Tag: Portugal

  • Thiago Silva no FC Porto: aposta improvável ou jogada de mestre?

    Thiago Silva no FC Porto: aposta improvável ou jogada de mestre?

    No sábado caiu uma bomba do nada: Thiago Silva assinou pelo FC Porto. Uma aposta surpreendente, sim. Mas que, olhando com calma, faz muito mais sentido do que parece à primeira vista.

    É estranho falar de um jogador de 41 anos no futebol europeu atual. Mas estamos a falar de um dos melhores zagueiros do século XXI. E o contexto ajuda a explicar esta decisão. O FC Porto tem apenas um zagueiro destro no elenco e a grave lesão de Nehuén Pérez no tendão de Aquiles tirou-o da temporada inteira. Apesar de uma dupla que vem funcionando bem – os polacos Jakub Kiwior e Jan Bednarek – e de uma jovem promessa como Dominik Prpić, a verdade é simples: faltava um perfil específico. Um zagueiro destro, experiente, confiável.

    E aí entra Thiago Silva. Sem custos de transferência, num contrato curto de seis meses (com opção de mais um), fica claro que não é uma contratação para o futuro, mas para gerir o presente. Rotação, segurança, liderança. Alguém que, mesmo recentemente, ainda dava aula no Brasileirão.

    Essa contratação não surge do nada – e diz muito sobre o momento que o FC Porto vive fora de campo. A estrutura do clube está a funcionar bem. Basta lembrar a chegada de Samu no último dia de transferências, fechada sem boatos, sem novelas, sem ruído. Ou a apresentação de Luuk de Jong, feita ao vivo no próprio dia, depois de ter sido trazido para o Dragão com um nível de secretismo tão grande que chegou a circular como reforço da equipa de andebol. Agora, surge mais um movimento cirúrgico: um dos melhores zagueiros de sempre, fechado em absoluto silêncio, numa parceria discreta com Fabrizio Romano. Não é acaso. É método.

    Essa escolha também diz muito sobre o treinador Francesco Farioli. Ele quer certezas. Quer reduzir riscos. Quer competir até o fim. Quer o Campeonato Português e quer vencer a Liga Europa.

    O grande ponto de interrogação não está no futebol de Thiago Silva. Está na cabeça. Ele vem disposto a aceitar ser rotação e não titular absoluto? Vem com humildade para fortalecer o vestiário, orientar um elenco jovem, ambicioso e que já lidera o campeonato? Porque, se vier com esse espírito, o impacto pode ser enorme – dentro e fora de campo.

    Aos 41 anos, continuar a querer jogar bola em alto nível é quase uma loucura. Mas é uma loucura que merece respeito. E esse retorno ao Porto tem também um peso simbólico forte. Thiago Silva volta a uma casa onde, na primeira passagem, não foi feliz. Mas é importante lembrar: foi o FC Porto quem o descobriu ainda menino, vindo do Juventude. A adaptação não correu bem, atuou apenas pela equipe B e seguiu caminho para construir uma carreira lendária. Este retorno soa como um fim de ciclo.

    E que ciclo. Porque o FC Porto tem uma história pesada quando o assunto é zagueiro: Ricardo Carvalho, Aloísio, Jorge Costa e, claro, o homem cujo número agora herda: Pepe.

    Thiago Silva junta vários objetivos numa só decisão: manter vivo o sonho de disputar um Mundial aos 41 anos, fechar uma etapa que não correu bem na primeira passagem, voltar a disputar títulos num gigante europeu e regressar à Europa – algo que sempre esteve nos seus planos.

    O ADN do FC Porto sempre esteve ligado à imprevisibilidade. À capacidade de fazer o que ninguém espera. De arriscar quando outros recuam. De desafiar o óbvio.

    E no futebol, como na vida, há uma verdade simples: quem não arrisca, não merece viver o extraordinário.

    Thiago Silva não chega para ser promessa. Chega para ser aposta. Para ser decisão. Para ser momento.

    Agora a pergunta vai para quem o acompanhou mais de perto nesta fase da carreira. Para quem esteve ao lado dele no Fluminense: o que acham desta movimentação de mercado?

  • O futebol está a ficar aborrecido. E não é só nostalgia.

    O futebol está a ficar aborrecido. E não é só nostalgia.

    O futebol, hoje, está uma seca.
    Não sei se é a nostalgia a falar ou se é mesmo a realidade a impor se, mas a verdade é que algo se perdeu pelo caminho. Esta semana estava a dar um Real Madrid vs Manchester City e, por incrível que pareça, não me despertou grande interesse. Estamos a falar de um dos maiores jogos do futebol atual e mesmo assim passou me quase ao lado.

    Pouco depois, descubro que estava a haver um Flamengo vs Pyramids para a Taça Intercontinental. Taça Intercontinental? E o PSG só entra diretamente na final? Confesso que pensei que essa competição já tinha sido substituída ou simplesmente deixado de existir. E talvez esta confusão diga mais sobre o futebol moderno do que sobre mim.

    A FIFA está a destruir o futebol.
    E não, não é por mal. É por excesso e por falta de critério.

    Vivemos numa era em que o futebol já não compete apenas com outros desportos. A verdadeira concorrência é o entretenimento em geral: Netflix, TikTok, vídeos curtos, consumo rápido. Tudo disputa a nossa atenção. Mas a resposta encontrada foi empilhar jogos, competições e formatos novos, como se quantidade pudesse substituir significado. O que estão a fazer é, no mínimo, criminoso.

    O novo formato da Liga dos Campeões é o melhor exemplo disso. É uma porcaria. A desvalorização dos grandes jogos é evidente. Quando há grandes jogos constantemente, eles deixam de ser especiais. Perdem peso, perdem urgência, perdem contexto. Esta fase de liga permite que equipas gigantes façam apenas o mínimo necessário para seguir em frente. Não há drama, não há medo de falhar. Vemos rotações constantes na maior competição de clubes do mundo, algo que simplesmente não faz sentido.

    Tenho saudades dos grupos de quatro. Da ida e da volta. Da regra dos golos fora nas eliminatórias. Sim, especialmente dessa regra. Não era perfeita, mas ajudava os mais pequenos, criava estratégia, tensão, noites memoráveis. Fazia nos vibrar.

    Depois entramos no absurdo das competições globais. Faz sentido existir uma Taça Intercontinental. Faz sentido existir um Mundial de Clubes. O problema é ninguém perceber qual é qual, nem o que realmente está em jogo. Não é o mesmo título? Não devia ser. Mas hoje parece tudo diluído, sem identidade, sem narrativa. Há um Mundial de Clubes de quatro em quatro anos e, mesmo assim, mantém se uma Intercontinental que, na Europa, quase ninguém valoriza ou sequer acompanha. O futebol está inchado, confuso e sem hierarquia clara.

    Este modelo também está a afastar as pessoas do futebol como um todo. Cada vez mais adeptos acompanham apenas o seu clube do coração, muitos deles exclusivamente pela televisão. O resto do futebol transforma se num produto global vendido em massa para mercados gigantes, como a Índia, onde se consome o futebol europeu como entretenimento, mas onde pouco se vive aquilo que ele realmente é. Estádios, rivalidades, contexto histórico e cultura de adepto passam para segundo plano.

    Em Portugal, sofremos do mesmo mal. Temos uma Taça da Liga que nunca encontrou verdadeiramente o seu propósito. Só a Inglaterra conseguiu tornar uma taça da liga funcional e respeitada. Cá, parece existir apenas para imitar modelos estrangeiros e servir patrocinadores. As torcidas organizadas boicotam, os estádios ficam vazios, e há até rumores de clubes que preferem perder para evitar um calendário ainda mais sobrecarregado em janeiro. Isto não é futebol saudável. Isto é gestão de produto disfarçada de competição.

    Mas o problema do futebol moderno não é só dentro das quatro linhas. É também fora delas. Em vez de apostar seriamente em como ter claques com segurança nos estádios, em como permitir consumo de álcool de forma responsável, em como valorizar o espetáculo criado pelos adeptos com segurança e organização, prefere se reprimir, proibir e afastar. As subculturas do futebol, as claques, os cânticos, as coreografias, a identidade popular, são tratadas como um problema, quando sempre foram parte da solução. Sem isso, o futebol perde alma.

    Vivemos também na era das super equipas. Clubes empresa. Grupos com várias equipas espalhadas pelo mundo. Houve um tempo em que quase todos os clubes tinham jogadores fora de série. Hoje, os dez maiores clubes do mundo têm dois plantéis cheios deles. E, honestamente, perde a graça. O imprevisível desaparece.

    Tenho saudades de ver um Deportivo a brilhar em Espanha. Um Boavista a dar trabalho sério aos grandes em Portugal. Um Wolfsburg, Estugarda ou um Werder Bremen campeões na Alemanha. Uma liga francesa com um Marselha, um Lyon ou um Saint Étienne de volta aos velhos tempos, a discutir títulos frente a um PSG petrolífero. O futebol precisa de anomalias, de histórias improváveis, de resistência. Precisa de falhar ao controlo absoluto.

    Curiosamente, acabei de ver um Corinthians vs Cruzeiro, para a meia final da Taça do Brasil, e foi aí que voltei a sentir alguma coisa. Um jogo menos tático, mais trapalhão, cheio de duelos no um para um, bolas na trave, emoção crua. E, acima de tudo, um público incrível. Um ambiente vivo, intenso, genuíno.

    Talvez não seja o futebol europeu que esteja errado.
    Talvez seja a forma como o estamos a transformar num produto demasiado polido, demasiado controlado, demasiado distante das pessoas.

    Eu sei que a FIFA não me ouve. Mas se continuarmos a aceitar tudo isto sem questionar, um dia vamos acordar e perceber que o futebol que nos fez apaixonar já não existe. E quando isso acontece, não há formato novo que o salve.

  • Frutos de investimento! Não foi por acaso que Portugal venceu o Mundial Sub-17

    Frutos de investimento! Não foi por acaso que Portugal venceu o Mundial Sub-17

    Em um desfecho que ecoou a excelência da formação europeia, Portugal conquistou o seu primeiro título de campeão do mundo na categoria sub-17. A vitória no Catar não é apenas mais um troféu na estante da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), mas sim um manifesto sobre o poder da estrutura e da continuidade em um desporto cada vez mais dependente do planeamento de longo prazo.

    A conquista lusa, alcançada por uma geração forjada em bases sólidas (com atletas oriundos em grande parte dos centros de excelência de Benfica, Braga e Porto – também um do Sporting e dois do Vitória), prova que a qualidade e a repetição de um método superam a dependência do talento cru e esporádico.

    A vitória do «processo» e não apenas do talento

    O sucesso português na base não é acidental. É o resultado de um investimento contínuo em infraestrutura, metodologia de treino e, crucialmente, na formação de treinadores de base. Conforme reiterado pelo próprio Presidente da FPF, Pedro Proença, a vitória é a prova de que o foco estava no «processo» e na «disciplina tática», e não apenas na habilidade individual de uma ou duas estrelas.

    Créditos: Simon Holmes/Getty Images

    O sistema português garante que os jovens atletas não apenas desenvolvam técnica, mas também atinjam uma maturidade tática e mental que lhes permite atuar sob pressão máxima em torneios internacionais. A capacidade de adaptação demonstrada pela equipa no Catar, mesmo enfrentando diferentes estilos de jogo, atesta o sucesso dessa visão integral. Eles chegam aos 17 anos como jogadores, e não apenas como apenas promessas.

    O espelho que revela o problema na base brasileira

    A realidade do Brasil, o maior exportador de talentos do mundo, contrasta drasticamente. Embora o Brasil seja a fonte inesgotável de craques, a gestão brasileiras é marcada pela instabilidade. Muitos clubes do Brasileirão ainda veem a base unicamente como um ativo financeiro de giro rápido. O objetivo primário é vender o garoto prodígio o mais cedo possível para aliviar o caixa, frequentemente interrompendo o seu desenvolvimento tático e emocional e deixando-o sair cedo demais.

    A ausência de uma filosofia de jogo unificada, a troca constante de coordenadores e treinadores nas categorias de base e a falta de paciência com a maturação dos atletas são fatores que prejudicam a nossa competitividade em categorias juvenis. O talento brasileiro é inegável, mas a estrutura portuguesa garante que esse talento seja canalizado para o sucesso coletivo e o resultado final. Onde o Brasil tem o dom, Portugal tem o mapa.

    Créditos: FPF

    A lição para a consistência e o exemplo de Abel Ferreira

    A lição que a conquista sub-17 de Portugal oferece ao futebol brasileiro é clara: a consistência é a única rota para o domínio sustentável. O trabalho de Abel Ferreira no Palmeiras, que o levou a ser o treinador mais vitorioso da história do clube, ecoa essa mesma mentalidade: foco na metodologia, valorização da comissão técnica e exigência de um padrão de trabalho que não muda a cada derrota.

    Enquanto a Europa, e agora Portugal no cenário de base, investe em continuidade metodológica, o Brasil segue refém do imediatismo e do ciclo vicioso de desinvestimento na base e de trocas incessantes no comando. O título sub-17 português não é apenas um feito desportivo, é a prova de que, para reverter a tendência de sermos apenas formadores de commodities para o mercado europeu, precisamos urgentemente priorizar o processo, o método e a paciência sobre a venda e o lucro imediato. O sucesso é planeado, e Portugal deu-nos a prova final disso!

  • Portugal vai ver a Copa do Mundo de graça

    Portugal vai ver a Copa do Mundo de graça

    Boas notícias para Portugal: por cá vamos poder ver a Copa do Mundo de forma gratuita!

    É verdade, nós por cá não estamos habituados a isto, mas a LiveModeTV, plataforma recente e que eu desconhecia, vai transmitir os jogos de Portugal na Copa do Mundo e ainda o melhor jogo do dia, no YouTube, sem qualquer custo.

    Pelos vistos, a plataforma é da mesma empresa da CazeTV, algo que os meus leitores brasileiros devem conhecer bem.

    Em Portugal transmissões gratuitas dos jogos não é costume. Por cá temos de pagar a DAZN, Sport TV e BTV, para quem for benfiquista. Os preços são altos, bastante altos até.

    Só no Mundial de Clubes é que tivemos futebol de graça e é uma iniciativa que a mim, como consumidor, me agrada bastante, obviamente.

    Acho que o futuro das transmissões passará por aqui, com anúncios e patrocinadores à mistura, mas sem custos para o adepto. Prova disso é o aumento significativo das TV pirata.

    A Sport TV custa 30 euros e a DAZN 18 euros e a BTV custa entre 10 a 12 euros. Ou seja, quem quiser as três (a última é só para jogos do Benfica em casa) paga quase 50 euros. É natural que se opte por opções piratas porque são mais baratas por ano.

    O consumidor já não quer ter de pagar tanto dinheiro para ver futebol, por isso é que opções gratuitas, mesmo com anúncios e outras publicidades, são as melhores soluções para o futuro do streaming.

    Ou os grandes e tradicionais operadores se reinventam, ou vão todos no mesmo barco rumo a menos receitas. Por muito que tentem combater a pirataria, que é algo errado e ilegal, esta vai sempre prevalecer enquanto o serviço não for melhorado e o preço mais baixo.

    Portanto, esta iniciativa da LiveModeTV pode trazer efeitos positivos para o futebol português e demais receitas. Veremos.

  • Brasil perde para Portugal nos pênaltis e adia sonho do pentacampeonato mundial sub-17

    Brasil perde para Portugal nos pênaltis e adia sonho do pentacampeonato mundial sub-17

    Em mais uma disputa dramática por penalidades, a Seleção Brasileira foi superada por Portugal nas semifinais da Copa do Mundo Sub-17 e agora disputará o terceiro lugar da competição.

    O sonho de conquistar o pentacampeonato no Mundial Sub-17 foi interrompido para o Brasil. Em uma partida extremamente disputada, a Seleção Brasileira e Portugal empataram em 0 a 0 no tempo normal e levaram a decisão para as penalidades, onde a equipe lusa se mostrou mais eficiente e venceu por 6 a 5.

    O resultado representa a terceira disputa por pênaltis consecutiva do Brasil no torneio, mas desta vez o time não conseguiu superar a “fábrica de heróis e vilões” da marca da cal.

    O Duelo de Forças e o Zero a Zero

    Apesar do desgaste físico provocado pela maratona de jogos, Brasil e Portugal protagonizaram um primeiro tempo bastante equilibrado, com alternância no domínio do jogo e oportunidades claras para ambos os lados.

    Créditos: FPF

    Portugal começou tomando a iniciativa, explorando as pontas. O centroavante Anísio Cabral utilizou sua força física e gerou preocupação na defesa brasileira, sendo parado em uma oportunidade crucial pelo zagueiro Zé Lucas.

    O susto forçou o Brasil a responder. Em uma jogada pela direita, o atacante Dell, conhecido como “Haaland do Nordeste” no artigo original, ficou cara a cara com o goleiro Romário Cunha, mas parou no arqueiro português. No rebote, Dell finalizou novamente, e Chelmik salvou a bola em cima da linha, impedindo a abertura do placar.

    Defesas Compactas Travam o Jogo

    O segundo tempo repetiu a alta entrega física das equipes, mas a produção ofensiva diminuiu significativamente. Ambos os times reforçaram seus sistemas defensivos, e o jogo ficou concentrado e travado no meio-campo.

    Apesar das substituições feitas pelos treinadores para renovar o fôlego das jovens promessas, o equilíbrio prevaleceu. As defesas se mantiveram compactas e disciplinadas, garantindo que o placar permanecesse zerado até o apito final.

    O Desfecho nos Pênaltis

    O Brasil foi para a decisão de pênaltis depositando suas esperanças no goleiro João Pedro, mas encontrou uma seleção portuguesa preparada para neutralizar o destaque brasileiro. Nas quatro primeiras cobranças, os jogadores lusos tiraram a bola do alcance de João Pedro e mandaram para o fundo das redes. O Brasil manteve a eficiência e respondeu com acertos nas mesmas quatro batidas.

    O drama atingiu o auge na última série regulamentar, quando o goleiro português Romário Cunha se arriscou na cobrança e isolou a bola. O Brasil teve a primeira chance de selar a classificação, mas Ruan Pablo acertou a trave.

    Nas cobranças alternadas, Portugal voltou a mostrar precisão, e a vaga na final foi definida em um erro de Angelo, que desperdiçou sua batida, confirmando a vitória de Portugal por 6 a 5.

    Portugal avança para a grande final e enfrentará a Áustria. Já o Brasil se despede da busca pelo penta e disputará o terceiro lugar contra a Itália, na quinta-feira.

  • Ronaldo, isto não é o UFC!

    Ronaldo, isto não é o UFC!

    Portugal apurou-se para o Mundial 2026. Nada de surpreendente aqui, mau era se ainda tinha de aos play-offs. A celebração vem com um sabor agridoce pela expulsão de Cristiano Ronaldo.

    Como todo o mundo certamente viu, CR7 deu uma cotovelada a um adversário e, após revisão VAR, viu o cartão vermelho direto, num gesto que só se vê em desportos de combate.

    Eu sou muito apologista que toda a gente pode errar, todos temos direito a perder o controlo das emoções por momentos e fazer coisas que nos arrependemos. Todos já tivemos aí!

    A questão aqui é que Cristiano Ronaldo não é uma pessoa qualquer. Da mesma forma que ele tem consciência que não pode ir à rua sem seguranças, devia ter a noção de que tem uma responsabilidade maior que os colegas e não pode perder a cabeça.

    É a realidade. Por muito que se tente defender CR7 com os argumentos de “toda a gente já se passou uma vez na vida”, a realidade é que o avançado deve mais à equipa, aos colegas e aos adeptos do que os outros.

    Não pode ter aquelas atitudes, é vergonhoso. Não só ele agrediu um adversário, porque aziou uma vez que estava a perder 2-0 e ainda não tinha feito nada no jogo, como ainda se pôs a brincar.

    Os gestos de choro que fez para os adeptos irlandeses e jogadores contrários é uma autêntica criancice, típica de um miúdo mimado que está chateadinho porque a vida não lhe corre como queria.

    Mas Cristiano Ronaldo tem 40 anos! Protagoniza-se pela mentalidade forte e de ser um exemplo para os outros… mas a verdade é que foi tão ridículo como quando Yamal não o cumprimentou.

    Ronaldo é capitão! Se o lugar de titular indiscutível na seleção portuguesa já é bastante debatido, ao menos que se mantenha como exemplo de maturidade. Nem isso foi. Desiludiu um país.

    Já faz lembrar quando mandou a braçadeira de capitão ao chão… enfim! O pior é que não pensou nas consequências, algo que com 40 anos já devia ser automático. Vai falhar o primeiro jogo do Mundial, muito provavelmente. A menos que a FPF faça alguma magia junto da FIFA, o que não me surpreendia.

    E logo o primeiro jogo, onde podia estar dentro de campo, a liderar pelo exemplo, a impulsionar aquilo que pode ser um Mundial de sucesso para Portugal. Ao invés, vai estar na bancada, tudo porque foi mimado.

    Não vou mentir que esta expulsão me fez perder o pouco interesse que tinha nesta data FIFA e manchou o sabor do apuramento para o Mundial, embora este já fosse quase garantido.

    Boa notícia foi a goleada à Arménia. Novamente, não esperava menos, mas 9-1 foi bastante saboroso, não vou mentir. Em Portugal, fez levantar as questões habituais sempre que Ronaldo não joga: “jogamos melhor sem ele”, ouve-se em todo o lado.

    Gonçalo Ramos dá outras coisas, como pressão e um ataque mais ágil. Ronaldo dá outras, como instinto, experiência, finalização e cria peso nos adversários…

    Mas parece que a seleção joga melhor sem Ronaldo, agora se está mais próxima de sucesso em grandes torneios onde a liderança e peso histórico tem muita importância… não sei.

  • Roberto Martínez já chateia

    Roberto Martínez já chateia

    A convocatória de Portugal para os jogos contra a República da Irlanda e Arménia, de qualificação para a Copa do Mundo de 2026 é semelhante a um peito de frango sem tempero.

    Não há nada de diferente, inovador, apenas as mesmas apostas conservadoras e muito questionáveis do selecionador Roberto Martínez.

    Vamos por parte para facilitar a vida ao leitor. Nuno Mendes está lesionado, o defesa esquerdo que o selecionador considera ser “o melhor jogador do mundo”. Sabe, caro leitor, quantos defesas esquerdos convocou Martínez? Zero!

    “Ah, mas o Diogo Dalot joga a defesa esquerdo no Manchester United”. Jogar é uma coisa, jogar bem… é outra. “Ah, mas não há opções melhores”, aliás, não há opção nenhuma na cabeça de Roberto Martínez.

    Mas para quem de facto vê futebol, reconhece a boa temporada que Leonardo Lelo está a fazer no Braga e a opção sólida que Francisco Moura, do FC Porto, pode ser. Mas talvez o selecionador não acompanhe o campeonato do país que treina.

    Ao menos se houvesse um defesa esquerdo nomeado para defesa do ano da FIFA e jogasse numa das melhores equipas do mundo… Espera! Afinal há! Raphael Guerreiro não vai à seleção portuguesa desde julho de 2023, mas continua a exibir-se a alto nível no Bayern Munique.

    Não me digam que Roberto Martínez não vê a melhor equipa da Europa em 2025/26? Ao menos temos Diogo Dalot.

    Vamos ao lado direito da defesa. As escolhas passaram por Nélson Semedo, uma opção meramente ok; e João Cancelo, aquele lateral prolífero na competitiva Liga saudita.

    Novamente, se Roberto Martínez assistisse à Liga portuguesa talvez soubesse que Alberto Costa merece uma chamada (já leva cinco assistências) e tem um perfil que pode ser bem aproveitada na seleção nacional.

    Mas para o lado direito há Matheus Nunes, que não se sabe bem se é médio ou lateral, mas que não é o mesmo do Sporting.

    Continuando na defesa, mas agora no centro, concordo com quase todas as chamadas, mas Renato Veiga… eu não sei bem o que anda ali a fazer. Tomás Araújo já mostrou mais que suficiente para ser convocado regularmente e tem argumentos para ser o futuro da seleção. Mas o que se há de fazer?

    No meio campo não há muito a dizer, também não tenho paciência para isso. Mas depois chegamos ao ataque e já tenho o que contestar novamente.

    Fico feliz por Carlos Forbs ter sido convocado, a sério, é bom ver sangue novo e com perfil desequilibrador na seleção nacional. Mas o motivo desta convocatória diz muito da incoerência de Roberto Martínez.

    O extremo do Brugge está a ter um arranque bom de época, mas foi chamado por um (!) bom jogo frente ao Barcelona. Foi uma excelente exibição, na Champions e contra uma grande equipa – dois golos e uma assistência – mas é uma exibição!

    Se é para dar oportunidades a jogadores fora do grupo habitual, sou totalmente a favor, mas Rodrigo Mora não existe? Não mostrou que é craque?

    E Quenda? Já é jogador do Chelsea e ainda não jogou na seleção A! É escandaloso e só descredibiliza um selecionador que só salvou parte da opinião pública porque ganhou a poderosissíma Liga das Nações.

    Mas lá está, o técnico espanhol não deve mesmo acompanhar a Liga portuguesa. Ou então saberia da época que Pablo, avançado do Gil Vicente, está a fazer. Tal como Félix Correia fez em 2024/25 e está a fazer, agora, no Lille.

    É importante esclarecer que eu não acho que a seleção nacional deve ser uma porta giratória de jogadores. Mas basta olhar para Espanha e perceber que não há medo de mudar o grupo para integrar jogadores em boa forma.

    E Roberto Martínez mantém-se às mesmas opções de sempre, várias de peso questionáveis (João Félix, Bernardo Silva, Rúben Neves) e não dá hipótese a outros de se mostrarem.

    E isto não pode acontecer num Euro ou Mundial, claro. Mas há tantas datas FIFA ou UEFA que dão perfeitamente para estrear outros nomes, experimentar dinâmicas e evoluir a seleção.

    Depois os resultados estão em campo. Exibições que vão do 8 ao 80, algumas pobres, sem ritmo, de um grupo que não parece ter alma em mais ocasiões do que devia.

    Portugal tem de ser uma seleção moderna, se não Roberto Martínez vai ficar na história por desperdiçar (mais uma) geração de ouro.

  • Palpites e Onde Assistir: Irlanda x Portugal

    Palpites e Onde Assistir: Irlanda x Portugal

    Análise do confronto: 

    Nesta quinta-feira (13/11), às 17h45 (horário de Brasília), a República da Irlanda recebe  Portugal no Aviva Stadium, em um confronto válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo 2026.


    Você poderá acompanhar o jogo ao vivo:

    • ESPN

    A equipe de Cristiano Ronaldo chega embalada com 10 pontos somados em 4 partidas disputadas, e líder isolada do Grupo F, que também conta com Irlanda (sua adversária da vez), Arménia e Hungria. A formação do espanhol Roberto Martínez tem mostrado muita estabilidade e dominância, sendo uma das equipes mais ofensivas da competição até o momento.

    A seleção irlandesa tenta reagir após a vitória contra a Arménia em outubro, que quebrou uma sequência de resultados negativos para a equipe do islandês Heimir Hallgrimsson, que apesar de ser forte fisicamente e competitiva em casa, tem mostrado dificuldades diante de seleções mais técnicas. Com apenas 4 pontos somados, e na 3ª posição, irão precisar de muita atitude para fazer frente à este grande adversário.

    Palpites para o jogo:

    Mercado: Portugal vence
    Explicação:  A diferença técnica e o momento das equipes apontam para um favoritismo claro dos visitantes. Os portugueses vêm mantendo regularidade e costumam controlar bem os jogos fora de casa.

    Mercado: Acima de 2.5 gols
    Explicação:  Portugal tem média alta de gols marcados nas Eliminatórias, e a Irlanda deve buscar o ataque diante da sua torcida, o que tende a abrir o jogo.

  • Cristiano Ronaldo ganhar a Copa do Mundo seria poético

    Cristiano Ronaldo ganhar a Copa do Mundo seria poético

    Eu sei que ainda falta e eu sei que os fãs do Messi já vêm comentar que o argentino já ganhou. Mas a questão não é só para os leitores do Portal Camisa12, mas para os fãs de futebol: não seria poético Cristiano Ronaldo ganhar a Copa do Mundo 2026?

    Tenho vários argumentos para convencer os mais céticos. O primeiro é que, muito provavelmente, será o último Mundial de Cristiano Ronaldo. Vai ter 41 anos, mas também não me surpreendia se aos 45 anos ainda quisesse jogar o Mundial 2030, visto que é co-organizado por Portugal.

    A idade pesa, o último grande torneio, 20 anos depois daquela edição na Alemanha que Portugal chegou às semifinais… era “giro”!

    Depois, eu sei que os adeptos, inclusive eu, acreditam que CR7 apenas está à espera de chegar ao gol 1000 para terminar a carreira. Faltam 54… não seria impossível atingir a marca na Copa do Mundo 2026. E não me façam sonhar com o gol 1000 sendo na final que eu fico já eufórico!

    O último argumento que eu quero utilizar baseia-se na rivalidade com Messi. Eu sei que cada um tem os seus preferidos, mas com ambos a chegarem ao fim de carreira não parece que cada um de nós está mais a ignorar essa discussão e mais a aproveitar os últimos momentos?

    Desse ponto de vista mais amigável e menos rival, para o futebol ser justo e bonito para todos, Cristiano Ronaldo também devia ganhar uma Copa do Mundo.

    Os dois maiores jogadores de sempre, lado a lado a nível de troféus e sucesso. A discussão de quem é melhor passa para segundo plano, ambos atingem o melhor que o desporto tem para oferecer e nós, meros mortais adeptos, só podemos apreciar.

    Eu achava bonito e… poético!

    Claro que além do mais eu sou português e ver a minha seleção a ganhar uma Copa do Mundo era indescritível. Muito mais com o capitão Cristiano Ronaldo, o meu preferido de sempre, a levantar a taça. Mal posso esperar por 2026!

  • Menos jogos por favor

    Menos jogos por favor

    Bem e o futebol lá parou por causa das seleções… que seca. Lamento se o leitor do Portal Camisa12 gosta das data FIFA, eu não tenho paciência.

    É chato, sei lá… eu quero é ver o meu clube a jogar e quero ver os jogos internacionais, quero a Champions. Agora ver um Portugal-Irlanda… só mesmo para ver se o Cristiano marca, e nem isso!

    Mas bem, antes de pedir perdão ao leitor por sempre reclamar com alguma coisa, aviso que este fatídico artigo de opinião não serve para falar dos jogos aborrecidos da paragem de seleções.

    Mas sim tocar no tema de que é mesmo preciso menos jogos… e eu sei que estamos numa fase inicial da época, passaram sensivelmente dois meses, o pior ainda está para vir, mas já há lesões.

    E lesões que surgiram nas seleções! Nem vou falar de João Neves ou Yamal, que não foram convocados. Mas Enzo Fernández, do Chelsea, deixou a concentração da Argentina por um problema no joelho.

    Mbappé sofreu uma lesão no tornozelo, embora nada de grave. Ao menos isso, está a fazer uma época top, espero que continue, mas que o Real Madrid não ganhe nada.

    Konaté, do Liverpool, também se lesionou. João Félix vai falhar o jogo de Portugal contra a Hungria por lesão.

    E ainda Sudakov também se lesionou pela seleção da Ucrânia…

    Eu sei que os jogadores recebem milhões, mas isto não pode ser só aumentar o número de jogos e achar que eles são animais ou máquinas.

    Adianta de quê ter quinhentos mil jogos por época se os melhores jogadores andam sempre lesionados? É tudo uma sede de dinheiro impressionante.

    Enquanto não perceberem que o espetáculo melhora quando há menos, mas melhores jogos, isto não vai mudar. Como isso nunca vai acontecer, esperemos que os jogadores se unam e façam uma greve para alterar o cenário atual.

    E ninguém me tira a ideia que os jogadores também se sentem menos motivado. Eu nem vou muito longe, fico aqui em Portugal. Um jogador de Benfica, FC Porto ou Sporting, vai ter a mesma motivação a jogar a Taça da Liga, em Leiria, a uma quinta-feira à noite de dezembro ou janeiro, ou uma Champions à terça?

    Um abraço aos iluminados. Menos jogos, por favor.