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  • Leonardo Jardim decide sair do Cruzeiro ao fim da temporada; Tite é o favorito para o cargo

    Leonardo Jardim decide sair do Cruzeiro ao fim da temporada; Tite é o favorito para o cargo

    Leonardo Jardim não será mais técnico do Cruzeiro em 2026. A decisão foi tomada pelo português há alguns dias atrás, porém só será oficializada nesta segunda-feira. A primeira opção para assumir o cargo é o técnico Tite, que está livre no mercado desde o fim do ano passado, quando deixou o Flamengo.

    A direção da Raposa realizará uma reunião com Leonardo Jardim nesta segunda-feira (15), envolvendo o presidente e vice da SAF, Pedro Lourenço e Pedro Junio, respectivamente, para finalizar todos os detalhes e selar sua saída.

    A decisão teria sido tomada pelo próprio treinador português, que expressou o desejo de descansar em 2026 e não pretende trabalhar à beira do campo, mesmo tendo contrato válido até o fim da próxima temporada.

    Parte do elenco do Cruzeiro e funcionários do clube já estão cientes da decisão do técnico, já que ela foi tomada nas últimas semanas, com o português esperando apenas a resolução dos jogos da Copa do Brasil.

    É importante que todos os caminhos apontavam para a saída de Leonardo Jardim, já que o Cruzeiro seguia monitorando a situação de alguns treinadores, mesmo não iniciando as negociações com nenhum deles. A diretoria já começou a estudar alguns nomes, como informou anteriormente o GE, que publicou que Arthur Jorge é um possível técnico que agrada, mas é o nome de Tite que tem ganhado força recentemente nos bastidores.

    Parado desde sua saída do Flamengo no ano passado, Tite comunicou seu retorno ao mercado nas últimas semanas, após cancelar seu pré-acordo com o Corinthians em abril deste ano. O staff do treinador já acenou positivamente para o clube mineiro e as negociações devem andar nos próximo dias.

  • Bem-vindo ao Brasil, Leonardo Jardim  

    Bem-vindo ao Brasil, Leonardo Jardim  

    Leonardo Jardim se revoltou numa coletiva e fez críticas duras ao desempenho da equipa de arbitragem. Mas o meu artigo não é sobre o árbitro, até porque eu nem vi o jogo. É sobre a mensagem que o técnico quis deixar.

    O treinador disse algo importante, que vai muito além de uma decisão de arbitragem. Falou de um sistema e de um contexto. Disse que, na opinião dele, o Brasileirão dificilmente chegará ao top cinco mundial. E eu concordo.

    Eu já escrevi isso antes, o potencial é enorme, talvez o maior do mundo fora da Europa. A paixão pelo futebol no Brasil é algo que me deixa louco. Está na minha lista de coisas a fazer antes de morrer, assistir a um Grenal, a um Corinthians contra Palmeiras ou a um jogo em São Januário. O Brasil vive o futebol de uma forma que nenhum outro país vive, mas a estrutura não acompanha.

    Talento, por si só, já não basta  

    Eu já falei em “lixo visual” nos estádios, nos gramados sintéticos e em outros que mais parecem campos de batatas. E, em 2025, isso ainda faz sentido?

    Enquanto não houver um sindicato que defenda os jogadores, enquanto o número absurdo de jogos e os campeonatos estaduais não forem repensados, o Brasileirão continuará sendo o maior desperdício de talento do mundo.

    Ver um jogo do Palmeiras ou do Flamengo na televisão não tem nada a ver com assistir a uma partida da Premier League. E eu não digo isso por qualquer complexo de superioridade, o campeonato português também tem muito a melhorar. A diferença é que, em Portugal, há uma preocupação, ainda que pequena, com a forma como o produto é apresentado. No Brasil há paixão e emoção como em nenhum outro lugar, mas falta organização, critério e planejamento.

    O bairrismo português é forte no Norte. No Brasil qualquer equipa tem casa cheia. E é por isso que dói ver tanto potencial travado.

    Craque Neto entendeu mal  

    Craque Neto, essa personalidade que eu adoro, tanto me diverte como me irrita profundamente, respondeu da pior forma. Mandou Jardim embora, perguntou “quem é você?” e atacou de forma grosseira. Sinceramente, o que seria se fosse o contrário? Se fosse um português a mandar um brasileiro “de volta para a tua terra”? Abriria os noticiários.

    Mas Neto interpretou mal a crítica. Jardim não desrespeitou o Brasil, pelo contrário, respeitou-o tanto que quis vê-lo melhor. O que ele disse é que o Brasileirão precisa valorizar-se como produto, porque tem torcidas apaixonadas, talento infinito e dimensão continental. E nisso ele está completamente certo.

    Abel Ferreira vem avisando  

    Abel Ferreira tem sido o porta-voz dessa luta desde que chegou. Critica o calendário, defende a profissionalização da arbitragem e pede melhores condições. É ridicularizado por isso, assim como agora Jardim. Mas a verdade é que eles são aliados do futebol brasileiro, até porque o interesse é mútuo. São técnicos que vêm de uma cultura onde o planeamento é fundamental e que encontraram um ambiente onde o improviso ainda manda.

    E o Brasil, com o tamanho e a paixão que tem, pode e deve ambicionar mais.

    Temos de aprender uns com os outros  

    Eu entendo a reação. Os brasileiros, nisso, são como nós, portugueses, não gostam de ouvir críticas sobre o próprio país. Só as aceitam quando vêm de dentro. “Só nós é que podemos falar mal de nós próprios!”

    Jardim não veio ensinar nada. Veio lembrar que o Brasil já tem tudo para ser top cinco. Só falta entender que a paixão precisa de estrutura e que o talento, por si só, já não é suficiente.

    O problema não é a nacionalidade. O problema é não querer ouvir quem quer ajudar.

    Dito isso, se me arranjarem umas cervejas e um ingresso para um jogaço, contem comigo, ahahah.