Tag: Portugal

  • Cristiano Ronaldo ganhar a Copa do Mundo seria poético

    Cristiano Ronaldo ganhar a Copa do Mundo seria poético

    Eu sei que ainda falta e eu sei que os fãs do Messi já vêm comentar que o argentino já ganhou. Mas a questão não é só para os leitores do Portal Camisa12, mas para os fãs de futebol: não seria poético Cristiano Ronaldo ganhar a Copa do Mundo 2026?

    Tenho vários argumentos para convencer os mais céticos. O primeiro é que, muito provavelmente, será o último Mundial de Cristiano Ronaldo. Vai ter 41 anos, mas também não me surpreendia se aos 45 anos ainda quisesse jogar o Mundial 2030, visto que é co-organizado por Portugal.

    A idade pesa, o último grande torneio, 20 anos depois daquela edição na Alemanha que Portugal chegou às semifinais… era “giro”!

    Depois, eu sei que os adeptos, inclusive eu, acreditam que CR7 apenas está à espera de chegar ao gol 1000 para terminar a carreira. Faltam 54… não seria impossível atingir a marca na Copa do Mundo 2026. E não me façam sonhar com o gol 1000 sendo na final que eu fico já eufórico!

    O último argumento que eu quero utilizar baseia-se na rivalidade com Messi. Eu sei que cada um tem os seus preferidos, mas com ambos a chegarem ao fim de carreira não parece que cada um de nós está mais a ignorar essa discussão e mais a aproveitar os últimos momentos?

    Desse ponto de vista mais amigável e menos rival, para o futebol ser justo e bonito para todos, Cristiano Ronaldo também devia ganhar uma Copa do Mundo.

    Os dois maiores jogadores de sempre, lado a lado a nível de troféus e sucesso. A discussão de quem é melhor passa para segundo plano, ambos atingem o melhor que o desporto tem para oferecer e nós, meros mortais adeptos, só podemos apreciar.

    Eu achava bonito e… poético!

    Claro que além do mais eu sou português e ver a minha seleção a ganhar uma Copa do Mundo era indescritível. Muito mais com o capitão Cristiano Ronaldo, o meu preferido de sempre, a levantar a taça. Mal posso esperar por 2026!

  • Menos jogos por favor

    Menos jogos por favor

    Bem e o futebol lá parou por causa das seleções… que seca. Lamento se o leitor do Portal Camisa12 gosta das data FIFA, eu não tenho paciência.

    É chato, sei lá… eu quero é ver o meu clube a jogar e quero ver os jogos internacionais, quero a Champions. Agora ver um Portugal-Irlanda… só mesmo para ver se o Cristiano marca, e nem isso!

    Mas bem, antes de pedir perdão ao leitor por sempre reclamar com alguma coisa, aviso que este fatídico artigo de opinião não serve para falar dos jogos aborrecidos da paragem de seleções.

    Mas sim tocar no tema de que é mesmo preciso menos jogos… e eu sei que estamos numa fase inicial da época, passaram sensivelmente dois meses, o pior ainda está para vir, mas já há lesões.

    E lesões que surgiram nas seleções! Nem vou falar de João Neves ou Yamal, que não foram convocados. Mas Enzo Fernández, do Chelsea, deixou a concentração da Argentina por um problema no joelho.

    Mbappé sofreu uma lesão no tornozelo, embora nada de grave. Ao menos isso, está a fazer uma época top, espero que continue, mas que o Real Madrid não ganhe nada.

    Konaté, do Liverpool, também se lesionou. João Félix vai falhar o jogo de Portugal contra a Hungria por lesão.

    E ainda Sudakov também se lesionou pela seleção da Ucrânia…

    Eu sei que os jogadores recebem milhões, mas isto não pode ser só aumentar o número de jogos e achar que eles são animais ou máquinas.

    Adianta de quê ter quinhentos mil jogos por época se os melhores jogadores andam sempre lesionados? É tudo uma sede de dinheiro impressionante.

    Enquanto não perceberem que o espetáculo melhora quando há menos, mas melhores jogos, isto não vai mudar. Como isso nunca vai acontecer, esperemos que os jogadores se unam e façam uma greve para alterar o cenário atual.

    E ninguém me tira a ideia que os jogadores também se sentem menos motivado. Eu nem vou muito longe, fico aqui em Portugal. Um jogador de Benfica, FC Porto ou Sporting, vai ter a mesma motivação a jogar a Taça da Liga, em Leiria, a uma quinta-feira à noite de dezembro ou janeiro, ou uma Champions à terça?

    Um abraço aos iluminados. Menos jogos, por favor.

  • Gosto das divisões amadoras

    Gosto das divisões amadoras

    O público do Portal Camisa12 não me conhece. Mas eu trabalhei anos num dos maiores jornais em Portugal. As principais competições em que eu trabalhava eram a primeira e segunda liga portuguesa, além da Champions, Liga Europa, etc.


    Com a mudança de emprego passei a acompanhar divisões inferiores. A terceira, quarta e até a distrital. Para o brasileiro entender, as divisões distritais em Portugal são amadoras, divididas por distritos (aí, talvez em Estados). E fiquei surpreendido.


    Os clubes que competem nestas divisões inferiores em Portugal são pequenos, muito pequenos. Podem ter boas estruturas, serem organizados e muitos deles têm milhares de adeptos, mas são pequenos.


    Confesso que sempre os desvalorizei, nunca quis bem saber. Mas quando comecei a acompanhar de perto, percebi porquê há tanto amor. O clube não representa só 11 jogadores em campo, mas sim uma vila, cidade ou simples terra inteira. Criam identificação com a população e nada mais importa do que “o clube da tua cidade” vencer.


    Em Portugal, é o Benfica, FC Porto ou Sporting que dominam a grande maioria da população, então sair dessa bolha e experienciar o sentimento que outras populações têm por clubes menores, é satisfatório.

    AD Marco 09 – 2023


    Nos clubes grandes há uma divisão. As pessoas juntam-se, mas em pequenos grupos, porque se conhecem. Nos clubes da terceira ou quarta divisão, as pessoas juntam-se porque são da mesma terra ou da mesma cidade. Estão interligadas por
    algo maior, não só pela circunstância.


    Se reúnem famílias, grupos, crianças, idosos, todos a conviver, a falar da vida, do futebol, de como foi ou vai ser a semana de trabalho. Acima de tudo, sente-se o companheirismo, a amizade, o amor partilhado por umas cores de um emblema.


    Depois de ter estado lado a lado nas principais competições internacionais e portuguesas, e agora descer nas divisões, sinto-me mais próximo ao futebol, às pessoas, àquilo que é a gênese da competição, ao invés do grande mediatismo e, por vezes, circo que se cria à volta do desporto.


    Ganhei gosto por me sentar em bancadas de pedra, ao sol, ainda com restos da chuva da noite anterior. Por pessoas simples, que pouco cantam, mas estão no estádio todas as semanas. Pelas crianças a correr e os pais a assistir ao jogo. Por aquele insulto engraçado e fora do comum ao árbitro ou ao jogador.


    Não consigo contabilizar as vezes que, nas últimas semanas, ouvi: “oh burro!”, mas sei que me ri muito, respeitosamente para com os árbitros, claro. Faz parte.


    Estes dias entrevistei dois senhores, um com 85 anos e um com perto de 90. Desde os 6 ou 7 anos que acompanhavam o clube em questão, da quarta divisão portuguesa. Foram jogadores, diretores e, acima de tudo, adeptos. Todas as semanas naquele estádio.


    Isto é uma vida dedicada a um clube. Perguntei a eles como se explicava ter tanto amor por um clube de futebol passadas tantas décadas, mas sinceramente nem queria uma resposta.


    Há sentimentos que não têm de ser explicados ou não têm explicação, mesmo. De qualquer forma, deixo o leitor com a resposta do visado senhor: “é uma doença que não é fácil de curar”.

  • O Efeito Mourinho… ou não  

    O Efeito Mourinho… ou não  

    Em Portugal não se fala de outra coisa: José Mourinho voltou. Vinte e cinco anos depois, o maior treinador português regressa ao Benfica e, de repente, parece que o país parou.

    A cena foi digna de Hollywood: câmaras a seguir o carro de Mourinho, transmissão ao vivo madrugada dentro à porta da sua casa… tudo por um treinador que, na verdade, já não é o “Special One” de outros tempos. E enquanto isso, um dérbi histórico como Vitória SC x Braga passou completamente ao lado. Isto diz muito sobre como o nosso futebol continua refém da bolha dos três grandes.

    O curioso é que Mourinho estava no Fenerbahçe e foi eliminado da Champions… pelo Benfica. Dias depois, assume o comando da mesma equipa. Para apimentar ainda mais, uma semana antes esteve no Estádio do Dragão, homenageado como lenda do FC Porto  onde ganhou a Champions e conquistou tudo. O estádio levantou-se para o aplaudir… e, logo depois, vêem-no assinar pelo maior rival. Para os portistas, foi como ver um ídolo rasgar memórias.

    No Benfica, a história se repete. Em 2000, Mourinho tinha assumido o clube, mas acabou despedido porque o presidente que apostou nele perdeu as eleições. Agora, em 2025, a história volta a soar a déjà-vu: Rui Costa, pressionado e sem títulos relevantes, voltou a jogar a carta Mourinho como trunfo eleitoral. Contratou-o como treinador-milagreiro, mas o futebol não funciona assim.

    O impacto inicial foi típico: vitória 3-0, euforia nas arquibancadas, ambiente de festa e esperança renovada. Mas logo no segundo jogo, o empate frente ao Rio Ave foi um verdadeiro banho de água fria. Em Portugal, deslizes assim custam títulos. E Mourinho sabe disso melhor do que ninguém.

    Agora, deixem-me ser claro: o problema do Benfica não é Mourinho. Também não era Bruno Lage, conhecido dos botafoguenses, que até tinha algumas ideias, mas nunca conseguiu segurar a pressão e, sinceramente, nunca teve as qualidades necessárias para treinar um colosso português. O problema é estrutural. E é aí que está o verdadeiro fracasso.

    Nos últimos anos, os dirigentes do Benfica têm estado muito aquém da dimensão do clube. A gestão é errática, sem rumo claro. Um clube que investe 30 milhões de euros em Richard Ríos, ex-Palmeiras, sem que ele tenha o perfil que a equipa precisava, que vende talentos como João Neves demasiado cedo e que não consegue criar uma estratégia de comunicação moderna e digna de um gigante europeu… não pode culpar apenas os treinadores.

    Enquanto isso, o Sporting vem trabalhando bem a sua imagem, e o Porto, com Villas-Boas na presidência, começou finalmente a se tornar uma referência na forma como comunica e se apresenta ao mundo. E o Benfica? Continua preso a velhas fórmulas que já não funcionam.

    Mourinho até pode trazer impacto imediato, mas não há “efeito Mourinho” que dure se quem manda continuar a falhar. Nos próximos jogos, recebe o Gil Vicente, mas logo depois terá três pedreiras: Chelsea, FC Porto e Newcastle. Esses duelos podem muito bem ditar o futuro da presidência do Benfica… e talvez até o do próprio Mourinho.E há aqui uma semelhança histórica que não me sai da cabeça: Artur Jorge, o outro treinador português que venceu a Champions pelo FC Porto, também acabou por trocar o Dragão pela Luz. O resultado? Foi um flop, não ganhou nada e deixou mágoa entre os portistas. A minha previsão é simples: com Mourinho vai acontecer o mesmo. Prefiro guardar a memória do “rockstar” que foi no Porto, no Chelsea e no Inter. O outrora Special One dificilmente terá sucesso neste regresso a Lisboa.