O Palmeiras anunciou a contratação de Marlon Freitas, vindo do Botafogo, e a reação foi imediata. Marlon chega cercado de questionamentos, desconfiança de parte da torcida e uma dose considerável de polêmica, algo que, no Palmeiras atual, não costuma passar despercebido.
Antes de qualquer julgamento precipitado, vale separar emoção de análise
Marlon Freitas não chega com status de estrela, nem com promessa de contratação “de impacto”. Mas chega com algo que o Palmeiras atual valoriza: leitura de jogo, intensidade, liderança e conhecimento do futebol brasileiro. No Botafogo, foi peça central de um time competitivo, assumiu responsabilidades, organizou o meio-campo e viveu tanto momentos de alegria quanto de frustração.
E talvez esteja aí o primeiro ponto de tensão
A passagem de Marlon pelo Botafogo ficou marcada não só por boas atuações, mas também por episódios de instabilidade emocional, cobranças públicas e uma relação desgastada com parte da torcida. Em alguns momentos, ele virou símbolo de um time que prometeu muito e entregou menos do que poderia. Isso pesa.
Para o torcedor palmeirense, a dúvida é legítima: esse é o perfil que o Palmeiras precisa?
Do ponto de vista técnico, Marlon Freitas oferece algo que o elenco vinha pedindo. É um volante que sabe ocupar espaços, protege a defesa, tem bom passe curto e entende o jogo sem a bola. Não é espetacular, mas é funcional. Em um time que valoriza equilíbrio e organização, isso conta muito. (Saudades Richard Ríos haha)
O Palmeiras não contratou Marlon para ser protagonista. Contratou para compor, sustentar e dar alternativas ao meio-campo, pois desde a saída de Richard Ríos o time está carente de meio de campo. E, dentro dessa lógica, a contratação faz sentido.
A polêmica surge quando a expectativa do torcedor entra em conflito com o histórico recente do clube. O Palmeiras se acostumou a contratações cirúrgicas, nomes jovens ou jogadores que chegam para elevar o nível imediatamente. Marlon foge um pouco desse padrão. Ele representa mais um reforço de contexto do que de manchete.
Isso não é, necessariamente, um problema
O desafio para Marlon Freitas será emocional. Vestir a camisa do Palmeiras hoje exige casca. Exige saber lidar com cobrança constante, com um torcedor que não aceita menos do que disputar por títulos e com um ambiente que amplifica qualquer erro.
Se no Botafogo ele sentiu a pressão, já que a torcida organizada responsável pelo bandeirão de ídolos, está fazendo enquete nas redes sociais para saber se devem ou não tirar o jogador que foi homenageado. E no Palmeiras essa régua de cobrança sobe.
Por outro lado, ele chega a um clube mais estruturado, com elenco mais experiente, ambiente mais estável e um modelo de jogo claro. Isso pode ser exatamente o que faltou em sua trajetória para alcançar regularidade em alto nível.
A reação da torcida, dividida, também é compreensível. Parte vê a contratação como desnecessária, outra como estratégica. O tempo vai ser o único juiz (e espero que não seja um juíz treinado na arbitragem brasileira, se não haha). Porque no Palmeiras, mais do que nome ou origem, o que define aceitação é desempenho, podemos aqui até citar o Vitor Roque, que demorou pra engrenar, mas mostrou desempenho e hoje tem grande aceitação da torcida.
Se Marlon Freitas entregar equilíbrio, intensidade e comprometimento, a polêmica fica no passado. Se não entregar, o questionamento vira cobrança, como sempre acontece no Verdão.
No fim, essa contratação diz mais sobre o momento do Palmeiras do que sobre o jogador. Um clube que não precisa apostar alto em promessas o tempo todo, mas que busca peças específicas para sustentar um projeto vencedor.
Agora, a bola está com Marlon.
Avanti Palestra!


