Tag: Portugal

  • Portugal vai ver a Copa do Mundo de graça

    Portugal vai ver a Copa do Mundo de graça

    Boas notícias para Portugal: por cá vamos poder ver a Copa do Mundo de forma gratuita!

    É verdade, nós por cá não estamos habituados a isto, mas a LiveModeTV, plataforma recente e que eu desconhecia, vai transmitir os jogos de Portugal na Copa do Mundo e ainda o melhor jogo do dia, no YouTube, sem qualquer custo.

    Pelos vistos, a plataforma é da mesma empresa da CazeTV, algo que os meus leitores brasileiros devem conhecer bem.

    Em Portugal transmissões gratuitas dos jogos não é costume. Por cá temos de pagar a DAZN, Sport TV e BTV, para quem for benfiquista. Os preços são altos, bastante altos até.

    Só no Mundial de Clubes é que tivemos futebol de graça e é uma iniciativa que a mim, como consumidor, me agrada bastante, obviamente.

    Acho que o futuro das transmissões passará por aqui, com anúncios e patrocinadores à mistura, mas sem custos para o adepto. Prova disso é o aumento significativo das TV pirata.

    A Sport TV custa 30 euros e a DAZN 18 euros e a BTV custa entre 10 a 12 euros. Ou seja, quem quiser as três (a última é só para jogos do Benfica em casa) paga quase 50 euros. É natural que se opte por opções piratas porque são mais baratas por ano.

    O consumidor já não quer ter de pagar tanto dinheiro para ver futebol, por isso é que opções gratuitas, mesmo com anúncios e outras publicidades, são as melhores soluções para o futuro do streaming.

    Ou os grandes e tradicionais operadores se reinventam, ou vão todos no mesmo barco rumo a menos receitas. Por muito que tentem combater a pirataria, que é algo errado e ilegal, esta vai sempre prevalecer enquanto o serviço não for melhorado e o preço mais baixo.

    Portanto, esta iniciativa da LiveModeTV pode trazer efeitos positivos para o futebol português e demais receitas. Veremos.

  • Brasil perde para Portugal nos pênaltis e adia sonho do pentacampeonato mundial sub-17

    Brasil perde para Portugal nos pênaltis e adia sonho do pentacampeonato mundial sub-17

    Em mais uma disputa dramática por penalidades, a Seleção Brasileira foi superada por Portugal nas semifinais da Copa do Mundo Sub-17 e agora disputará o terceiro lugar da competição.

    O sonho de conquistar o pentacampeonato no Mundial Sub-17 foi interrompido para o Brasil. Em uma partida extremamente disputada, a Seleção Brasileira e Portugal empataram em 0 a 0 no tempo normal e levaram a decisão para as penalidades, onde a equipe lusa se mostrou mais eficiente e venceu por 6 a 5.

    O resultado representa a terceira disputa por pênaltis consecutiva do Brasil no torneio, mas desta vez o time não conseguiu superar a “fábrica de heróis e vilões” da marca da cal.

    O Duelo de Forças e o Zero a Zero

    Apesar do desgaste físico provocado pela maratona de jogos, Brasil e Portugal protagonizaram um primeiro tempo bastante equilibrado, com alternância no domínio do jogo e oportunidades claras para ambos os lados.

    Créditos: FPF

    Portugal começou tomando a iniciativa, explorando as pontas. O centroavante Anísio Cabral utilizou sua força física e gerou preocupação na defesa brasileira, sendo parado em uma oportunidade crucial pelo zagueiro Zé Lucas.

    O susto forçou o Brasil a responder. Em uma jogada pela direita, o atacante Dell, conhecido como “Haaland do Nordeste” no artigo original, ficou cara a cara com o goleiro Romário Cunha, mas parou no arqueiro português. No rebote, Dell finalizou novamente, e Chelmik salvou a bola em cima da linha, impedindo a abertura do placar.

    Defesas Compactas Travam o Jogo

    O segundo tempo repetiu a alta entrega física das equipes, mas a produção ofensiva diminuiu significativamente. Ambos os times reforçaram seus sistemas defensivos, e o jogo ficou concentrado e travado no meio-campo.

    Apesar das substituições feitas pelos treinadores para renovar o fôlego das jovens promessas, o equilíbrio prevaleceu. As defesas se mantiveram compactas e disciplinadas, garantindo que o placar permanecesse zerado até o apito final.

    O Desfecho nos Pênaltis

    O Brasil foi para a decisão de pênaltis depositando suas esperanças no goleiro João Pedro, mas encontrou uma seleção portuguesa preparada para neutralizar o destaque brasileiro. Nas quatro primeiras cobranças, os jogadores lusos tiraram a bola do alcance de João Pedro e mandaram para o fundo das redes. O Brasil manteve a eficiência e respondeu com acertos nas mesmas quatro batidas.

    O drama atingiu o auge na última série regulamentar, quando o goleiro português Romário Cunha se arriscou na cobrança e isolou a bola. O Brasil teve a primeira chance de selar a classificação, mas Ruan Pablo acertou a trave.

    Nas cobranças alternadas, Portugal voltou a mostrar precisão, e a vaga na final foi definida em um erro de Angelo, que desperdiçou sua batida, confirmando a vitória de Portugal por 6 a 5.

    Portugal avança para a grande final e enfrentará a Áustria. Já o Brasil se despede da busca pelo penta e disputará o terceiro lugar contra a Itália, na quinta-feira.

  • Ronaldo, isto não é o UFC!

    Ronaldo, isto não é o UFC!

    Portugal apurou-se para o Mundial 2026. Nada de surpreendente aqui, mau era se ainda tinha de aos play-offs. A celebração vem com um sabor agridoce pela expulsão de Cristiano Ronaldo.

    Como todo o mundo certamente viu, CR7 deu uma cotovelada a um adversário e, após revisão VAR, viu o cartão vermelho direto, num gesto que só se vê em desportos de combate.

    Eu sou muito apologista que toda a gente pode errar, todos temos direito a perder o controlo das emoções por momentos e fazer coisas que nos arrependemos. Todos já tivemos aí!

    A questão aqui é que Cristiano Ronaldo não é uma pessoa qualquer. Da mesma forma que ele tem consciência que não pode ir à rua sem seguranças, devia ter a noção de que tem uma responsabilidade maior que os colegas e não pode perder a cabeça.

    É a realidade. Por muito que se tente defender CR7 com os argumentos de “toda a gente já se passou uma vez na vida”, a realidade é que o avançado deve mais à equipa, aos colegas e aos adeptos do que os outros.

    Não pode ter aquelas atitudes, é vergonhoso. Não só ele agrediu um adversário, porque aziou uma vez que estava a perder 2-0 e ainda não tinha feito nada no jogo, como ainda se pôs a brincar.

    Os gestos de choro que fez para os adeptos irlandeses e jogadores contrários é uma autêntica criancice, típica de um miúdo mimado que está chateadinho porque a vida não lhe corre como queria.

    Mas Cristiano Ronaldo tem 40 anos! Protagoniza-se pela mentalidade forte e de ser um exemplo para os outros… mas a verdade é que foi tão ridículo como quando Yamal não o cumprimentou.

    Ronaldo é capitão! Se o lugar de titular indiscutível na seleção portuguesa já é bastante debatido, ao menos que se mantenha como exemplo de maturidade. Nem isso foi. Desiludiu um país.

    Já faz lembrar quando mandou a braçadeira de capitão ao chão… enfim! O pior é que não pensou nas consequências, algo que com 40 anos já devia ser automático. Vai falhar o primeiro jogo do Mundial, muito provavelmente. A menos que a FPF faça alguma magia junto da FIFA, o que não me surpreendia.

    E logo o primeiro jogo, onde podia estar dentro de campo, a liderar pelo exemplo, a impulsionar aquilo que pode ser um Mundial de sucesso para Portugal. Ao invés, vai estar na bancada, tudo porque foi mimado.

    Não vou mentir que esta expulsão me fez perder o pouco interesse que tinha nesta data FIFA e manchou o sabor do apuramento para o Mundial, embora este já fosse quase garantido.

    Boa notícia foi a goleada à Arménia. Novamente, não esperava menos, mas 9-1 foi bastante saboroso, não vou mentir. Em Portugal, fez levantar as questões habituais sempre que Ronaldo não joga: “jogamos melhor sem ele”, ouve-se em todo o lado.

    Gonçalo Ramos dá outras coisas, como pressão e um ataque mais ágil. Ronaldo dá outras, como instinto, experiência, finalização e cria peso nos adversários…

    Mas parece que a seleção joga melhor sem Ronaldo, agora se está mais próxima de sucesso em grandes torneios onde a liderança e peso histórico tem muita importância… não sei.

  • Roberto Martínez já chateia

    Roberto Martínez já chateia

    A convocatória de Portugal para os jogos contra a República da Irlanda e Arménia, de qualificação para a Copa do Mundo de 2026 é semelhante a um peito de frango sem tempero.

    Não há nada de diferente, inovador, apenas as mesmas apostas conservadoras e muito questionáveis do selecionador Roberto Martínez.

    Vamos por parte para facilitar a vida ao leitor. Nuno Mendes está lesionado, o defesa esquerdo que o selecionador considera ser “o melhor jogador do mundo”. Sabe, caro leitor, quantos defesas esquerdos convocou Martínez? Zero!

    “Ah, mas o Diogo Dalot joga a defesa esquerdo no Manchester United”. Jogar é uma coisa, jogar bem… é outra. “Ah, mas não há opções melhores”, aliás, não há opção nenhuma na cabeça de Roberto Martínez.

    Mas para quem de facto vê futebol, reconhece a boa temporada que Leonardo Lelo está a fazer no Braga e a opção sólida que Francisco Moura, do FC Porto, pode ser. Mas talvez o selecionador não acompanhe o campeonato do país que treina.

    Ao menos se houvesse um defesa esquerdo nomeado para defesa do ano da FIFA e jogasse numa das melhores equipas do mundo… Espera! Afinal há! Raphael Guerreiro não vai à seleção portuguesa desde julho de 2023, mas continua a exibir-se a alto nível no Bayern Munique.

    Não me digam que Roberto Martínez não vê a melhor equipa da Europa em 2025/26? Ao menos temos Diogo Dalot.

    Vamos ao lado direito da defesa. As escolhas passaram por Nélson Semedo, uma opção meramente ok; e João Cancelo, aquele lateral prolífero na competitiva Liga saudita.

    Novamente, se Roberto Martínez assistisse à Liga portuguesa talvez soubesse que Alberto Costa merece uma chamada (já leva cinco assistências) e tem um perfil que pode ser bem aproveitada na seleção nacional.

    Mas para o lado direito há Matheus Nunes, que não se sabe bem se é médio ou lateral, mas que não é o mesmo do Sporting.

    Continuando na defesa, mas agora no centro, concordo com quase todas as chamadas, mas Renato Veiga… eu não sei bem o que anda ali a fazer. Tomás Araújo já mostrou mais que suficiente para ser convocado regularmente e tem argumentos para ser o futuro da seleção. Mas o que se há de fazer?

    No meio campo não há muito a dizer, também não tenho paciência para isso. Mas depois chegamos ao ataque e já tenho o que contestar novamente.

    Fico feliz por Carlos Forbs ter sido convocado, a sério, é bom ver sangue novo e com perfil desequilibrador na seleção nacional. Mas o motivo desta convocatória diz muito da incoerência de Roberto Martínez.

    O extremo do Brugge está a ter um arranque bom de época, mas foi chamado por um (!) bom jogo frente ao Barcelona. Foi uma excelente exibição, na Champions e contra uma grande equipa – dois golos e uma assistência – mas é uma exibição!

    Se é para dar oportunidades a jogadores fora do grupo habitual, sou totalmente a favor, mas Rodrigo Mora não existe? Não mostrou que é craque?

    E Quenda? Já é jogador do Chelsea e ainda não jogou na seleção A! É escandaloso e só descredibiliza um selecionador que só salvou parte da opinião pública porque ganhou a poderosissíma Liga das Nações.

    Mas lá está, o técnico espanhol não deve mesmo acompanhar a Liga portuguesa. Ou então saberia da época que Pablo, avançado do Gil Vicente, está a fazer. Tal como Félix Correia fez em 2024/25 e está a fazer, agora, no Lille.

    É importante esclarecer que eu não acho que a seleção nacional deve ser uma porta giratória de jogadores. Mas basta olhar para Espanha e perceber que não há medo de mudar o grupo para integrar jogadores em boa forma.

    E Roberto Martínez mantém-se às mesmas opções de sempre, várias de peso questionáveis (João Félix, Bernardo Silva, Rúben Neves) e não dá hipótese a outros de se mostrarem.

    E isto não pode acontecer num Euro ou Mundial, claro. Mas há tantas datas FIFA ou UEFA que dão perfeitamente para estrear outros nomes, experimentar dinâmicas e evoluir a seleção.

    Depois os resultados estão em campo. Exibições que vão do 8 ao 80, algumas pobres, sem ritmo, de um grupo que não parece ter alma em mais ocasiões do que devia.

    Portugal tem de ser uma seleção moderna, se não Roberto Martínez vai ficar na história por desperdiçar (mais uma) geração de ouro.

  • Palpites e Onde Assistir: Irlanda x Portugal

    Palpites e Onde Assistir: Irlanda x Portugal

    Análise do confronto: 

    Nesta quinta-feira (13/11), às 17h45 (horário de Brasília), a República da Irlanda recebe  Portugal no Aviva Stadium, em um confronto válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo 2026.


    Você poderá acompanhar o jogo ao vivo:

    • ESPN

    A equipe de Cristiano Ronaldo chega embalada com 10 pontos somados em 4 partidas disputadas, e líder isolada do Grupo F, que também conta com Irlanda (sua adversária da vez), Arménia e Hungria. A formação do espanhol Roberto Martínez tem mostrado muita estabilidade e dominância, sendo uma das equipes mais ofensivas da competição até o momento.

    A seleção irlandesa tenta reagir após a vitória contra a Arménia em outubro, que quebrou uma sequência de resultados negativos para a equipe do islandês Heimir Hallgrimsson, que apesar de ser forte fisicamente e competitiva em casa, tem mostrado dificuldades diante de seleções mais técnicas. Com apenas 4 pontos somados, e na 3ª posição, irão precisar de muita atitude para fazer frente à este grande adversário.

    Palpites para o jogo:

    Mercado: Portugal vence
    Explicação:  A diferença técnica e o momento das equipes apontam para um favoritismo claro dos visitantes. Os portugueses vêm mantendo regularidade e costumam controlar bem os jogos fora de casa.

    Mercado: Acima de 2.5 gols
    Explicação:  Portugal tem média alta de gols marcados nas Eliminatórias, e a Irlanda deve buscar o ataque diante da sua torcida, o que tende a abrir o jogo.

  • Cristiano Ronaldo ganhar a Copa do Mundo seria poético

    Cristiano Ronaldo ganhar a Copa do Mundo seria poético

    Eu sei que ainda falta e eu sei que os fãs do Messi já vêm comentar que o argentino já ganhou. Mas a questão não é só para os leitores do Portal Camisa12, mas para os fãs de futebol: não seria poético Cristiano Ronaldo ganhar a Copa do Mundo 2026?

    Tenho vários argumentos para convencer os mais céticos. O primeiro é que, muito provavelmente, será o último Mundial de Cristiano Ronaldo. Vai ter 41 anos, mas também não me surpreendia se aos 45 anos ainda quisesse jogar o Mundial 2030, visto que é co-organizado por Portugal.

    A idade pesa, o último grande torneio, 20 anos depois daquela edição na Alemanha que Portugal chegou às semifinais… era “giro”!

    Depois, eu sei que os adeptos, inclusive eu, acreditam que CR7 apenas está à espera de chegar ao gol 1000 para terminar a carreira. Faltam 54… não seria impossível atingir a marca na Copa do Mundo 2026. E não me façam sonhar com o gol 1000 sendo na final que eu fico já eufórico!

    O último argumento que eu quero utilizar baseia-se na rivalidade com Messi. Eu sei que cada um tem os seus preferidos, mas com ambos a chegarem ao fim de carreira não parece que cada um de nós está mais a ignorar essa discussão e mais a aproveitar os últimos momentos?

    Desse ponto de vista mais amigável e menos rival, para o futebol ser justo e bonito para todos, Cristiano Ronaldo também devia ganhar uma Copa do Mundo.

    Os dois maiores jogadores de sempre, lado a lado a nível de troféus e sucesso. A discussão de quem é melhor passa para segundo plano, ambos atingem o melhor que o desporto tem para oferecer e nós, meros mortais adeptos, só podemos apreciar.

    Eu achava bonito e… poético!

    Claro que além do mais eu sou português e ver a minha seleção a ganhar uma Copa do Mundo era indescritível. Muito mais com o capitão Cristiano Ronaldo, o meu preferido de sempre, a levantar a taça. Mal posso esperar por 2026!

  • Menos jogos por favor

    Menos jogos por favor

    Bem e o futebol lá parou por causa das seleções… que seca. Lamento se o leitor do Portal Camisa12 gosta das data FIFA, eu não tenho paciência.

    É chato, sei lá… eu quero é ver o meu clube a jogar e quero ver os jogos internacionais, quero a Champions. Agora ver um Portugal-Irlanda… só mesmo para ver se o Cristiano marca, e nem isso!

    Mas bem, antes de pedir perdão ao leitor por sempre reclamar com alguma coisa, aviso que este fatídico artigo de opinião não serve para falar dos jogos aborrecidos da paragem de seleções.

    Mas sim tocar no tema de que é mesmo preciso menos jogos… e eu sei que estamos numa fase inicial da época, passaram sensivelmente dois meses, o pior ainda está para vir, mas já há lesões.

    E lesões que surgiram nas seleções! Nem vou falar de João Neves ou Yamal, que não foram convocados. Mas Enzo Fernández, do Chelsea, deixou a concentração da Argentina por um problema no joelho.

    Mbappé sofreu uma lesão no tornozelo, embora nada de grave. Ao menos isso, está a fazer uma época top, espero que continue, mas que o Real Madrid não ganhe nada.

    Konaté, do Liverpool, também se lesionou. João Félix vai falhar o jogo de Portugal contra a Hungria por lesão.

    E ainda Sudakov também se lesionou pela seleção da Ucrânia…

    Eu sei que os jogadores recebem milhões, mas isto não pode ser só aumentar o número de jogos e achar que eles são animais ou máquinas.

    Adianta de quê ter quinhentos mil jogos por época se os melhores jogadores andam sempre lesionados? É tudo uma sede de dinheiro impressionante.

    Enquanto não perceberem que o espetáculo melhora quando há menos, mas melhores jogos, isto não vai mudar. Como isso nunca vai acontecer, esperemos que os jogadores se unam e façam uma greve para alterar o cenário atual.

    E ninguém me tira a ideia que os jogadores também se sentem menos motivado. Eu nem vou muito longe, fico aqui em Portugal. Um jogador de Benfica, FC Porto ou Sporting, vai ter a mesma motivação a jogar a Taça da Liga, em Leiria, a uma quinta-feira à noite de dezembro ou janeiro, ou uma Champions à terça?

    Um abraço aos iluminados. Menos jogos, por favor.

  • Gosto das divisões amadoras

    Gosto das divisões amadoras

    O público do Portal Camisa12 não me conhece. Mas eu trabalhei anos num dos maiores jornais em Portugal. As principais competições em que eu trabalhava eram a primeira e segunda liga portuguesa, além da Champions, Liga Europa, etc.


    Com a mudança de emprego passei a acompanhar divisões inferiores. A terceira, quarta e até a distrital. Para o brasileiro entender, as divisões distritais em Portugal são amadoras, divididas por distritos (aí, talvez em Estados). E fiquei surpreendido.


    Os clubes que competem nestas divisões inferiores em Portugal são pequenos, muito pequenos. Podem ter boas estruturas, serem organizados e muitos deles têm milhares de adeptos, mas são pequenos.


    Confesso que sempre os desvalorizei, nunca quis bem saber. Mas quando comecei a acompanhar de perto, percebi porquê há tanto amor. O clube não representa só 11 jogadores em campo, mas sim uma vila, cidade ou simples terra inteira. Criam identificação com a população e nada mais importa do que “o clube da tua cidade” vencer.


    Em Portugal, é o Benfica, FC Porto ou Sporting que dominam a grande maioria da população, então sair dessa bolha e experienciar o sentimento que outras populações têm por clubes menores, é satisfatório.

    AD Marco 09 – 2023


    Nos clubes grandes há uma divisão. As pessoas juntam-se, mas em pequenos grupos, porque se conhecem. Nos clubes da terceira ou quarta divisão, as pessoas juntam-se porque são da mesma terra ou da mesma cidade. Estão interligadas por
    algo maior, não só pela circunstância.


    Se reúnem famílias, grupos, crianças, idosos, todos a conviver, a falar da vida, do futebol, de como foi ou vai ser a semana de trabalho. Acima de tudo, sente-se o companheirismo, a amizade, o amor partilhado por umas cores de um emblema.


    Depois de ter estado lado a lado nas principais competições internacionais e portuguesas, e agora descer nas divisões, sinto-me mais próximo ao futebol, às pessoas, àquilo que é a gênese da competição, ao invés do grande mediatismo e, por vezes, circo que se cria à volta do desporto.


    Ganhei gosto por me sentar em bancadas de pedra, ao sol, ainda com restos da chuva da noite anterior. Por pessoas simples, que pouco cantam, mas estão no estádio todas as semanas. Pelas crianças a correr e os pais a assistir ao jogo. Por aquele insulto engraçado e fora do comum ao árbitro ou ao jogador.


    Não consigo contabilizar as vezes que, nas últimas semanas, ouvi: “oh burro!”, mas sei que me ri muito, respeitosamente para com os árbitros, claro. Faz parte.


    Estes dias entrevistei dois senhores, um com 85 anos e um com perto de 90. Desde os 6 ou 7 anos que acompanhavam o clube em questão, da quarta divisão portuguesa. Foram jogadores, diretores e, acima de tudo, adeptos. Todas as semanas naquele estádio.


    Isto é uma vida dedicada a um clube. Perguntei a eles como se explicava ter tanto amor por um clube de futebol passadas tantas décadas, mas sinceramente nem queria uma resposta.


    Há sentimentos que não têm de ser explicados ou não têm explicação, mesmo. De qualquer forma, deixo o leitor com a resposta do visado senhor: “é uma doença que não é fácil de curar”.

  • O Efeito Mourinho… ou não  

    O Efeito Mourinho… ou não  

    Em Portugal não se fala de outra coisa: José Mourinho voltou. Vinte e cinco anos depois, o maior treinador português regressa ao Benfica e, de repente, parece que o país parou.

    A cena foi digna de Hollywood: câmaras a seguir o carro de Mourinho, transmissão ao vivo madrugada dentro à porta da sua casa… tudo por um treinador que, na verdade, já não é o “Special One” de outros tempos. E enquanto isso, um dérbi histórico como Vitória SC x Braga passou completamente ao lado. Isto diz muito sobre como o nosso futebol continua refém da bolha dos três grandes.

    O curioso é que Mourinho estava no Fenerbahçe e foi eliminado da Champions… pelo Benfica. Dias depois, assume o comando da mesma equipa. Para apimentar ainda mais, uma semana antes esteve no Estádio do Dragão, homenageado como lenda do FC Porto  onde ganhou a Champions e conquistou tudo. O estádio levantou-se para o aplaudir… e, logo depois, vêem-no assinar pelo maior rival. Para os portistas, foi como ver um ídolo rasgar memórias.

    No Benfica, a história se repete. Em 2000, Mourinho tinha assumido o clube, mas acabou despedido porque o presidente que apostou nele perdeu as eleições. Agora, em 2025, a história volta a soar a déjà-vu: Rui Costa, pressionado e sem títulos relevantes, voltou a jogar a carta Mourinho como trunfo eleitoral. Contratou-o como treinador-milagreiro, mas o futebol não funciona assim.

    O impacto inicial foi típico: vitória 3-0, euforia nas arquibancadas, ambiente de festa e esperança renovada. Mas logo no segundo jogo, o empate frente ao Rio Ave foi um verdadeiro banho de água fria. Em Portugal, deslizes assim custam títulos. E Mourinho sabe disso melhor do que ninguém.

    Agora, deixem-me ser claro: o problema do Benfica não é Mourinho. Também não era Bruno Lage, conhecido dos botafoguenses, que até tinha algumas ideias, mas nunca conseguiu segurar a pressão e, sinceramente, nunca teve as qualidades necessárias para treinar um colosso português. O problema é estrutural. E é aí que está o verdadeiro fracasso.

    Nos últimos anos, os dirigentes do Benfica têm estado muito aquém da dimensão do clube. A gestão é errática, sem rumo claro. Um clube que investe 30 milhões de euros em Richard Ríos, ex-Palmeiras, sem que ele tenha o perfil que a equipa precisava, que vende talentos como João Neves demasiado cedo e que não consegue criar uma estratégia de comunicação moderna e digna de um gigante europeu… não pode culpar apenas os treinadores.

    Enquanto isso, o Sporting vem trabalhando bem a sua imagem, e o Porto, com Villas-Boas na presidência, começou finalmente a se tornar uma referência na forma como comunica e se apresenta ao mundo. E o Benfica? Continua preso a velhas fórmulas que já não funcionam.

    Mourinho até pode trazer impacto imediato, mas não há “efeito Mourinho” que dure se quem manda continuar a falhar. Nos próximos jogos, recebe o Gil Vicente, mas logo depois terá três pedreiras: Chelsea, FC Porto e Newcastle. Esses duelos podem muito bem ditar o futuro da presidência do Benfica… e talvez até o do próprio Mourinho.E há aqui uma semelhança histórica que não me sai da cabeça: Artur Jorge, o outro treinador português que venceu a Champions pelo FC Porto, também acabou por trocar o Dragão pela Luz. O resultado? Foi um flop, não ganhou nada e deixou mágoa entre os portistas. A minha previsão é simples: com Mourinho vai acontecer o mesmo. Prefiro guardar a memória do “rockstar” que foi no Porto, no Chelsea e no Inter. O outrora Special One dificilmente terá sucesso neste regresso a Lisboa.