chegaram 100, e nem todos tiveram resultados.
    Sejamos honestos: não são todos bons.
    Mas os que venceram… venceram a sério.

    O espetáculo do Craque Neto  

    No meio disso tudo, o meu favorito e sempre imprevisível Craque Neto não podia ficar de fora.
    Mandou Leonardo Jardim “voltar pra sua terra” e fez do caso um show.

    E eu confesso: me entretenho muito com o Craque Neto.
    É carismático, autêntico, engraçado, mas às vezes passa-se da cabeça.

    E quando a paixão ultrapassa a razão, o debate perde-se.
    Jardim não desrespeitou o Brasil. Pelo contrário: quis vê-lo melhor.

    A ironia do destino

    É curioso notar que, entre tantos nomes, talvez o melhor técnico brasileiro da atualidade seja Filipe Luís, e ele é um produto da escola europeia.
    Aprendeu tática, estrutura e mentalidade no Velho Continente.

    É quase poético: o futuro dos tecnicos brasileiros seja um gajo moldado em Madrid e Londres.

    O que isso mostra?
    Que o intercâmbio é necessário.
    Que ninguém evolui trancado na própria bolha.

    E sabem quem entendeu isso muito bem? A Arábia Saudita.

    Sergio Conceição e Jorge Jesus - Técincos de Al Itthiad e Al Nassr - Foto retirada de : CNN Portugal

    O risco do isolamento  

    A Arábia está a crescer, claro, com dinheiro infinito, mas o que realmente faz diferença é a estratégia.

    Eles vão buscar o conhecimento dos melhores, contratam técnicos de ponta, montam estruturas modernas e aprendem todos os dias.

    E não duvidem: em breve vão surgir grandes talentos árabes, tanto dentro das quatro linhas como a comandar.

    No sentido oposto está a Rússia.
    Claro que a guerra os tirou do mapa, mas mesmo antes disso a liga russa já vivia algo semelhante ao que se vê hoje no Brasil.

    Era uma das mais ricas do mundo, tinha jogadores talentosos — obviamente, menos artísticos, mais objetivos — e estádios de primeiro nível.
    Mas fechou-se.

    Recusava treinadores estrangeiros e os jogadores quase não saíam do país.

    Resultado: estagnação.

    Abrir as janelas  

    O futebol brasileiro tem uma das torcidas mais apaixonadas do mundo, estádios cheios e clubes com poder financeiro cada vez maior.
    Mas ainda falta algo essencial: abrir as janelas e deixar o vento entrar.

    Importar ideias não é perder identidade, é fortalecê-la.
    E, felizmente, já há sinais de mudança.

    Os clubes brasileiros e a CBF já estão a abrir os olhos, a olhar para fora, a buscar referências, a aprender.

    Quem ainda está revoltado são os técnicos, e é normal.
    Quando se muda uma cultura, há sempre resistência.
    Mas o que importa é que a mudança começou.

    O problema não é a nacionalidade. Até porque os portugueses, de facto, não inventaram o futebol moderno como diz o Luxemburgo mas tiveram a capacidade de querer aprender com quem traz algo novo.

    E, sinceramente, se for pra evoluir, que venham mais estrangeiros.
    Tanto o futebol brasileiro e o português só têm a ganhar.

    O técnico do Porto, é Francesco Farioli, um italiano que vai em primeiro na classificação.

    É cíclico.

    E eu prometo continuar assistindo o Craque Neto, só pra rir um pouco no meio do caos.

    Se algum dia ler isto, Neto, me convide para o Donos da Bola.