Cristiano Ronaldo surpreendeu o mundo ao anunciar, nesta quinta-feira (5), sua aposentadoria da Seleção Portuguesa, dias antes da próxima convocação do técnico Jorge Jesus.
Aos 41 anos, o atleta comunicou sua decisão por meio de um vídeo compartilhado em suas redes sociais, no qual leu uma carta. Na mensagem, o atacante falou sobre o privilégio de ter sido capitão da equipe nacional e deixou claro que continuará torcendo por Portugal.
A decisão de Ronaldo aconteceu algumas semanas após o desentendimento com o treinador português durante a última Data FIFA. A crise teve início no final de setembro, quando o camisa 7 não foi utilizado na vitória sobre a Noruega, apesar de ter passado praticamente todo o segundo tempo aquecendo.
O atrito entre o atacante e o treinador ganhou grandes proporções após uma coletiva de Jorge Jesus, cujas declarações desagradaram Ronaldo. O episódio fez com que o jogador se reunisse com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para esclarecer a situação. Posteriormente, Cristiano publicou um longo comunicado no qual acusou o treinador de não cumprir acordos.
- Cristiano Ronaldo anuncia aposentadoria da Seleção Portuguesa e se despede com carta emocionante
- Palmeiras goleia Remo e se mantém vivo na briga pelo título do Brasileirão; veja como foi
- Palmeiras x Remo hoje (05) ao vivo: onde assistir, horário, arbitragem e prováveis escalações da Série A
- Como surpreende e aplica goleada histórica na Champions League; veja
- Chapecoense é a primeira equipe rebaixada para a Série B de 2027; veja
Confira a carta de despedida
“Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha, mas, durante 23 anos, tive o privilégio e a responsabilidade de vestir, defender e levar comigo para estádios do mundo inteiro. Hoje chegou o momento de entregá-la ao futuro. Não foi uma decisão fácil, porque decisões não se tomam apenas com a cabeça, mas também com o coração.
Termina uma caminhada que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi pela seleção, não vejo apenas jogos, gols, recordes ou troféus. Vejo o que sou hoje. Vejo imigrantes que, durante noventa minutos, sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida. No fim de tudo, futebol é muito mais do que um jogo. O futebol são as pessoas.
Durante toda a minha carreira na seleção, procurei superar os meus limites. Quis ganhar, quis ser o melhor, quis fazer história. Sempre fui exigente comigo próprio, sempre quis mais, sempre acreditei que podíamos chegar mais longe e dei tudo o que tinha por essa camisa. Houve tardes e noites perfeitas, houve vitórias que nunca esquecerei e houve derrotas que ainda hoje me custam recordar. Também falhei, também sofri e também houve momentos em que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejava. Mas nunca desisti.
Acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal. Ao longo desses anos, aprendi coisas muito simples. Os gols passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam por ser batidos, mas há algo que o tempo nunca consegue apagar: o lugar que ocupamos no coração das pessoas. Se alguma vez fiz vocês felizes, se alguma vez um gol meu fez vocês abraçarem alguém ou fez alguma pessoa sentir orgulho do próprio país, então tudo valeu a pena. Porque ser português também é isso.
Sofremos juntos, levantamo-nos juntos, acreditamos outra vez. Portugal precisará sempre de jovens que sonhem, de jogadores que nunca desistam e de novas gerações que acreditem em chegar onde ninguém chegou. Porque um país que continua a criar novos heróis é um país que nunca deixa de acreditar em si mesmo.
Aos meus companheiros de seleção, quero deixar uma palavra especial. Obrigado por cada corrida, por cada abraço, por cada discussão, por cada silêncio antes de entrar em campo. Por cada vitória que celebramos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes. Tive o privilégio de ser vosso capitão, mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história.
A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e a tantas pessoas que trabalharam comigo ao longo destes anos, o meu obrigado. Muitos de vocês nunca apareceram nas fotografias, mas, sem vocês, nenhuma dessas fotografias teria sido possível.
À minha família, obrigado por dividir comigo esse sonho. Obrigado por entenderem as ausências, os sacrifícios e os momentos em que a seleção teve que ocupar um espaço que também pertencia a vocês. Se cheguei tão longe, foi porque sempre estivemos de mãos dadas.
E aos portugueses, a todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero dizer uma última coisa. Há uma imagem que sempre levarei comigo: o momento em que começa o hino nacional. Olho ao meu redor, vejo meus companheiros, vejo as arquibancadas, vejo crianças, mães, pais e avós, vejo portugueses que vieram de tão longe apenas para estar ali. E, durante aqueles minutos, deixamos de ser diferentes. Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões. Existe apenas uma paixão: Portugal.
Esse sentimento levarei comigo para o resto da vida. Hoje termina minha caminhada dentro de campo com a seleção. Saio de cabeça erguida, com orgulho do caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Vou continuar sofrendo, vibrando e comemorando cada vitória de Portugal com o coração.
Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo. Obrigado por esses 23 anos. Obrigado por terem acreditado em mim. Obrigado por me permitirem viver um sonho que começou quando eu era apenas um menino, na Madeira, correndo atrás de uma bola.
A camisa 7 fica, o orgulho de tê-la vestido será meu para sempre. Portugal sempre estará em mim.
Até sempre, Cristiano Ronaldo.”

Deixe um comentário